Sodamned: banda autoral mostra quem você é como músico

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Por Ben Ami Scopinho
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Com uma trajetória que ultrapassou a primeira década e tendo sua origem na cidade catarinense de Rio do Sul, o Sodamned acabou de marcar sua estreia com "The Loneliest Loneliness", um espetacular disco de Death Metal com melodias sofisticadas. Aproveitando que a banda voltou de uma turnê pela Europa, o Whiplash.net conversou com Juliano Regis (voz e guitarra) e Gilson Lange (bateria) para saber mais sobre a atual fase da banda. Confiram aí:

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Saudações, pessoal. Ainda que tenha ultrapassado sua primeira década de atividades, boa parte do público ainda não conhece o Sodamned. Que tal começarmos com uma breve biografia?

Gilson: Então, começamos eu, o Juliano e o Gerson, nosso primeiro baixista em 1999. Nós três já havíamos tocado juntos no ano anterior num projeto que acabou sem ter um nome, mas era um som mais voltado ao Thrash. Então o Juliano mostrou-nos uma música, que acabou sendo a "Dive In Nothing" lançada no "The Garret", curtimos muito o som e resolvemos montar a banda. De lá pra cá, lançamos uma demo ensaio, uma demo oficial, participamos de duas coletâneas, gravamos um EP (que saiu em forma de split com os gaúchos do Dark Celebration) e agora, finalmente, conseguimos lançar nosso debut. Depois de tantos anos a banda mudou de formação algumas vezes, e por hora estamos novamente como um trio: eu e o Juliano ainda, com o Felipe que faz o baixo/backing vocals desde 2007, e estamos à procura de um segundo guitarrista.

Seu primeiro álbum, "The Loneliest Loneliness", está realmente impressionante. O quanto vocês sentem que o Sodamned evoluiu desde o EP "The Garret", lançado em 2006?

Gilson: Bom, não sei exatamente se mudamos, em termos de composição acho que ainda temos os mesmos pensamentos. Porém os anos vão passando e acabamos melhorando como instrumentistas, e também a cada gravação agregamos mais experiência e temos uma visão mais clara de como nossa música deve soar. Isso aliado à parceria com o Roger do estúdio Nitro Sound proporcionou a grande evolução ocorrida entre o "'The Garret" e o "Loneliest Loneliness".

Juliano: Uma coisa que posso falar sobre as músicas novas é que eu as compus pensando em duas guitarras. Como no início da banda éramos um trio, e por Rio do Sul ser uma cidade sem muitos apreciadores de metal, a gente não ter nem esperança de arranjar um segundo guitarrista, as primeiras músicas tem uma estrutura mais simples, porém, tudo que eu compus depois de lançar o 'The Garret' foi pensando em duas guitarras. O Felipe é um baixista bastante criativo que sempre gosta de adicionar detalhes que deixam as composições mais interessantes. Todo mundo evoluiu bastante como instrumentaista desde 2006.

Muitos alegam que o Sodamned possui um estilo bastante distinto, cujas melodias nunca deslocam sua música para fora do Heavy Metal extremo. Como funciona o processo de composição entre vocês e qual canção melhor define o momento em que vocês se encontram?

Gilson: Opa, legal as pessoas acharem isso, apesar de que nunca tivemos como meta soarmos extremamente originais, pois sempre tentamos fazer Metal extremo como gostamos de ouvir. Mas também não tentamos copiar ninguém, fazemos o que gostamos, mas no nosso jeito de tocar, com a nossa personalidade. Levando ainda em consideração que, apesar de todos nós termos como preferência o Metal extremo, cada um tem uma particularidade quanto aos gostos musicais, muitas vezes o que um gosta o outro não... E isso trás uma pluralidade de idéias muito legal na hora de fazer os arranjos das músicas.

