John Lawton: vocalista é entrevistado para CearáinRock

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Por Débora Medeiros e Lucíola Limaverde, Fonte: CearáinRock
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O primeiro show de John Lawton em Fortaleza, no dia 14 de fevereiro, levou os apreciadores do rock clássico ao HeyHo Rock Bar, numa noite em que não faltaram sucessos do Uriah Heep e da carreira solo do vocalista. Após fazer os fãs vibrarem com suas harmonias bem construídas e vocais fortes, John se recolheu ao camarim e concordou em receber a equipe do CearáinRock.

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(Publicado originalmente no CearáinRock)

Talvez cansado da rotina puxada da turnê, o vocalista concedeu apenas cinco minutos para a entrevista e foi breve em suas respostas. Ainda assim, falou de diversos momentos marcantes de sua carreira e compartilhou suas impressões sobre a indústria fonográfica atual.

Você começou sua carreira com a banda The Deans, que você define como um grupo de crianças que decidiu que você seria o vocalista. Antes disso acontecer, você já havia considerado a hipótese de ser cantor?

"Não, foi assim mesmo: todos decidiram o que iriam tocar e eu acabei ficando sem nenhum instrumento, então fui ser o vocalista".

Que idade você tinha?

"Na época, 15 anos".

Depois disso, você entrou na Stonewall e viajou para a Alemanha. Por que você decidiu permanecer naquele país depois de sair do grupo e entrar na banda Lucifer’s Friend?

"Porque eu conheci minha esposa. Eu a conheci e conheci os caras da Lucifer’s Friend, nós gravamos um álbum, foi ótimo, fiz muitas coisas na Alemanha. Fiquei lá com a Lucifer’s Friend, até que os caras do Uriah Heep me chamaram para fazer parte do grupo, e eu aceitei".

Qual a diferença entre a cena musical alemã e a inglesa?

"A cena da Alemanha é mais Rock, a da Inglaterra é mais Pop: Dance, Club... Essa é a diferença: não há um público muito grande para o Rock na Inglaterra".

Você chegou a fazer parte de outras bandas alemãs, como a Zar...

"É, nós gravamos apenas um disco. Eu estava produzindo um álbum deles e o vocalista da banda não estava podendo cantar, aí eles me pediram para fazer isso. Foi assim que eu participei de Zar".

E que diferenças você encontra entre seu trabalho na Lucifer’s Friend e as bandas anteriores das quais você fez parte?

"A Lucifer’s Friend era uma banda mais de diversão, porque os caras tinham projetos diferentes, nós nos encontrávamos uma vez no ano e decidíamos gravar um disco. E nós trabalhamos assim por mais de seis anos: com encontros anuais".

E nessa época você tinha contrato com uma gravadora?

"Tinha".

Foi seu primeiro contrato ou você já havia tido outro nas bandas anteriores?

"Não, meu primeiro contrato foi com a Lucifer’s Friend".

Você acha que isso, de alguma forma, afetou sua carreira?

"Não, por que isso afetaria minha carreira?"

Por causa das exigências das gravadoras...

"Não, isso não afetou minha carreira, de modo algum. As gravadoras ficam em seus lugares, elas fazem o que é pra ser feito, nós (músicos) fazemos o que é pra ser feito; no final do dia, se deu certo, deu certo, se não deu certo, bem, você cai fora. Simples assim".

E a banda Les Humpries Singers? Você gravou 16 discos com eles, como foi esse trabalho?

"Era um coral gospel, eles tinham alguns hits na Europa e eu fiquei com eles por uns quatro anos, mas era algo que fazíamos para ganhar nosso dinheiro, da mesma forma que os caras da Lucifer’s Friend tocavam em orquestras para ganhar o dinheiro deles, então..."

Você chegou a se apresentar com a Les Humpries Singers?

"Sim, nós fizemos turnês... Nessa época, eu era o vocalista principal e nós saíamos em turnê todo ano. Fazíamos muito sucesso. Não era meu estilo de música, mas aconteceu".

E como foi a transição entre as bandas Lucifer’s Friend e Uriah Heep?

"Não foi uma transição tão grande, exceto pelo fato de a música ser levemente diferente. Mas, na realidade, não foi uma enorme transição. Eu era o vocalista, o frontman, de toda forma".

E como os outros membro do Lucifer’s Friend receberam a notícia?

"Ah, foi tudo bem, eles entenderam, sabe, sair daquela banda para tocar com o Uriah Heep... Eles não tiveram problemas quanto a isso, eles conseguiram outro vocalista e assim as coisas continuaram. Foi tudo bem, foi legal, sem problemas".

E os reencontros? Você tocou em alguns, no Uriah Heep e na Lucifer’s Friend...

"Não, o único reencontro da Lucifer’s Friend foi em 1995, nós fizemos um álbum e foi isso, só isso. Os caras tinham outros projetos, nós simplesmente não levamos isso à frente. Nós deveríamos? Talvez, mas não levamos".

Você gravou dois discos com Ken Hensley e Steve Dunning. O que significou isso para você profissionalmente e no lado pessoal?

