Suicidal Tendencies: histórias contadas por Bob Heathcote

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Por Karina Detrigiachi, Fonte: Blabbermouth, Tradução
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Bob Heathcote, baixista da formação original do SUICIDAL TENDENCIES, recentemente concedeu uma entrevista na qual entre outros assuntos, revelou quais foram seus melhores e piores momentos no grupo. Abaixo seguem alguns trechos da conversa:

Como você entrou para a banda?

"Eu e o Amery Smith estudávamos juntos em Westchester, Califórnia. Lembro-me de uma das primeiras vezes em que toquei com o Amery: depois da escola eu entrei num ônibus público com o meu baixo e um amplificador pequeno, empurrado no meu skate, indo para a casa do Valor em Playa Del Rey. Na época, ele tocava com o kit de bateria da sua irmã. Nós tocamos juntos por um ano, uma vez ou outra com Rick Battson e outros guitarristas.

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Depois que o Amery se juntou ao SUICIDAL TENDENCIES e gravou o primeiro álbum, eles foram pra estrada. Daí eu viajei um pouco com ele e com a banda como engenheiro de som. Profissionalmente, eu fazia sons ao vivo, aparentemente eu mais ajudava na parte técnica de várias bandas de Los Angeles do que tocava o meu baixo.

Meu primeiro show de verdade como engenheiro de som foi o grande show no Auditório do Olímpico, onde o SUICIDAL TENDENCIES foi a banda principal com o RED HOT CHILI PEPPERS e muitos outros. Esse show foi como um despertar pra mim e minha introdução à cena punk. Quanto à minha própria música, eu gostava de tocar com o Amery e com o Battson Rick mas nunca fiz nada profissionalmente. De verdade, nunca tentamos fazer nada, exceto por praticar naquela garagem velha. Nós parecíamos estar sempre à procura de um vocalista para nos dar uma direção.

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Mais tarde, embora eu não me lembre como nos conhecemos, eu comecei a tocar muito com o Rocky George em uma banda cover tocando músicas do SCORPIONS, JUDAS PRIEST e MOTÖRHEAD. Rocky inspirou-me, porque ele não tocava apenas rock/metal. Ouvimos muito jazz e fusion e FRANK ZAPPA. Toquei muito com o Rocky, juntamente com o Sterling Rodrigues na bateria. Um dia eu ouvi que o SUICIDAL TENDENCIES estava procurando um novo guitarrista para o seu segundo álbum e eu disse ao Rocky que ele deveria participar da audição. Poucos dias depois Rocky estava na banda.

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Logo depois o Amery Smith e o Todd Moyer estavam fazendo esse projeto chamado UNCLE SLAM e eu trabalhei com eles por cerca de seis meses fazendo a pré-produção para o álbum. O Mike Muir ouviu nossa fita e nos fez um contrato de gravação. Fiquei muito feliz por finalmente chegar a ter uma chance para eu gravar em um estúdio real. Mas, então, apenas alguns dias depois Rocky me chamou e perguntou se eu estava interessado em tocar com o SUICIDAL TENDENCIES pois o Muir queria demitir o Louichi. Eles deveriam iniciar a gravação dentro de dois dias.

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Os dias no estúdio estavam reservados, e eu tive que tomar uma decisão imediata. Eu disse ao Rocky que eu estava interessado em aprender mais e ele disse que eu tinha que falar com Muir. Na época eu tocava baixo durante a noite, mas eu também ajudava a minha família com um dia ‘normal’ de trabalho. Eu era casado e tinha uma filha (que agora está casada) então eu tinha que obter mais detalhes com o Muir e ter a certeza que ele ia ser capaz de pagar o suficiente para minha família. Aqui eu estava em uma encruzilhada onde eu nunca tinha visitado, nunca gravados, e eu teria de recusar o emprego dos meus sonhos, se não houvesse dinheiro o suficiente. Eu não poderia deixar minha família sem-teto, enquanto eu caia na estrada. Então eu tive que falar com Muir.

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Fui ver o Muir, onde ele morava, na loja de skate "Streets of Venice" em Lincoln, e me sentei com ele no quarto no andar de cima que é o mesmo que você vê no vídeo de ‘How Will I Laugh’. Conversamos por umas três ou quatro horas. Ele disse que poderia me pagar (apenas) o suficiente, mas ele parecia arrasado e por isso realmente queria tirar o Louichi Mayorga da banda. Ele continuou a me explicar porque Louichi tinha que sair, algo com o qual eu realmente não me importava! Eu só queria ouvi-lo dizer: ‘Você é o novo baixista do SUICIDAL TENDENCIES.’ E finalmente ele disse. Ele estava muito estranho e algo do qual nunca vou me esquecer é de ter encontrado o Louichi esperando nas escadas quando eu sai do quarto. Alguém deve tê-lo chamado e dito que eu estava tendo uma conversa particular com o Muir. Louichi me perguntou o que havia acontecido lá em cima, e eu disse a ele ‘Bem... eu estou na banda, e você está fora.’ Eu fui o primeiro a contar pra ele. Ainda me arrependo de ter feito daquela forma. Ele sempre foi ralmente muito legal comigo, mas eu não queria mentir pra ele. Eu só não sabia mais o que dizer."

