Father's Face: "O Brasil será o país número um do metal!"

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Por Ben Ami Scopinho
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Tendo como base Porto Alegre (RS), o Father's Face está na ativa desde 2008, mas o embrião que deu forma a seu primeiro álbum é muito mais antigo. A ideia era resgatar a história de Frankenstein, do clássico do terror gótico "The Modern Prometheus", publicado em 1818 por Mary Shelley, e tendo como fundo musical Heavy Metal de altíssima qualidade.

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E é com "Soundtrack For A Closing Light" que o objetivo se realiza. Lançado de forma independente, Lucas Guimarães (voz), Alessandro Marques (guitarra), Cristóvão A. Viero (guitarra), Luciano de Oliveira (baixo) e Daniel Seimetz (bateria) mostram planejamento e muito sentimento ao longo de sua obra. Para saber mais acerca deste trabalho, o Whiplash! conduziu a seguinte entrevista com o Father's Face - que, inclusive, é um dos nomes confirmados para tocar no VI Orquídea Rock Festival, a ser realizado em dezembro, na cidade catarinense de Lages.

Whiplash!: Olá pessoal! A banda Father's Face está agora estreando em disco. Que tal começarmos com o histórico da banda para os leitores conhecê-los melhor?

Alessandro: Olá Ben, muito obrigado pelo espaço e pela tua dedicação ao Heavy Metal! Bom, todos nós já havíamos participado de outras bandas, mas foi um longo caminho até nos encontrarmos. Em 2001, quando tive contato com o livro "Frankenstein or The Modern Prometheus", de Mary Shelley, foi quando a minha parte de integrante da Father's Face teve vida. Nosso álbum de estreia é baseado neste livro, e aproveitamos para traçar certo tipo de 'paralelo' entre a história e o momento atual. As surpresas de coincidências deste paralelo são incríveis.

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Whiplash!: E com o que você se identificou no livro "The Modern Prometheus", a ponto de colocar a história de Frankenstein em disco?

Alessandro: Durante uma aula de história da música, o Professor Celso Loureiro Chaves leu o seguinte trecho do livro (capítulo 5): "Foi numa sombria noite de novembro que eu contemplei a realização de minha obra. Com uma ansiedade que quase tocava as raias da agonia, tomei dos instrumentos que estavam à minha volta, a fim de que eu pudesse infundir uma centelha de vida na coisa inerte que jazia a meus pés. Era já quase uma hora da madrugada; a chuva batia tristemente nas janelas; a minha vela estava quase consumida quando, ao lusco-fusco da luz bruxuleante prestes a extinguir-se, vi abrir-se o baço olho amarelo da criatura. Ela respirava com dificuldade, e um movimento convulsivo agitava seus membros. Como posso descrever minhas emoções ante aquela catástrofe, como reescrever aquela ruína que eu, com esforço ínfimo e zelo, havia tentado formar?". Imagine alguém ler este trecho pra ti, em meio a explicações das espetaculares obras de Richard Wagner... Impossível um compositor ficar estático perante tal narrativa. Este texto me assombrou por muitas noites, pode ter certeza.

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Whiplash!: A idéia inicial seria desenvolver algo tendo como fundo musical uma orquestra sinfônica. O resultado final ficou 'meio' diferente... O que te fez optar pelo Heavy Metal, afinal?

Alessandro: Minha natureza!! Toda minha base musical foi fundada no Heavy Metal. Dei meus primeiros passos musicais tirando de ouvido os baixos do "Live After Death" (Iron Maiden) e do "Exit Stage Left" (Rush). O contrabaixo foi meu primeiro instrumento elétrico, mas tarde passei para a guitarra. Mas existem várias adaptações de obras que foram compostas para orquestra e depois suprimidas para quarteto de violões, por exemplo. Lembro de uma apresentação de um quarteto de violões onde eles tocavam uma adaptação dos Concertos de Branderburgo de Johann Sebastian Bach, feita pelo Doutor em Música Daniel Wolf. Uma banda de Heavy Metal tem, inclusive, mais elementos do que um quarteto de violões, então a troca de opção Orquestra/Banda foi simples.