"Nada, é música. Eu estou no mercado da música, é isso que eu faço, eu sou um cantor. Steve Dunning era um bom amigo meu, nós tocamos juntos, nós fizemos um álbum juntos. Da mesma forma com Ken Hensley: decidimos tentar algo juntos no final de todo o tempo. A Hensley Lawton Band foi um CD, um álbum, fizemos a turnê dele e, depois disso, decidimos que seria melhor continuar separadamente. Ele seguiu fazendo o que fazia e eu segui fazendo o que eu fazia. Está bem, foi melhor assim. Não há grandes negócios por trás dessas coisas, não há segredos, simplesmente acontece dessa forma".

Qual a principal diferença entre estar em uma banda, como na Lucifer’s Friend e no Uriah Heep, e estar em carreira solo?

"A única diferença é que, se você está numa banda, você tem aquela banda e trabalha com ela o tempo inteiro. Fazendo apresentações como esta (na carreira solo), estou trabalhando com os brasileiros aqui, são ótimos músicos e, lentamente, estamos nos conhecendo melhor, eles são ótimas pessoas. E funciona assim, eu faço a mesma coisa na Europa: trabalho com europeus, eles conhecem todas as músicas – e isso torna minha vida mais fácil, porque eu não preciso me preocupar com os outros quatro caras da banda, eu posso tomar conta de mim mesmo e isso é ótimo, isso funciona bem comigo".

E na banda OTR, você gravou sem conhecer os outros membros. Como foi a idéia de fazer isso?

"Não teve nenhum motivo especial. Jan Dumée, meu parceiro nessa empreitada, conhecia os três brasileiros em São Paulo. Ele foi até São Paulo, gravou as faixas, voltou à Europa. Eu fui a Rotterdam, gravei os vocais em Rotterdam, num estúdio de lá, ele voltou para São Paulo, foi até o Mosh Studios, mixou tudo e foi assim que o álbum aconteceu – simples, muito simples, nada complicado".

Quando você começou na música, nos anos 1960, não era possível gravar um álbum sem que todos os músicos estivessem no mesmo lugar. Você imaginava que isso um dia fosse acontecer?

"Não, não mesmo. As técnicas facilitaram para que não fosse preciso todos estarem juntos, mas, nos anos 1960, você tinha o baterista ali, você precisava de um baixista, um guitarrista, um tecladista no estúdio, era assim que se gravava. Não havia as facilidades de gravação que existem hoje, era assim que nós fazíamos".

Como você encara esse tipo de tecnologia?

"É bom, mas não é pra mim. Isso ajuda novas bandas a gravar seu material, mas não gosto muito disso. Eu prefiro ter um baterista ao vivo no estúdio, um guitarrista e gravar as músicas pessoalmente – eu acho que é assim que as coisas devem ser feitas".

E você planeja fazer alguma turnê com a OTR?

"Sim, espero fazer. Estamos planejando vir ao Brasil e fazer algumas apresentações. Esse é o nosso plano para o futuro, definitivamente".

Você acha que a Internet é um bom meio para divulgar seu trabalho?

"É uma ótima maneira de divulgar trabalhos, principalmente para novas bandas que não têm uma gravadora. Eles gravam o material em casa, colocam no Youtube, na Internet, as pessoas vêem, gostam, baixam... Ou então alguém de alguma gravadora vê e diz: 'Isso é bom, gostei! Quem são eles?', aí eles assinam um contrato. Então, para jovens bandas, é realmente bom. Nesse sentido, eu não me incomodo com isso. A Internet é ótima para manter contato com todo mundo e é bem fácil fazer isso através dela, mas não me interesso em colocar algum novo material no Youtube, esse não é o caminho – pelo menos não para mim".

E a pirataria que geralmente ocorre nesses meios?

"Bem, isso vai acontecer de uma forma ou de outra. Vai haver pirataria, as pessoas vão baixar bootlegs sempre. Nunca estaremos livres disso, mesmo cobrando pelo download de uma música. De certo modo, sempre vão achar um jeito de baixar gratuitamente. Todo mundo encontra um jeito. Então, é algo com o qual você precisa conviver".




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Sobre Débora Medeiros

Débora Medeiros faz Comunicação Social - Jornalismo na Universidade Federal do Ceará. Academicamente, desenvolve pesquisas sobre o rádio educativo e sobre a relação entre jornalismo cultural e heavy metal. Profissionalmente, tem procurado se especializar em crítica musical. Foi daí que nasceu o impulso para colaborar com o Whiplash e criar um blog dedicado a esse assunto, o Música Expressa.

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Sobre Lucíola Limaverde

Jornalista formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC) com experiência em jornalismo impresso, produção em rádio e assessoria de imprensa. Ouve seus rocks todo santo dia. Aliás, não imagina sua vida sem música e livros (a Literatura é outra grande paixão). Queria ter uma história bonita e comovente sobre como começou a ouvir Metal, mas a verdade é que não lembra a primeira vez na qual ouviu uma guitarra distorcida - apenas sabe que sua alma tem um tom maior quando escuta as canções de que gosta. Aprendeu a tocar teclado aos 12 anos mas, como jamais sonhou em cometer seus dedilhados em uma banda, isso só lhe rendeu algum apuro na audição musical.

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