Paul Di'Anno: ex-vocalista da donzela diz que odeia gravar
Por Eduardo Alves
Fonte: Vue Weekly
Postado em 12 de setembro de 2009
Eden Munro da Vue Weekly realizou recentemente uma entrevista com o ex-vocalista do IRON MAIDEN Paul Di’Anno. Alguns trechos podem ser conferidos abaixo.
Vue Weekly: Existem vários vídeos com você e outras bandas no YouTube, e uma coisa que se mantêm consistente em todos eles é que você dá tudo de si em cada música.
Di’Anno: "Bom, se você vai fazer o trabalho, faça direito. Não vale a pena se segurar. Nunca fiz isso em minha vida – até nos ensaios eu canto tão forte quanto sobre o palco. O lance é, todos os dias há algo que te deixa puto e não importa quem você é. Algo vai realmente te tirar do sério ao longo do dia, então canalizo tudo isso e ao invés de dar um soco ou gritar com alguém, faço isso no palco. Livro-me disso e é como terapia".
Vue Weekly: Em relação a sua própria música, "The Living Dead" de 2006 foi seu mais recente lançamento?
Di’Anno: "Sim, nós o relançamos. Era chamado de 'Nomad' e foi lançado em 2000, e saiu na Europa como 'The Living Dead' porque nós fizemos um vídeo para a coisa. E quando o Megadeth estava se separando – aparentemente – a gravadora nos perguntou se gostaríamos de fazer um tributo a eles, tipo uma música tributo, então nós gravamos 'Symphony of Destruction' e gostamos, e Dave [Mustaine] também gostou e então dissemos, 'OK, foda-se, vamos colocá-la no álbum como faixa bônus para o relançamento na Europa'. Nem sei como nos saímos por lá, não faço a mínima ideia. Tudo que me deixou feliz foi quando estávamos gravando o álbum e gravei todas as minhas partes em todas as faixas duas vezes em dois dias das 6 às 12 e fiquei, tipo, 'Yeah, ficou bom'. Fiquei realmente feliz com isso – fui para casa com meus filhos e voltei duas semanas depois para as mixagens".
Vue Weekly: Você gosta de gravar rápido assim?
Di’Anno: "Porra, odeio gravar. Oh, Deus, como posso extravasar tudo que escrevi, algo nervoso ou sei lá, rodeado de quatro paredes, sem público, nem nada? Acho muito difícil tirar os sentimentos de mim, então tento ficar ligado e puto e entro no estúdio, entro com tudo. Como já disse, quando fizemos 'Nomad', gravei as primeiras faixas às 6 e acabei o álbum às 12 – todas as faixas mais os backing vocals, e fiz isso novamente no dia seguinte e disse 'Ah, foda-se, já chega. Se você não consegue tirar nada disso então deixa quieto'".
Vue Weekly: Quando você tem que entrar em um lugar como esse, seria difícil ficar dois meses em estúdio.
Di’Anno: "Oh, metade dessas bandas fazem isso. É isso que me desaponta. Não é sobre o dinheiro. Algumas bandas entram lá, o vocalista entra e canta duas linhas ou quatro palavras. Oh, Deus, eu provavelmente estaria preso por assassinato porque atiraria no produtor por demorar demais. Ficaria louco, não conseguiria lidar com isso. Você perde todo o feeling, toda a energia. Entendo que músicos devem levar mais tempo, mas não toco nenhum instrumento nos álbuns – escrevo as músicas, mas não as toco em estúdio – apenas canto. Não conseguiria fazer isso cara, ficaria louco".
Vue Weekly: Você está trabalhando em alguma coisa?
Di’Anno: "Gravamos cinco faixas na Alemanha no ano passado – algo muito industrial – mas tivemos algumas discussões com a gravadora e mandamos todos à merda, basicamente. Então guardei as músicas e um amigo meu de Salisbury no sudoeste da Inglaterra, onde estou no momento, acabou de me dar 16 partes de músicas então quando tiver um tempinho, vou embora e ver o que consigo fazer com elas".
Vue Weekly: Você está em carreira solo há mais tempo do que ficou no IRON MAIDEN, mas aqueles dois primeiros álbuns passaram pelo teste do tempo e são uma boa base para sua carreira.
Di’Anno: "Ah sim. Acho que esse ano ou o próximo é o aniversário do primeiro álbum e parece que ninguém vai fazer nada para comemorar, o que é uma pena, realmente. Não quero fazer muita coisa, mas de vez em quando, você olha com outros olhos e alguns dos fãs dos dois primeiros álbuns do MAIDEN, alguns dos fãs mais jovens, nunca me viram cantando essas músicas, ou apenas ouviram algumas das minhas versões das coisas do MAIDEN que inserimos nos set lists, que são mais pesadas e rápidas do que as originais, então seria interessante. Sempre digo nunca mais, nunca mais, sobre as músicas do MAIDEN que coloco no meu set list, e então, quando subo no palco e vejo como os fãs as adoram, tipo, 'Oh, merda, nunca vou me livrar dessas músicas, elas terão que ficar para sempre'. Mas então, não devo eliminá-las porque elas me proporcionaram uma carreira fantástica. Nunca morda a mão que te alimenta".
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