Tony Martin: "O Black Sabbath não fala comigo há 15 anos"
Por Nathália Plá
Fonte: blabbermouth.net
Postado em 27 de agosto de 2011
Tarja Virmakari, do Metal Shock Finland, entrevistou em 2011 o ex-vocalista do BLACK SABBATH Tony Martin.
Black Sabbath - Mais Novidades
Metal Shock Finland: Para muitos fãs do BLACK SABBATH, o "Headless Cross" (1989) foi a última obra prima da banda. Quais são as memórias desse álbum?
Tony Martin: Muito excitante... e grato por estar junto, estou certo que vocês sabem disso... especialmente por ter o Cozy Powell [bateria] também. Tudo estava bem naquele momento.
Metal Shock Finland: Você acha possível ver uma turnê de reunião com o Tony [Iommi] e os outros membros do BLACK SABBATH?
Tony Martin: Nesse momento não vejo como. O SABBATH não fala comigo há 15 anos. Todos os álbuns em que estive foram totalmente retirados de venda por eles e seriam necessárias mudanças incríveis para ter tudo de volta.
Metal Shock Finland: O que você acha dos outros vocalistas do SABBATH — Ozzy Osbourne, Glenn Hughes, Ian Gillan e Ronnie James Dio?
Tony Martin: Não tenho problema nenhum com eles. Eu conheço pouco o Ian e foi tudo bem. Eu conheço o Glenn Hughes bem e nos damos bem. Eu só me encontrei com o Dio uma vez e ele não estava feliz na época. Eu tentei conversar com ele mas ele não deu idéia. Não tenho nenhuma idéia do que pode ter acontecido. Eu não conheço nenhum dos outros. Todos têm um lugar na história da banda, é claro.
Metal Shock Finland: O que você pode revelar sobre seu projeto com o Andy La Rocque (KING DIAMOND) e o Magnus Rosén (HAMMERFALL)?
Tony Martin: Eu os encontrei no início desse ano e fui encontrá-los a convite do Magnus. Ele me disse que ele e o Andy estavam tentando fazer algo grande e queriam saber se eu estaria interessado. Bem, o Magnus é um cara tão legal, e o Andy também. Eu não pude resistir à chance de trabalhar com eles. Então nós gravamos duas faixas e elas acabaram ficando ótimas. Mas o problema agora é que todos nós temos coisas a concluir antes de fazer algo mais, então estamos planejando e esperamos fazer um som novo para vocês ouvirem mais no fim do ano.
Metal Shock Finland: Tony, você tem 45 anos de experiência no music business, e ainda tem aquela chama acesa dentro de você. Diga-me, qual seu segredo para mantê-la viva?
Tony Martin: Eu sou músico desde os sete anos de idade e não consigo tirar isso de mim. Tenho treinamento em várias coisas, desde eletricista até encanador! Eu já até trabalhei numa sex shop, hahaha!!! Aquilo foi hilário!!! Mas a música é o que me manteve e aquilo do que consegui viver de alguma forma. Nunca fez de mim um milionário e jamais fará, mas a maior parte da minha vida adulta eu estive envolvido com isso de um jeito ou de outro.
Metal Shock Finland: Falando sobre o music business de hoje em dia, há alguma coisa que te deixa com raiva? E se pudesse, você mudaria algo?
Tony Martin: Ah, bem, claro! Se você for pensar, o artista é a PRIMEIRA pessoa na cadeia. Nós COMPOMOS as coisas com que TODOS os demais ganham a sua vida com elas. Produtores, empresários, selos, gravadoras, imprensa... TODOS eles vivem às custas do que criamos mas somos os ÚLTIMOS a receber. Somos a mesma pessoa! Todas essas pessoas recebem sua fatia e porcentagem e salário, que eles AINDA recebem, mesmo apesar de haver bem menos dinheiro na indústria, o que deixa o artista com nada. Isso tem de mudar, tudo, mas tem de começar com os músicos e artistas. Em primeiro lugar, parar de trabalhar de graça. Isso não ajuda em nada... Parar de ficar dando música de lambuja... isso não ajuda... E começar a mudar os contratos e porcentagens que damos. Os selos NÃO SÃO a resposta, não hoje em dia, quando tem tanta coisa à disposição do indivíduo. Nós nunca tínhamos acesso ao mundo quando eu tive meu primeiro contrato com um selo. Nós PRECISÁVAMOS dos selos, mas não agora. Eu honestamente acho que eles são um obstáculo para muitos de nós. É hora de repensar e tomar de volta o valor do que criamos. A música é uma arte sem valor hoje em dia; não há valor nela. Eu fui até a advogados para tentar descobrir por que nós, como criadores e fabricantes, não temos os mesmos direitos que os outros. Eles podem esperar um piso de preço pelo que eles fazem, mas nós não. Parece que o mundo não gosta do preço que colocamos, e nós, como grupo, devíamos ter nosso próprio mecanismo que devia nos proporcionar direitos básicos – contratos – mas eles são inúteis hoje na era dos downloads. Assim que o artista mudar a forma que trabalha ele vai mostrar ao público o VALOR do que eles tiram de nós, em comparação é o meu ponto de vista.
