Narnia: entrevista exclusiva com Gérman Pascual

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Por Marcus Vinicius Leite
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O NARNIA (nome inspirado por CS Lewis em As Crônicas de Nárnia), banda de origem sueca que tem como tem como inspiração o neo-classismo adotado em seus álbuns "Awakening"(1998), "Long Live the King" (1999), "Desert Land" (2001), "The Great Fall" (2003), "At Short Notice... Live in Germany" (2006), "Enter the Gate" (2006) e "Decade of Confession" (2008), surpreendeu a todos com a noticia de que Christian Liljgren Rivel, deixaria o cargo. Em comum acordo decidiram a saída do vocalista-fundador, após doze anos de permanência na mesma. O motivo alegado por Christian de sua decisão em deixar o NARNIA era de que este gostaria de se dedicar inteiramente ao seu projeto solo, o AUDOVISION.

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Tudo isso acabou deixando fãs ao redor do globo terrestre sem notícias. "Será o fim da banda?" "CJ Grimmark assumirá os vocais?". Perguntas como estas eram vistas com freqüência em sites de relacionamentos ou em fóruns ligados à banda. A cada dia, uma nova notícia.

E não demorou muito para que tudo pudesse voltar ao normal no ambiente do grupo sueco. Após testes e audições, os remanescentes, Carl Johan Grimmark (backing vocal e guitarra), Andreas Johanson (bateria e percussão) e Andreas Olson (baixo) escolheriam uma figura surpreendente: trata-se de Gérman Pascual, uruguaio, que morou 16 anos no Rio de Janeiro, e mudou-se para a Suécia. Antes de ingressar no NARNIA, o "brasiguaio" ou "Uruleiro" já passou por MIND'S EYE e MENDEZ, tendo como começo, a bateria. Os fãs esperavam uma "cópia de Christian Liljgren", mas ao ouvir o último CD, "Course of Generation" (2009), todo aquele clima em volta do NARNIA simplesmente some ao apertar o play na 1ª faixa do CD.

German, muito solícito, me concedeu uma entrevista via internet no dia 19 de novembro, que na verdade se tornou um papo agradável sobre novos rumos, carreira e, claro, NARNIA.

Como se consolidou sua entrada no Narnia?

German Pascual: "Bom, foi um amigo meu que me contou que o Christian Liljegren tinha saido do Narnia e que o resto da banda estava procurando um novo vocal. Depois fiquei sabendo desse mesmo amigo que eu tinha sido indicado por ele. Eu já tinha um pouco de contato com o baixista então a gente se falou por celular e acabamos marcando um encontro. Eles já tinham meu material... O CJ (guitarrista do Narnia) me contou depois que eles já tinham me espionado, antes mesmo de eu ter recebido a novidade".

Conte-nos sobre suas experiências anteriores à frente do MIND'S EYE, MENDEZ

German Pascual: "No começo de carreira musical eu era baterista, mas graças a Deus me pediram pra eu começar a cantar (risos). Eu nem sabia que sabia cantar até esse dia. Com o Minds Eye a coisa começou a ficar séria. Muitas resenhas positivas do nosso trabalho. Fui mencionado na maior revista de rock daqui da Suécia bem novinho. Eu sentia um pouco de medo da fama pra dizer a verdade... A coisa estava indo pra frente muito rápido, eu nao estava maduro o suficiente pra isso, tanto que no Minds Eye eu acabei deixando a banda porque estava muito afim de cantar outras coisas também. Não só Metal algo como o Soul (que gosto muito!). Logo após eu me mudei da Suécia, estava a fim de conhecer outras coisas, viajar... sei lá, meio sem rumo".

O que mudou de lá até o lançamento do Course of Generation, 1º CD contigo nos vocais?

German Pascual: "Irmão... Tudo mudou! (risos) Eu sempre quis cantar em uma banda como Narnia. Especialmente com esse novo material do CD que realmente faz mais o meu estilo e gosto! Narnia pra mim é realmente uma banda maravilhosa! Estou super feliz e agradecido a Deus por me posicionar lá. O pessoal é muito massa... Tornamos-nos grandes amigos bem rápido. Confio em todos eles plenamente! É realmente como uma família, Não tem como comparar as outras bandas onde cantei. Eu também mudei muito, tanto na minha forma de cantar como forma de viver, estou mais calmo, tenho ainda mais vontade de cantar e compor material com eles... Aliás, com o CJ que escreve a maioria das músicas. Já estamos pensando no material do próximo CD, não vejo a hora!"

