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Meant To Suffer: individualidade como atrativo no Grindcore

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Por Ben Ami Scopinho
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Grindcore! Um estilo muitas vezes incompreendido até mesmo pelos chamados headbangers... Mas o Meant To Suffer veem se propondo a incrementar o estilo desde que liberou sua segunda demo, "Hiatus" (09), e cujas experimentações aparecem ainda mais fortes e maduras em seu debut, "Colony Collapse Disorder".

Natural de Araras (SP), o grupo está na ativa desde o início de 2007 e conta com Al (voz e guitarra), Louie (guitarra), Gus (baixo) e Rod (bateria). Após a audição de "Colony Collapse Disorder", o Whiplash! se sentiu na obrigação de conhecer seus criadores, num bate papo que resultou na entrevista abaixo:

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Whiplash!: Olá pessoal! O Meant To Suffer possui pouco tempo de estrada e está estreando agora em disco. Que tal uma breve biografia para o leitor se familiarizar com a banda?

Meant To Suffer: Iniciamos nossas atividades em janeiro de 2007 e, antes mesmo disso, todos já haviam participado de diversas outras bandas: o Al tocou no Hinfamy que esteve ativo de 1990 a 1997, entre outras; o Rod tocou no Brutal Butchery de Araras; o Louie tocou no Kingdon Of Maggots e o Gus tocou em uma banda Thrash da cidade chamada San Francisco.

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Meant To Suffer: Como Meant to Suffer, lançamos nossa primeira demo auto-intitulada em 2008, em 2009 lançamos a demo "Hiatus" e agora em 2010 nosso debut CD "Colony Collapse Disorder". Temos tocado bastante em nossa região e na capital (São Paulo) e agora visamos expandir os locais onde nossa música pode chegar.

Whiplash!: "Colony Collapse Disorder" procura ir além do tradicional Grindcore. Considerando que vocês estão liberando demos desde 2008, o quanto o Meant To Suffer progrediu desde então?

Meant To Suffer: Acredito que progredimos muito desde nosso primeiro lançamento, tanto musicalmente quanto na qualidade de nosso material. No começo nossas músicas soavam como o Grindcore mais tradicional e com o tempo fomos incorporando diferentes influências ao nosso som, ousando e experimentando.

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Whiplash!: Muitas pessoas afirmam que a música extrema se tornou clichê, com várias bandas iguais e sem nenhuma diversidade musical, mas a forma como experimentaram possibilitou que "Colony Collapse Disorder" soasse de forma muito interessante. O Meant To Suffer pode ser considerado como uma fonte de inovação? Quais suas influências, afinal?

Meant To Suffer: Não acho que sejamos fonte de inovação e nem a salvação do estilo. Nós apenas fazemos a nossa música da maneira que gostaríamos de ouvir música. Sem limites e sem medo de experimentar. Tudo que ouvimos hoje ou no passado acaba nos influenciando de certa maneira. Poderia citar diversos grupos, mas vamos a algumas que são unanimidade dentro da banda: Napalm Death, Neurosis, The Melvins, Converge, Mastodon e Black Sabbath, Rotten Sound, Nasum e Dillinger Escape Plan, entre outras.





Whiplash!: "Faun", ".38" e "Truce?"são exemplos bem sucedidos, espontâneos até, de sua proposta. Como funciona o processo de criação entre vocês?

Meant To Suffer: A espontaneidade faz parte do nosso estilo de compor. Não seguimos algum tipo de regra, alguém aparece com uma idéia e a desenvolvemos em conjunto. Todos opinam e criam em cima da idéia inicial até chegarmos a um consenso.

Whiplash!: Essa autonomia do Meant To Suffer, que proporciona certa musicalidade em meio a tanta barulheira... Como é a reação do público mais extremo, conhecido por ser mais radical?

Meant To Suffer: Apesar de todo radicalismo existente ainda hoje em dia, temos sido bem recebidos por diversos segmentos de apreciadores de música extrema. Pessoas que curtem Hardcore, Crust, Grind, Sludge, Metal extremo, enfim pessoas de cabeça aberta e interessadas em novidades e música feita com honestidade teem demonstrado interesse em nosso material.

Whiplash!: O Grindcore é um estilo considerado ‘maldito’. Mas, supõe-se que o mundo evoluiu nestas mais de duas décadas de seu surgimento. Vocês acham que as pessoas estariam agora mais preparadas para este tipo de música?

Meant To Suffer: Acho que nem é questão de preparo, mas com o surgimento e propagação da internet e a constante evolução da vida e das informações, as pessoas estão ávidas por novidades. A individualidade de um trabalho acaba tornando-se um atrativo a mais para o público. Penso que, independente do estilo de música que você faz, se for feito com profissionalismo e com o coração, o reconhecimento chegará.

Whiplash!: A música extrema geralmente tem o ódio e frustração como força motriz em suas letras. Mas e vocês na vida real? Acreditam num mundo melhor? Como acha que será o futuro do planeta?

Meant To Suffer: Somos pessoas normais, com ambições e decepções. A violência sonora que trazemos para nossa música é reflexo do mundo moderno, dos conflitos e contradições vividos por nós e por diversas pessoas em todos os lugares. Somos bem céticos quanto a um futuro ‘colorido’. A realidade é cinza, mas não vamos nos entregar e desistir de tudo.

Whiplash!: E as apresentações e planos para o futuro? Sei que tem como meta entrar em estúdio ainda neste ano... Como estão soando as novas composições?

Meant To Suffer: Exatamente. Ainda neste ano vamos entrar em estúdio e começar as gravações de nosso segundo trabalho, mas ele só deve ser lançado em 2011. As novas músicas seguem a mesma linha evolutiva que temos aplicado desde a primeira demo. Serão músicas extremas e ainda experimentais, mas usaremos a experiência do primeiro CD a nosso favor e faremos uma produção melhor ainda. Quanto às apresentações, não podemos parar. Continuamos com a divulgação de nosso trabalho e adoramos o palco, não dá pra ficar longe.

Whiplash!: Ok, pessoal, o Whiplash! agradece pela entrevista, desejando boa sorte ao Meant To Suffer. O espaço é de vocês...

Meant To Suffer: Nós é que agradecemos a você, Ben, a todos do Whiplash!, e também a todos que gastaram alguns minutos lendo nossas palavras. Foi uma honra pra nós. Aproveito para convidar a todos que ainda não conhecem nossa música para acessar nossa página no MySpace e acompanhar as novidades e datas de nossas apresentações. Mais uma vez, obrigado!


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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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