Gilson: Quanto à forma de compor, até hoje sempre foi mais ou menos da mesma forma: o Juliano cria as bases e já deixa a estrutura da música pronta, manda o material para o resto de nós por e-mail (pois moramos em cidades diferentes e longe um do outro), depois quando nos reunimos nos ensaios cada um adiciona suas idéias em relação aos arranjos e as partes de baixo e bateria, e fazemos alguns ajustes aqui e ali... Após a parte instrumental estar pronta eu separo algumas letras e entrego pro pessoal dar um lida e escolher as melhores. Aí fica pro Juliano escolher também qual a letra que se encaixa melhor na nova música. Porra, a canção que melhor define a gente é difícil de escolher, pois existe bastante variação entre uma e outra, mas eu cito a "Tortures And Nightmares", pois foi uma das últimas a serem escritas e possui passagens rápidas e cadenciadas também.

Juliano: De fato, a "Tortures..." é uma música que eu citaria como algo que eu sempre quis fazer: música bem rápida, mas extremamente melodiosa, é isso que eu busco sempre. O legal é que eu não consigo compor uma música sem imaginar a batera junto, e quando eu envio a ideia por mail pro Gilson, eu já dou um toque do que espero, mas ele às vezes acaba colocando mais umas influências dele que adicionam bastante. O Felipe já é de criar coisas durante o ensaio, a maioria a gente já curte de primeira, mas tem coisa que a gente só olha: "Felipe, não né cara....", rs....

Percebe-se muita preocupação para com o campo das vozes. Além do Juliano e Felipe, vocês também contaram como convidado o Éder (A Sorrowfull Dream), cantando das mais diferentes formas. Como rolou sua participação nas várias faixas em que participou?

Gilson: Cara, o Juliano e o Felipe são grandes admiradores do A Sorrowful Dream, e precisávamos de alguém pra fazer alguns vocais limpos e diferenciados nas músicas. O Juliano pegou o contato do Éder e fez o convite, que aceitou prontamente. No dia em que estávamos no Nitro Sound gravando os vocais marcamos com o Éder que apareceu lá... E claro que não desperdiçaríamos a oportunidade de explorar como pudéssemos o trabalho dele, hehe, pois ele possui mil vozes e queríamos todas elas no CD!

Juliano: Cara, foi foda o Éder lá, eu mandei pra ele as letras e as músicas, apontando as partes que ele deveria encaixar, mas não dei pitaco, não sugeri nada, apesar de ter uma ideia do que queria. A verdade é que em nenhuma das partes ele fez o que eu esperava, mas fez muito melhor, cada coisa que ele fazia no estúdio surpreendia muito a gente, foi algo realmente diferente, ele fez tudo em cinco horas de estúdio e o resultado foi mais do que satisfatório para a gente.


O produtor Roger Fingle (Earth) e seu Nitro Sound Studio vêm construindo uma forte reputação no sul do Brasil. Até onde ele interferiu/contribuiu nas seções de gravação?


Gilson: Cara, ele foi fundamental para o resultado final do CD. O Roger é um grande músico e excelente produtor, com muita bagagem e conhecimento de seu trabalho. Trabalhamos com ele desde antes de começarmos a gravação: fizemos antes de tudo uma gravação 'ao vivo em estúdio' de todas as músicas que gravaríamos e mandamos pra ele conhecer o material músicas e já ir pensando em como captar/produzir tudo. Depois disso ele veio até Joinville, no Vortex Estúdio, onde gravamos as partes de bateria e por fim as gravações das cordas, vocais, mixagem e masterização que ele fez no próprio estúdio. Ele também sugeriu a forma que seria captado o som da bateria, sobre a timbragem das guitarras, e também colaborava sugerindo se alguns detalhes das músicas soariam bem ou não. Sem contar que o trabalho de mixagem e masterização foram feitos totalmente por ele, apenas falamos como queríamos que cada instrumento soasse, e depois solicitamos pequenas mudanças quanto a volumes/equalizações, mas o 'grosso' do trabalho saiu da cabeça do próprio Roger.