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O SUICIDAL TENDENCIES sempre esteve associado a gangues, mas teve algum momento no qual realmente houve uma conexão direta com elas?

"Eu nunca fui briguento e odeio violência. Até onde sei, nunca vi um membro de uma gangue na banda, nunca. Nem no estúdio de gravação, nem no camarim em nenhum show, ou em qualquer outro lugar. Talvez eu não estivesse prestando atenção. Claro que enquanto eu estava na banda, de março de 1998 a fevereiro de 1989, nós nunca tocamos no sul da Califórnia pois eles já haviam sido proibidos. Contudo, logo quando voltamos pra casa da turnê pelos EUA, eu fui na Streets of Venice onde o Muir morava e encontrei o lugar destruído, coisas quebradas para tudo quanto é lado. E pior, o Muir apanhou tanto que mal podia se mexer. Quando eu perguntei o que havia acontecido, me disseram que o Muir contou em uma entrevista para a MTV que os ‘The Gang Suicidal era mais um clube de bicicleta do que uma gangue’, daí alguém ficou do lado de fora esperando ele voltar e o atacou. Ainda me pergunto se a história é verdadeira."

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Qual foi o melhor momento que você teve com a banda?

"Quando Mike me disse que eu estava na banda e me disse qual era o horário para encontrá-lo no estúdio no dia seguinte, eu estava muito feliz, especialmente porque minha esposa me apoiou, mesmo se isso significasse alguma dificuldade para nós. Eu e o SUICIDAL TENDENCIES fizemos alguns grandes shows pela Europa e pelos E.U.A, e alguns realmente ruins também, onde não havia nenhum fã porque alguém havia acabado com a divulgação do evento. Os melhores na Europa foram provavelmente, o show em Paris e Milão, o último acho que no clube Rolling Stone. Eu estava muito doente mas lembro que os fãs eram tão incríveis que eu me esforcei ao máximo por eles.

O show no The Royal Academy em Londres foi ótimo também: um palco enorme e muitos fãs. Holanda e Bélgica foram excelentes. O Mike Clark foi meu colega de quarto por quase um ano inteiro nos hotéis. Nós nos demos muito bem, tocávamos muito e falávamos sobre os projetos futuros. Era a primeira turnê profissional para nós dois e nos divertimos muito juntos. Me arrependo de não ter mantido contato com ele após eu ter saído da banda."

E o pior momento?

"Um ponto mais baixo com certeza foi quando o empresário me ligou e disse que meus serviços não eram mais necessários, especialmente porque estávamos prestes a começar a trabalhar em um novo álbum e eu queria compartilhar minha ‘voz de baixo’ que Louichi fazia e que mais tarde o Robert Trujillo faria. Outra lembrança ruim: eu realmente me senti mal por ter metido o roadie de bateria em confusão quando aterrisamos no aeroporto de Heathrow o que fez com que ele fosse deportado de volta para os EUA e perdido toda a turnê européia. Depois eu entendi que eu ele estava tentando entrar no país como turista sem permissão de trabalho e eu ficava chamado o nome dele para fora da alfândega, o que fez com que começassem uma investigação. Se alguém tivesse me avisado a tempo, isso nunca teria acontecido.

O pior show foi provavelmente em Belfast no qual os fãs cuspiam na gente para mostrar sua aprovação. Houve, naturalmente, também uma ameaça de bomba, e o hotel era como uma cena de um filme de guerra com disparos e obstáculos na calçada para impedir que alguém levasse um carro-bomba até o hall de entrada. Todos os shows na Alemanha foram horríveis, porque o promotor deu o fora e ninguém sabia que nós estávamos mesmo lá. Isso foi doloroso. E nós tínhamos uma série de datas agendadas na Alemanha. Ainda bem que a cerveja era boa".

O artigo completo (em inglês) está no link abaixo.

http://stillcyco.wordpress.com/

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Sobre Karina Detrigiachi

Designer, nascida na cidade de São Paulo, Kari como é mais conhecida, cresceu ouvindo Deep Purple, Led Zeppelin, Skid Row e Alice Cooper. É apaixonada por todas as vertentes do Metal, porém ouve de tudo um pouco sem se prender a rótulos.

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