Richie Sambora: "Para nós o rock é um esporte de contato"
Por Márcio Alexsandro Pacheco
Fonte: Freep
Postado em 21 de março de 2010
A matéria abaixo foi publicada originalmente no Freep
Poucas bandas conseguiram permanecer na ativa como BON JOVI.
Quase três décadas depois de iniciar nos bares de New Jersey e dominar o fim dos anos 80, o grupo continua como uma das atrações mais procuradas.
Depois de um deslize no início dos anos 90 - temporariamente deslocados devido ao surgimento do grunge e rock alternativo - o grupo voltou ao status de Superstar com uma série de álbuns recordes de vendas e shows lotados. Seu último álbum é "The Circle", que apresenta um novo palco.
O guitarrista da banda, Richie Sambora, teve uma conversa bem descontraída com Free Press na semana passada, durante uma pausa nos shows da nova turnê.
Confira abaixo a entrevista com Richie Sambora,que falou sobre composição de músicas, seus status como guitarrista e a longevidade da banda:
A banda acabou de terminar de fazer a passagem de som e o show começará em 2 horas. Depois de todos esses anos, você ainda fica nervoso na preparação para subir ao palco?
Richie: "É empolgação na verdade e não nervosismo. Nesta turnê em específico a gente quer se certificar de fazer tudo completo. Nós temos 15 discos com tantas músicas boas a serem escolhidas. Antes da turnê, Jon (Bon Jovi) enviou uma lista para todo mundo, com 70 músicas nela... Você tem que manter as coisas revigorada, e nós tentamos colocar novas músicas no repertório toda noite, aceitando pedidos pelo nosso site. Temos um repertório diferente toda noite".
O novo álbum permitiu que seu trabalho com a guitarra voltasse a ter um papel mais proeminente. Como você acha que seu jeito de tocar mudou com os anos?
Richie: "Honestamente, há muitos bons guitarristas por aí, mas não são todos que compõem. Eles são caras mais técnicos. Como eu sou compositor, eu escolho como será a música. Com 'The Circle', é um disco muito orientado por guitarra. Eu tive que forçar um pouco, ser um pouco mais técnico. Você cresce com a música que escreve".
O processo de composição com Jon é diferente atualmente?
Richie: "Para nós é muito simples - duas guitarras, um piano e vocais, e nós dois em um quarto se concentrando... Não poderíamos ter composto este álbum em outro momento da nossa carreira. É sobre como as pessoas reagem às mudanças. Não é um disco político, mas com o presidente Obama sendo eleito, fomos capazes de compor 'Work for the Working Man', 'When We Were Beautiful', 'We Weren't Born to Follow'... Nós nos mantemos conforme o que está acontecendo no mundo. 'Living on a Prayer' - tem um aspecto social que tem mais importância lírica agora do que naquela época. Então nós temos músicas que transcederam épocas e gerações de fãs, de verdade".
Quando vocês acabaram de compor "Living on a Prayer" vocês tinham noção de que seria uma música que ainda seria relevante um quarto de século depois?
Richie: "A gente nem pensou nisso. Quando fizemos 'Slippery When Wet', a gente sabia que havia feito as melhores músicas da nossa carreria. Nós pensamos, 'OK, legal, a gente vai poder fazer muito show, talvez vender uns dois milhões de álbuns'. ... Mas veja só, 17 milhões de discos depois, 'Slippery' foi um fenômeno. Fizemos turnê de 16 meses e se tornou o nome da casa. Em uma coisa a gente acertou, a gente continuou verdadeiro. Você não pode mudar conforme as tendências. A gente segue nosso próprio caminho de evolução, como uma banda".
Falando em perseverância, como você se prepara para uma turnê dessas? Até mesmo fisicamente, é um grande investimento.
Richie: "Estamos em forma. A gente malha; temos o quiroprático de Oscar De La Hoya (pugilista) conosco. Estamos olhando para basicamente 18 meses na estrada. Quem pode fazer isso agora, quem pode sair em turnê por tanto tempo e ainda vender todos os ingressos? Nossa última turnê foi a mais lucrativa do mundo".
Você se preocupa em não se deixar cair na rotina? Afinal de contas, estamos falando de rock.
Richie: "Para nós o rock é um esporte de contato. É sobre o contanto do artista com o público. Este tipo de comunicação e empolgação ainda existe. E para caras como nós, está no nosso sangue... A gente é... muito abençoado por ainda estarmos fazendo música relevante. O fato de Jon e eu ainda escrevermos músicas que ainda tocam as pessoas, com discos ainda estreando em No. 1 - é muito empolgante. Estamos alcançando muita coisa boa, e isso nos encoraja a se empolgar".
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