Juliano: Como se já não bastasse o Sodamned 'funcionar pela internet', a gente ainda escolheu o Roger, que tá bem longe da gente, pra cuidar da produção. A gente elegeu uma música e ele foi trabalhando nela, mandando pra gente ouvir, e assim foi até chegar num ponto 'x' que serviu de partida para ele trabalhar o restante do álbum, e isso, pra gente que já tá acostumado com a distância entre os membros da banda, funciona bem.

A forma mais abstrata com que Gustavo Sazes elabora suas artes sempre será passível de várias interpretações. Mas, para o Sodamned, qual o conceito por trás da capa de "Loneliest Loneliness"?

Gilson: Na verdade sugerimos ao Gustavo como gostaríamos que a capa se parecesse. Mandamos o título do álbum pra ele e a letra da música Ewige Wiederkunft, aí ele apareceu com essa capa maravilhosa, o cara realmente é sensacional. Se você pegar a letra na mão e olhar pra capa, você vai entender qual a viagem que o Gustavo teve nessa concepção.

Lendo seu diário, é nítida a luta contra o tempo para concluir as gravações no prazo. Não é fácil, mas me pareceu que o Gilson 'penou' para gravar algumas partes de bateria, como em "The Mountain" ou "Tortures". O áudio final correspondeu às expectativas?

Gilson: Cara, foi uma merda, hehe. Pouco tempo e um calor da porra mesmo quase me fizeram desistir de tudo. Algumas partes simplesmente não queriam sair no tempo, e não somente partes complicadas, às vezes algumas partes realmente simples teimavam em sair de um modo que não deviam. Realmente muito cansaço durante os três dias que passei gravando e, principalmente, muito stress. E tem coisas que você descobre que erra somente no momento que vai gravar... Aí tem que reaprender a tocar alguma parte da música ali na hora do 'vamo vê'. Mas no final o negócio saiu muito melhor do que o esperado, apesar de que o músico sempre ouve no CD algo poderia ter sido executado de um jeito melhor...

Juliano: Chego até ser neurótico com tempos, mas o fato é que eu ficava do lado do Roger o tempo todo ouvindo o Gilson gravar, às vezes em 5 ou 10 segundos eu já pedia pra parar, o Gilson ficava doido, mas isso já vem desde a demo, a gente preza muito pela perfeição. Por mais cansativo que seja passar três dias dentro do estúdio ouvindo gravações de batera, sabendo que depois vou ter mais inúmeras horas de gravação, é algo que eu gosto muito de fazer e tento nunca perder de vista o objetivo de produzir algo que eu vá ouvir e sentir que foi bem executado.

E como foi que essa turnê pela Europa surgiu? Qual sua análise e saldo destas 16 datas e como é a reação dos headbangers de lá em relação ao comércio de CDs, camisetas, etc?

Gilson: Essa tour era para ter sido montada por um agente indicado por nossos amigos da banda Khrophus e por outras bandas. Contratamos os serviços da empresa dele e infelizmente esse agente acabou não honrando todas as suas promessas conosco e com outras bandas com as quais ele trabalhou. A tour deveria ter tido ao menos 20 datas, mas, mais ou menos um mês antes da data de embarque nós tínhamos apenas sete shows agendados. Bateu o desespero na gente, pois já havíamos adiado a tour uma vez, e agora já tínhamos gasto muito dinheiro e tínhamos as passagens compradas e tudo. Nossa sorte foi ter encontrado um motorista de van croata, o Vladimir, que foi nossa salvação. Muitas outras bandas brasileiras já haviam trabalhado com ele, como o Vulcano e o Violator, e o Vladimir além de motorista também é agente de shows na Europa, principalmente para a parte oriental. Ele agendou mais nove datas e nos mandamos pra lá... Como tocamos muitas datas na parte oriental e mais pobre da Europa a reação quanto ao merchandise não é muito diferente do que temos por aqui, essa parte comercial é muito mais forte na Alemanha e outros países ocidentais, onde o pessoal realmente compra o material de uma banda quando esta os agrada. A diferença que mais sentimos foi realmente com o respeito que qualquer músico tem por lá, principalmente de um país com uma grande história no Metal como o Brasil.

