Rei Lagarto: "Depende do público a continuidade da cena!"

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Por Ben Ami Scopinho
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Natural de Campinas (SP) e tendo iniciado sua carreira no distante ano de 1991, não seria equivocado afirmar que o Rei Lagarto está passando por momentos de grande inspiração. Seu mais novo trabalho, "Oceans", é uma verdadeira prova de amor ao Rock'n'Roll, e quem acreditou na história que a banda não iria mais lançar discos físicos, se enganou redondamente!

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Fabiano Negri (voz, teclados e guitarra), Ivan Melo (guitarra), Yon Berry (baixo) e Ric Matos (bateria) passeiam com classe por vários dos segmentos do rock setentista, mesclando em seu Hard Rock muito Blues, algo do Progressivo e por aí vai. Para saber mais acerca deste álbum, o Whiplash! trocou umas idéias com Fabiano, que se mostrou extremamente otimista com a atual fase do Rei Lagarto.

Whiplash!: Olá Fabiano! Muitos ficaram satisfeitos pela decisão de liberarem um CD completo, ao contrário do EP, que era o que já estava programado... O que acarretou nesta decisão? Na realidade, até fiquei surpreso, pois em 2009 foi anunciado que, embora estivesse disponível a quem quisesse adquirir, o Rei Lagarto não mais lançaria material inédito em CD...

Fabiano Negri: As coisas mudaram após a saída do James Twin (antigo guitarrista). Nessa época eu tive várias idéias para novas músicas que, somado ao que a gente já tinha, dava pra fazer um CD completo. Toda a banda se mostrou empolgada com a idéia de fazer um álbum completo e lançá-lo em prensagem industrial (coisa que a gente não fazia desde o "Free Fall" de 2001). As coisas são assim mesmo... As vezes a gente tem um planejamento, mas acaba fazendo coisas diferentes de última hora. Esse é o lado bom de ser um artista independente.

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Whiplash!: Ainda que seus registros anteriores fossem muito bons, em "Oceans" vocês exploraram as mais diversas áreas do Rock Pesado. Como rolou seu processo de composição, afinal? Até onde o novo guitarrista Ivan Melo contribuiu em sua criação?

Negri: Em termos de quantidade eu sou o compositor mais prolífico da banda. Sempre apareço com algumas novas músicas. Gosto muito de compor e posso adiantar que já tenho músicas para pelo menos dois CDs completos. Com as facilidades tecnológicas de hoje eu posso sentar no PC e fazer tudo, tocando todos os instrumentos e programando as baterias. Sendo assim eu posso entregar para a banda a música bem próxima do que eu realmente imagino. Na hora de tocar com a banda cada um coloca sua pegada e rolam algumas idéias para novos arranjos. Na maioria das vezes eu faço a letra e a música, mas quando isso não acontece basta eu recorrer ao Yon (baixista), que é um excelente letrista e sempre tem uma boa letra pra mim. Aliás, nesse CD o Yon mostrou mais do seu lado compositor com duas excelentes faixas, "Too Close To The Light" e "La Belle".

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Negri: Quando o Ivan entrou, a maioria das músicas já estava pronta, então ele não participou do processo de composição. Em compensação, o deixamos totalmente à vontade para fazer seus arranjos e colocar seu estilo nas faixas.

Whiplash!: Porque a escolha em "Shall We Dance" virar um vídeo (bem sombrio, diga-se)? Ela consegue ser a faixa mais inusitada do Rei Lagarto, quase exótica com sua levada de Hard Rock e Tango...

Negri: Exatamente por esse motivo que escolhemos essa música, além do fato de ela ter uma ótima letra para ser ilustrada em clipe. Na verdade, quem primeiro chamou a atenção para o fato de "Shall We Dance" ser especial foi o Tony Monteiro (jornalista e crítico musical da Revista Roadie Crew). A partir daí eu e ele escrevemos o roteiro para o vídeo, que foi executado com grande êxito pelos excelentes profissionais do Studio Kaiowas.