Você também compõe não é? Como aprendeu a cantar?

German Pascual: "Sim, nesse último CD eu fiz parte de três músicas: 'When the stars are falling', 'Miles away' e 'Behind the curtain'. Eu fiz as melodias e um pouco de cada letra. E neste CD, minha voz mudou muito. Antes eu cantava metal puro, agora eu tenho misturado muitos outros elementos na minha forma de cantar. Tenho certeza que no próximo CD isso vai ficar mais claro. Aos 19 anos fui tomar minha primeira aula de canto e só tomei duas aulas... Na segunda esse meu professor que é um cantor muito famoso daqui da Suécia me disse que não ia me dar mais aulas justamente porque não tinha mais o que ensinar pra mim. Na época, achei isso muito chato. Ele só disse que o precisava naquele momento era de um agente. Tenho aprendido a tomar meu próprio caminho tecnicamente... Gosto de cantar de varias formas... Eu imitava Ópera quando era criança (risos), mas se eu tenho algo de técnica é tudo acidentalmente".

Houve uma boa receptividade por parte dos fãs? O que mudou no ambiente da banda?

German Pascual: "Bom, só sei que nos divertimos muito juntos, tanto dentro como fora de palco! Acho que muita gente gostou da mudança, claro que também existe o time dos 'do contra'. Eu sei que não tem como deixar todo mundo satisfeito. Mais a grande maioria pelo menos o que eu tenho lido se curtem bastante o 'novo Narnia'. Acho muito legal que o pessoal do Brasil tem acompanhado a gente e eu digo que meu coração é brasileiro! Espero em breve ir pro Brasil com a banda... e pretendo fazer alguns workshops em algumas cidades do Brasil. (German fala sobre a mudança no visual das capas do Narnia, representados por um leão) O lance do leão foi algo que eles já estavam planejando há um tempo, nisso eu não influenciei em nada que eu saiba".

De quem foi a idéia do web designer brasileiro, Carlos Barbosa (Art Side Design) fazer a capa?

German Pascual: "Foi minha, claro! Eu na verdade queria que o CD fosse bem mais brasileiro do que é. A gente tinha planejado que ia fazer uma versão em português de uma das músicas, mas devido a atrasos a gente teve que deixar essa idéia pra outra vez. Eu acho que é melhor não falar nada pra não deixar ninguém com vontade (N. do Editor: Insisto em saber qual seria, porém... sem sucesso!), depois vai vir alguém cobrando a versão (RISOS). Você sabe como é. Mas a idéia continua. Espero que pro próxima saia".

Foi dicficil se adaptar aos vocais do Narnia?

German Pascual: "Nem um pouco. Acho bem agradável cantar as músicas antigas. Claro que eu canto elas da minha própria forma. Não sou do estilo papagaio. Eu e o Christian temos vozes diferentes. Eu canto um pouco mais agressivo que ele, que tem mais voz de seda empostada.

Sem contar que Christian tinha um acento britânico fortíssimo, já você é mais "maleavel" no idioma...

German Pascual: "Maleável? Isso é bom? (risos)"

Maleável no sentido de versatilidade, você não tem acento britânico...

German Pascual: "Não, realmente, não tenho. Tenho mais acento australiano. Eu gosto muito do acento britânico, mas como meu inglês é mais pro americano fica desse jeito aí mesmo".

German, foi vinculado recentemente a sua participação no SoulSpell Metal Opera, inclusive com uma declaração de apoio de Heleno Vale, dizendo que "sua participação abrilhantará o trabalho e abrirá portas para vocais em português na Europa. Conte-nos a respeito do projeto.

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German Pascual: "O Heleno me convidou. Aliás, foi através do Lean Van Ranna (que na época era o vocalista da banda Menahem). Foi ele que me indicou. Não quero revelar quantas músicas vou cantar, mas posso dizer que nesse projeto tem muita gente competente além de ter pessoas maravilhosas! Em breve vão ser revelados outros nomes internacionais que também farão parte do projeto".

Há também uma participação sua no ALBRA, intitulado "Anjos Sem Asas". Conte-nos a respeito.

German Pascual: "Foi o Marcelo (Barbosa) do Almah que me convidou. Logo apos o Alan me contatou e em breve vou gravar uma das músicas em português! Vai ser muito legal cantar metal em português! Vou tentar não fazer nada muito 'estrangeiro'!"

Por falar em Metal em Português, o que tens escutado ultimamente das Terras Brazucas?