Juliano: Romênia, Bulgária e Croácia foram foda, a galera recebe bem, vem conversar, e tem coisas que impressionam, como por exemplo Pózega, interior da Croácia, uma cidade minúscula, mas cujo show lotou, a galera agitou muito. Tocamos dois dias seguidos em Ruse, na Bulgária, e a recepção também foi excepcional. Já temos em mente uma segunda tour por lá, mas com um marketing em cima do nosso nome bem mais planejado, pois com a cena estruturada que eles tem lá, se você trabalha bem em cima da divulgação de sua música, você consegue, com certeza, colher bons frutos.

O Gilson Lange (bateria) é proprietário do Face The Abyss Records. Considerando a conhecida dificuldade da indústria fonográfica, ainda está dando para fazer seus próprios lançamentos? Quais as maiores dificuldades que você enfrenta neste sentido?

Gilson: Realmente a situação não é muito boa, e o selo está muito parado. É difícil competir com os downloads e a indústria da música está ficando muito enxuta, não sobrando muito espaço para os pequenos selos. E as pessoas também não parecem dar muita atenção aos CDs lançados pelas pequenas bandas, então a combinação pequeno selo + lançamentos de bandas underground não tem gerado muitos frutos. Como o selo é pequeno e as vendas medíocres, não posso me dar ao luxo de sobreviver disso, deixando pouco tempo pra divulgar meu catálogo, gerando um círculo vicioso onde as vendas estão cada vez mais baixas, e o dinheiro para investimento também vai minguando.

Para finalizar, nestes tempos em que os projetos covers ocupam tanto espaço, o que significa para um músico ter sua própria banda autoral?

Gilson: Não critico as bandas covers, pois também gosto de assistir seus shows, é divertido você ir a um bar beber uma cerveja e ouvir clássicos de bandas que você gosta. Porém ter uma banda autoral é mostrar quem você é como músico, como artista. E por mais legal que seja, ver alguém agitando na frente do palco com uma música cover não é o mesmo do que alguém curtindo uma música sua.

Juliano: É engraçado que isso me parece bem cultural, pois quando alguém fica sabendo que eu tenho uma banda, a primeira pergunta é: '... mas vocês tem músicas próprias?...'. Como o Gilson falou, estar em cima do palco e ver a galera vibrando com uma música composta por você é um troço foda.

Pessoal, o Whiplash.net agradece pela entrevista desejando boa sorte na divulgação de " The Loneliest Loneliness". O espaço é do Sodamned para os comentários finais, ok?

Gilson: Nós é que agradecemos este espaço e a força que recebemos! Gostaríamos de falar mais uma vez às pessoas que curtem Metal: compareçam aos shows das bandas, comprem o material delas. Não vou ser demagogo e ficar dizendo pra ninguém baixar músicas e bláblá... Mas após baixarem e gostarem do material, procurem comprar os produtos oficiais das bandas. O underground também precisa de dinheiro: ensaiar, viajar, comprar instrumentos, gravar um CD não é de graça. Do jeito que as coisas estão, uma banda mal tem dinheiro para se manter somente ensaiando, imagine gravar, se divulgar... É impossível sem a contribuição DE VERDADE do público.

Gilson: E para aqueles que quiserem conhecer nosso trabalho: acessem nosso myspace - www.myspace.com/sodamned. Lá vocês encontrarão novidades a respeito do Sodamned e muitas músicas para audição, incluindo o novo CD na íntegra. Espero encontrar vocês na estrada! BANG 'TILL DEATH!!!

Juliano: Nós gostaríamos de agradecer a todo o pessoal que tá apoiando este nosso primeiro full, a galera tá gostando, comentando, ajudando a divulgar e essa resposta está realmente acima do que a gente esperava quando lançou o CD, a gente tá muito feliz com isso, e obrigado pelo espaço aqui no Whiplash.net!




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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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