Whiplash!: Como você disse, houve uma preocupação em não apenas narrar o conto do Frankenstein, e sim traçar paralelos entre sua história e alguns fatos típicos de nosso cotidiano. Considerando que a natureza humana não tenha mudado muito, suponho que deva haver vários tópicos onde encontraram similaridades... Quais seriam eles?

Alessandro: São dois os paralelos principais: O homem querendo ser o criador, o mestre. A raça humana não é o centro das atenções no universo, não foi o 'marco zero' nem será a 'última batata do pacote'. O mundo existia tranquilo antes dos humanos e assim o continuará quando partirmos. Outro paralelo: a criatura não era nem de longe sinônimo de beleza, tirando como base os padrões pré-estabelecidos, por isso ela foi abominada. No mundo moderno o mesmo acontece: há a supervalorização da casca, independente do conteúdo. Os outros paralelos vamos deixar que o ouvinte descubra, afinal, esta é a grande aventura de se ouvir um disco conceitual.


Whiplash!: Algo muito relevante em "Soundtrack For A Closing Light" é a forma como vocês amarraram vários dos subgêneros pelo qual o rock pesado se dividiu ao longo das décadas. Considerando que há uma história a ser contada, houve critérios para a seção instrumental? Qual foi a parte mais difícil de todo o processo criativo?

Daniel: Eu não diria que houve 'critérios' propriamente ditos. O fato é que a maioria das canções chegava praticamente pronta aos ensaios. Apenas testávamos fraseados, levadas ou melodias e, se as mesmas soavam de nosso agrado, mantínhamos nas composições. Houve sempre muita liberdade de opinião enquanto compúnhamos as músicas, e posso citar as baterias do disco como exemplo: há dicas de todos os membros da banda na maioria delas, como em "Quieten My Anguish", onde o Lucas sugeriu um trabalho diferenciado de pratos. Posso dizer, com certeza, que esse diálogo entre os músicos envolvidos facilitou muito o processo. Tudo o que foi composto e executado no disco é resultado de uma amálgama gigante de influências de cada membro da banda, sendo que cada um deixou sua marca no disco de forma a atestar estas influências.

Alessandro: A dificuldade para mim foi trabalhar nas letras, pois não sou muito bom com as palavras. Gosto muito de compor (a parte musical). Prefiro sentar e compor do que ficar estudando técnica, depois eu desenvolvo um exercício para tocar o que compus. Na banda cada um tem uma particularidade, um ponto forte: acho que o meu é a composição.

Whiplash!: A gravação e mixagem também ficaram aos cuidados da própria banda, através da pessoa de Alessandro... Pois bem, agora que "Soundtrack For A Closing Light" chegou ao público, o Father's Face mudaria algo em sua criação, ou está plenamente satisfeito com o resultado final?

Alessandro: Eu não mudaria nada. Foi o melhor que pudemos fazer neste momento.

Daniel: Mesmo que existam erros e parâmetros que necessitem ser repensados de nossa parte, penso que os mesmos são necessários, pois são eles que nos proporcionam a chance de termos uma visão crítica imparcial de nosso próprio trabalho para, desta forma, melhorarmos.

Whiplash!: Vocês acreditam que a publicidade seja importante para o lançamento de um disco nos dias de hoje, ou um bom trabalho não precisa dela? Neste sentido, quais os próximos passos do Father's Face?

Daniel: Quando se está inserido num meio como o Heavy Metal, onde o que importa é a música e não pormenores como a roupa que se usa ou a simetria das faces, a melhor forma de se promover um disco é fazê-lo ser ouvido. Nesse sentido, não temos medido esforços para fazer com que mais pessoas tenham acesso à nossa música. Além de diversos sites que nos têm divulgado, temos nosso MySpace e nosso site oficial, onde as pessoas podem conferir todas as músicas e também comprar o CD. Temos obtido também o apoio de várias rádios, como Shockbox, Putzgrilla, Ipanema, A Ferro e Fogo, Comunitária de Frederico Westphallen, entre outras. Várias pessoas têm conhecido nosso som através dos meios supracitados. Porém, acima de tudo, queremos tocar, nos apresentar ao vivo onde quer que seja o máximo que pudermos. É ao vivo que provaremos nosso valor para as pessoas, é no palco que se mostra a que se veio.