German Pascual: "Eu me amarro muito no metal do Brasil! Gosto de Oficina G3, Menahem, Angra, Pastore, Hangar... Muita coisa boa mesmo! Aliás, o novo do Oficina G3 me surpreendeu muito!! Me amarrei! Sou muito fã. Quem sabe nossos caminhos não se cruzem?"

Como fica a agenda da banda com tantos projetos paralelos?

German Pascual: "Até agora não temos tido nenhuma dificuldade de desenvolver projetos paralelos sem que isso venha dificultar o processo de desenvolvimento do Narnia. Sabemos planejar isso bem. Narnia sempre estará em primeiro lugar. Projetos sempre serão só projetos. Mesmo que seja muito divertido fazer coisas diferentes também. Agora o CJ vai gravar um CD com a nova banda Fullforce que tem algums ex-membros da banda Hammerfall. E Andreas Olsson Passmark está tocando e acabou de gravar o novo CD do Royal Hunt. Eu futuramente tenho outro CD que vou gravar com outra banda, mas justamente agora não posso revelar ainda... (risos). (Nota do autor: Mais uma vez, Gérman faz questão de aguçar a curiosidade...)"

Creio que a maioria dos fãs da banda esperava um clone de Christian, alguém que fosse segurar os tons altos (agudos ) como é o padrão do Narnia, mas ao começar a ouvir logo a primeira música, a maioria pode ter levado um susto... Conte nos como foi à produção do "Course of Generation".

German Pascual: "Bom... Eu acho que se a gente for comparar a composição do novo CD com os antigos dá pra perceber que as músicas estão bem mais agressivas. O pessoal queria um vocalista que fizesse as partes de tons altos, mas também mais graves. Eu realmente não tenho nada haver com o Christian, só o penteado mesmo (ambos cultivam a máquina zero!). A produção com a banda foi muito boa. Tudo fluiu sem problemas. Era como começar do zero. Novas músicas, novo estilo, novo vocalista. Muita coisa mudou. Por isso acho que ficou sendo mais fácil de substituir o Christian porque na verdade não é bem a mesma banda. Se fosse continuar no neoclassicismo talvez fosse mais difícil e mais comparações teriam sido feitas".

Vamos fazer agora um bate-pronto com a tua opinião sobre as músicas do "Course of Generation":

"Sail around the World"

German Pascual: "Agressivo... Uma das melhores do CD ao meu gosto.

"When the stars are falling"

German Pascual: "Meu Primogênito! Foi a primeira canção que fiz com Narnia".

"Course of a Generation"

German Pascual: "Essa foi um desafio... Ela é mais trash.... Gosto muito de como ficou".

"Scared"

German Pascual: "Essa foi a primeira música a ser apresentada. tem a melodia que na verdade foi feita pelo Christian... gosto do texto dela demais".

"Kings Will Come"

German Pascual: "Também tem um ótimo texto que está muito atual. Impactante!"

"Rain"

German Pascual: "Rain é a música Rock n roll do CD. Suave e ao mesmo tempo agressivo. Belo refrão".

"Armageddon"

German Pascual: "Essa é porrada mesmo! (risos) Curti muito gravar as vozes dessa música! O nome já diz tudo, a letra porém, não é muito agradável (risos)".

"One Way to freedom"

German Pascual: "Uma das minhas favoritas. Gosto da mistura de vozes de suave pra bem agressivo. Bem teatral. Também com uma bela letra dentro do contexto do CD".

"Miles Away"

German Pascual: "Essa é bem especial. Tem algo de diferente nela que as outras não têm. Não sei bem dizer o que é..."

"Beyond the curtain"

German Pascual: "Acho que é uma das favoritas dos ouvintes. Estou muito satisfeito com as melodias dessa música! Hit warning!"

Deixe uma mensagem aos fãs brasileiros do Narnia!

German Pascual: "Quero agradecer pelo carinho e apoio que tenho recebido de todas essas pessoas maravilhosas do Brasil! Fico realmente muito contente de receber tanto feedback positivo de vocês!! Deus os abençoe e espero em breve poder estar tocando aí no Brasil! Vai ser o máximo!"




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Sobre Marcus Vinicius Leite

Tentou ser guitarrista e baixista e viu que não era tão simples fazer acordes como o Malmsteen. Jornalista, trabalha em duas empresas ligadas à comunicação diária e se aventura na escrita e no trombone. Também escreve roteiros e assessora uma companhia de comédia.

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