Negri: O resultado tem sido bom e acho que, mesmo sendo a música mais 'esquisita' do CD, ela tem a cara do Rei Lagarto e uma melodia bem agradável. De qualquer forma, já estamos pensando no próximo videoclipe. Queremos divulgar esse CD da melhor forma possível.

Whiplash!: O áudio de "Oceans" possui uma nitidez e tanto! Vocês, como músicos e produtores, estão 100% satisfeitos desta vez? Sei que no passado vocês não estavam lá tão otimistas com alguns dos resultados da época.

Negri: Estamos muito satisfeitos, sim. Principalmente com a mixagem do Ricardo Palma. Esse cara trouxe nosso som para um outro patamar, tanto estético quanto em qualidade. Lógico que sempre queremos melhorar, mas acho que até o momento "Oceans" é o nosso trabalho 100%!!!

Whiplash!: O show de estréia de "Oceans" envolveu uma cuidadosa produção visual. Inclusive a fusão de imagens retratando o tema da nova canção "Mr. Mystery" ficou excelente, até mesmo perturbadora. Há planos de continuar usando estes elementos para as próximas apresentações?

Negri: Sim!! Gostaríamos de levar esse show para outros lugares. Infelizmente não é qualquer bar ou casa de show que suporte o que fizemos no TAO. Na verdade esse é um show desenvolvido para teatros, mas, dependendo do lugar, podemos fazer algumas adaptações para poder levar adiante o belo trabalho que o Tony Monteiro (direção) e o Joni Leite (produção visual) fizeram. Tenho certeza que todas as pessoas que assistiram ao lançamento se impressionaram com o nível da produção. E é esse tipo de show que o Rei Lagarto quer levar para a galera assistir. Se os produtores nos derem um mínimo de condições poderemos levar o show nesse formato para mais lugares e mostrar o tipo de profissionalismo que o Rei Lagarto quer dar para o público.

Whiplash!: E como está a agenda de shows? Considerando que a banda está quase completando sua segunda década, dá para sacar se está havendo uma renovação de seu público?

Negri: Estamos agendando shows para o interior de São Paulo e depois queremos partir para outros estados. Estaremos bastante ocupados nos próximos meses. A grande dificuldade em tocar em outros estados é que não sabemos as pessoas certas e nem conhecemos as casas de show para contatar. Então fica o convite: se você é produtor fora do estado de São Paulo e tem interesse em levar o show do Rei Lagarto para o seu estado, entre em contato pelo e-mail [email protected] e fale com nossa empresária Nara Leão de Almeida. Tá feita a propaganda! rsrsrsrsrs


Whiplash!: "Oceans" está chegando de forma independente. Como estão as negociações para que este disco consiga uma distribuição decente pelo Brasil e, quem sabe, em território gringo?

Negri: Estamos em negociação com algumas distribuidoras nacionais e acredito que em pouco tempo poderemos anunciar quem estará fazendo essa distribuição no Brasil. Temos negociações em andamento com duas distribuidoras européias. Se tudo der certo faremos o lançamento por lá ainda esse ano e em 2011 pretendemos fazer nossa primeira tour fora do Brasil.

Whiplash!: Ótima notícia, cara! Há tempos é conhecida sua decisão em, salvo raras exceções, não tocar sem cachê. Que conselhos o Rei Lagarto daria às bandas que não conseguem impor o devido profissionalismo perante a atitude desses 'produtores', tantas vezes incapazes de correr atrás de grana para o evento decolar?

Negri: Isso é bem complicado. Infelizmente a mentalidade de alguns produtores e de parte do público impede que bandas de excelente qualidade possam mostrar seus trabalhos com o devido reconhecimento. Produtores e donos de casas de show são comerciantes e precisam fazer dinheiro. As pessoas que frequentam os bares, na maioria das vezes, prefere assistir a uma banda cover ou tributo do que quem faz trabalho autoral. E é nessa realidade que o Rei Lagarto e tantas outras bandas de ótimo nível vivem. Se o público não mudar sua mentalidade e começar a consumir o som feito pelas bandas brasileiras, a situação ficará cada vez pior.