Whiplash!: Até onde a banda se envolveu na concepção da ilustração de "Soundtrack For A Closing Light"? As informações visuais amarram muito bem a história e música...

Alessandro: O designer Marco Tornnelly trabalhou totalmente livre e fez um espetacular trabalho! Ele apenas nos pediu as letras das músicas e as pré-produções das mesmas e confiamos inteiramente no talento do Marco. Tínhamos visto alguns trabalhos dele em sua página (http://www.marcotornnelly.com.br/) e tínhamos certeza de que, quanto menos falássemos, mais tranquilo o Marco trabalharia. Deu certo!! O trabalho dele ficou irretocável!!!

Daniel: O mais interessante é que nunca nos encontramos com o Marco para definirmos como seria feito o trabalho. Tudo foi definido em uma reunião virtual com 2 horas de duração numa tarde de sexta-feira. Ele demonstrou ser um profissional extremamente talentoso, pois conseguiu absorver muito bem a atmosfera que as músicas transpiram e também que desejávamos para o álbum. A arte é sombria e dá força ao espírito amedrontador que a história de Mary Shelley incorpora.

Whiplash!: Aproveitando que estamos falando de projetos gráficos, tenho uma curiosidade acerca de sua demo... Quantos exemplares de "Father's Face" vocês confeccionaram, afinal? Creio que todo aquele trabalho artesanal simulando um antigo livro tenha exigido consideráveis esforços, não?

Daniel: Bom, acredite se quiser... Não sabemos ao certo quantos exemplares foram confeccionados, mas foram pouco mais de 30. A intenção era de produzirmos 50 cópias. Porém, como você próprio mencionou, aquela demo exigia um trabalho tão meticuloso que acabamos por não conseguir cumprir com essa meta, o que culminou na terrível verdade de que a própria banda possui apenas uma cópia daquele trabalho! Ou seja: quem a possui, guarde com carinho. Aliás, quem quiser vender, estou comprando!

Whiplash!: A minha eu não vendo!!! Bom, seu debut está chegando agora ao mercado, depois de anos de a idéia inicial ter nascido. Qual a sensação quando vocês pegaram a primeira cópia, lacradinha, direto da fábrica?

Daniel: Cara, a sensação é de dever cumprido. Mais do que isso, de estar segurando um filho nas mãos, algo que é fruto de muito trabalho e anos de dedicação a essa forma de vida que é o Heavy Metal. Não sei qual a cara que fiz quando peguei uma das cópias em mãos, mas vi um de meus colegas fazer isso e a expressão é a mesma de um pai que chegou na maternidade e viu o filho pela primeira vez através do vidro do berçário.

Alessandro: Pra mim é um marco inicial, a materialização de um sonho de adolescente. E o que mais me deixa alegre é olhar pra trás e ver que o Alessandro adolescente estava certo, 'siga seus instintos', eu pensava. Que bom que segui.

Whiplash!: Ok, pessoal, o Whiplash! agradece pela entrevista desejando boa sorte na divulgação de "Soundtrack For A Closing Light". O espaço é de vocês para os comentários finais!

Daniel: Nós que devemos agradecer pelo espaço concedido. Não vemos a hora de tocar novamente para encontrar o público, trocarmos umas idéias, tomarmos umas cervejas e batermos cabeça!

Alessandro: Como sempre digo, o Brasil será o país número um do metal no mundo. Levem fé nisso!!! Apoiem as bandas nacionais, comentem nos fóruns, acessem as páginas de bandas e sites especializados e façam o Movimento cada vez mais forte!!!! Obrigado por tudo!!! Nos vemos na estrada!!!

Contato:
http://www.fathersface.com.br
http://www.myspace.com/fathersface




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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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