Tome por exemplo ir ao cinema – você vai ver um filme e paga 10 pratas. Você vê o filme e deixa suas dez pratas lá! Se você quiser ver de novo, VOCÊ PAGA DE NOVO!! Não é assim com a música. Uma vez que você adquire a música, é sua PRO RESTO DA VIDA! Você não tem de pagar a cada vez que põe ela pra tocar. E AINDA ASSIM tem gente que acha que é caro demais. Bem, isso é uma grande bobagem! Também houve o tempo em que conseguíamos tirar dinheiro com shows, mas NA MINHA EXPERIÊNCIA, nos últimos cinco anos, nós agora temos de pagar a um PRODUTOR só para estar lá e vender, e eu tive de pagar tudo entre 20 e 50 por cento da mercadoria! Então isso não é muito atrativo. MUITAS coisas têm de mudar, e eu poderia continuar falando por semanas.
Leia a entrevista na íntegra (em inglês) no Metal Shock Finland
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Por que Ricardo Confessori e Aquiles ainda não foram ao Amplifica, segundo Bittencourt
Como uma canção "profética", impossível de cantar e evitada no rádio, passou de 1 bilhão
A banda que é "obrigatória para quem ama o metal brasileiro", segundo Regis Tadeu
Dave Mustaine admite que seu braço está falhando progressivamente
O disco nacional dos anos 70 elogiado por Regis Tadeu; "hard rock pesado"
A música do Angra que Rafael Bittencourt queria refazer: "Podia ser melhor, né?"
Por que Angra não convidou Fabio Laguna para show no Bangers, segundo Rafael Bittencourt
Cinco álbuns que foram achincalhados quando saíram, e que se tornaram clássicos do rock
Poison abandona planos de turnê após Bret Michaels pedir 600% a mais em valores
As duas músicas do Metallica que Hetfield admite agora em 2026 que dão trabalho ao vivo
O hit de Cazuza que traz homenagem ao lendário Pepeu Gomes e que poucos perceberam
A lenda do rock que Axl "queria matar", mas depois descobriu que era tão ferrado quanto ele
O melhor álbum de 11 bandas lendárias que surgiram nos anos 2000, segundo a Loudwire
O riff definitivo do hard rock, na opinião de Lars Ulrich, baterista do Metallica
A música de Raul Seixas que faria ele ser "cancelado" nos dias de hoje


O riff de 1975 que Dave Grohl diz ter dado origem ao heavy metal na sua forma mais rápida
A música feita pra soar mais pesada que o Black Sabbath e que o Metallica levou ao extremo
Playlist - Uma música de heavy metal para cada ano, de 1970 até 1999
A música do Soulfly que "transporta" Max Cavalera para "Vol. 4", do Black Sabbath
Roger Waters dobra a aposta após falar de Ozzy; "não gosto de quem morde cabeça de morcego"
Dave Mustaine diz que mortes de Ozzy Osbourne, Dio e Lemmy Kilmister o afetaram
Tony Iommi tem 70 guitarras - mas utiliza apenas algumas
A respeitosa opinião de Tony Iommi sobre o guitarrista Jeff Beck
O polêmico álbum de Metal que Geezer Butler gostaria de ter escrito
Cradle Of Filth: o lado negro do vocalista Dani Filth
Bob Daisley: baixista dá detalhes de sua briga com Osbourne