Negri: Pense bem, se você fosse um dono de bar, você pagaria o cachê para uma banda autoral que leva algumas pessoas para o bar ou para o Guns n' Roses cover, que é certeza de casa cheia?

Whiplash!: O Rei Lagarto está procurando acompanhar as tendências, vendendo suas músicas em sua própria homepage e em sites de distribuição. Como estão se saindo neste sentido? Pergunto por que, infelizmente, é notória a fama de o público latino-americano em não pagar quando pode simplesmente baixar. O pessoal sabe que está prejudicando o artista, mas parece não se importar...

Negri: Não é fácil... Temos um público fiel que nos acompanha sempre e que consome o material lançado pelo Rei Lagarto. Mas é muito difícil conseguir uma nova leva de pessoas que gastem dinheiro com bandas nacionais. De qualquer forma temos que encarar a realidade e trabalhar para sempre oferecermos o que existe de melhor para o público. É claro que não dá pra acompanhar bandas que tem incentivo de gravadoras ou 'filhinho de papai' que tem R$50.000,00 pra fazer um CD e contratar as melhores empresas de marketing pra fazer uma boa divulgação. Todos nós trabalhamos e tiramos grana do bolso para dar o melhor ao público. Quanto mais tivermos retorno, mais investiremos na nossa marca.

Whiplash!: Dito isso, e após todo esse tempo na ativa em um Brasil tão complicado, o que te mantém artisticamente interessado?

Negri: Eu sei que é um clichê, mas é o amor pela música. Adoramos compor, gravar e tocar ao vivo. Provavelmente nunca deixaremos de fazer isso. È claro que gostamos de receber um feedback positivo do público e da crítica, mas em primeiro lugar fazemos tudo pelo prazer pessoal de termos essa banda. O Rei Lagarto já deu muitas alegrias e algumas tristezas pelo caminho. Na hora que o Rei Lagarto faltou nas nossas vidas (a banda encerrou as atividades em 2004 e voltou em 2007) sentimos muita falta. Temos um time de pessoas muito empenhadas em fazer o melhor por essa banda e é isso que a gente quer!!! Eu e o Yon já passamos por muitas coisas desde o lançamento do "Overdrive" (1998), conquistamos coisas que nunca imaginamos conseguir. Podem ter certeza que gente não vai desistir!!!

Whiplash!: Uma curiosidade final... "Endless Fall" é uma canção que surgiu na última hora e acabou por não fazer parte do repertório de "Oceans". O público terá acesso a ela?

Negri: "Endless Fall" está no CD. Ela só mudou o nome para "Paradise Lost". Essa letra é do Yon e ele disse que o nome "Paradise Lost" era uma definição melhor para o conteúdo da letra. Temos uma música que não entrou no CD e que se chama "While The City Sleeps". Ela se tornou o b-side do single de "Shall We Dance" e pode ser ouvida com exclusividade no nosso MySpace oficial, www.myspace.com/reilagartooficial .

Whiplash!: Ok pessoal, o Whiplash! agradece pela entrevista, e espero um dia vê-los tocando aqui pela região sul. O espaço é de vocês!

Negri: Opa!! A gente é que agradece por ter esse espaço num site com a visitação do Whiplash!. Muito obrigado por darem espaço para bandas que fazem um trabalho autoral sério!! E com certeza estaremos na região sul divulgando o "Oceans".

Negri: No mais eu peço para a galera que consome e curte Rock, Hard Rock, Heavy Metal ou qualquer tipo de música, que dê valor para o artista nacional. Não é fácil levar esse sonho pra frente no Brasil e só depende do público a continuidade ou o extermínio dessa cena. Temos bandas dos mais diversos estilos com trabalhos maravilhosos e que algumas vezes passam em branco. O Rei Lagarto agradece muito pelo que tem, mas quer crescer ainda mais. Algumas bandas estão começando agora, mas merecem uma ouvida!!! Antes de deletarem um e-mail de propaganda de banda, primeiro ouça e tire suas conclusões. Caso contrário você pode estar deixando passar uma puta sonzeira!!!! Um abraço para todos!

Contato:
http://www.reilagarto.com
http://www.myspace.com/reilagartooficial




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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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