Vlad V: Voltando ao passado para determinar o presente
Por Ben Ami Scopinho
Postado em 20 de fevereiro de 2009
Com sua forte personalidade centrada no hard rock progressivo dos anos 70 e repleto de aspirações psicodélicas, bom... Tudo soa certamente datado. Mas, com quase 15 anos de luta que culminaram em seis consistentes álbuns de estúdio, o Vlad V (pronuncia-se Vlad quinto) já conquistou tal admiração por parte da mídia e público que mostra o quanto os catarinenses de Blumenau vem acertando com seu coquetel musical e sendo, disparado, um dos melhores frutos do underground da nossa região sul.
Colaboração: Gleydy Fioranelli
E a coletânea "Antes do Fim", lançada no final de 2008, pinça canções de todos esses álbuns e coroa toda essa integridade e amor pelo Rock´n´Roll. Assim sendo, logo após escutar todas estas canções, não deu outra: o Whiplash! resolveu bater um papo e mostrar para o Brasil um pouco mais do viajante onírico Vlad V, que tem em sua atual formação o mentor Jean Carlo de Souza (voz, guitarra, violão, bandolim, harmônica e flauta), Cláudio Castilho Reif (baixo) e Flávio Theilacker (bateria).

WHIPLASH: Olá pessoal! Como foi o início de sua carreira e, inclusive, qual a origem do curioso nome Vlad V?
Jean Carlo: Começamos como toda banda de garagem: tocando para divertir os camaradas. Depois de algum tempo e de alguns acontecimentos tornou-se mais sério, mais profissional. Eu lia muitas coisas a respeito de vampiros, gostava dessas bobagens. E quando li a história do príncipe romeno Vlad V gostei do nome! Achei um nome curto, forte e objetivo, e como era jovem e metaleiro, coloquei o nome na banda. Depois de um tempo me arrependi, mas já era tarde, o nome já tinha ‘pegado’.

WHIPLASH: Sua sonoridade sempre permitiu as mais diversas possibilidades. Como vocês conseguem administrar todas essas influências no momento de compor?
Jean Carlo: Como sou o único a compor fica muito mais fácil colocar as idéias em prática. Não que os demais componentes da banda sejam proibidos de compor, como muitos acreditam. Simplesmente as coisas tomaram esse rumo, então eu componho as letras e melodias e eles se envolvem nos arranjos.
WHIPLASH: Normalmente os fãs de Rock'n Roll tem uma preferência natural à língua inglesa, não mantendo ainda uma relação tão amistosa assim com a MPB. Como justifica o apego dos fãs à banda Vlad V, que flerta esporadicamente com essa MPB e usa viajantes temas no bom e velho português?
Jean Carlo: A MPB sempre esteve presente nos nossos sons através de bandas como O Terço, Casa das Máquinas, Mutantes, entre várias outras bandas dos anos 70 que cantavam em português. São nossas influências, portanto é natural que penda para esse lado. Eu acredito ainda que o português nos aproxime do público porque é mais fácil das pessoas se identificarem com as letras.
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Jean Carlo: A gente fez o disco acústico por pressão dos donos de bar. Estava na moda os "acústicos" e não haveria trabalho se não o fizéssemos. Acabou se tornando um dos melhores discos da banda. Foi uma surpresa pra gente! Quanto a gravar covers, os direitos autorais são muito caros, assim tornou-se inviável.
WHIPLASH: Bem... Parece que os donos dos bares tinham visão! Afinal, qual o álbum do Vlad V que teve uma maior recepção por parte do público?
Jean Carlo: Acho que o pessoal fixou mais a idéia no Vlad V com o "A Espada e O Dragão". Mas em minha opinião tem um disco que foi muito legal que a gente fez e que foi meio esquecido pela galera: "Volume IV".

WHIPLASH: Com uma trajetória que beira os quinze anos, o Vlad V já é um veterano no circuito catarinense. Qual o melhor e pior momento pelo qual a banda passou neste período?
Jean Carlo: Passamos maus bocados na época do "A Espada e O Dragão" quando uma gravadora (Prize Records) nos fez várias promessas e nos lesou numa quantia considerável em dinheiro. Tivemos bons momentos na ida ao Rio de Janeiro, quando abrimos o show da banda Flower Kings no Teatro do Flamengo, em 2003 (eu acho).
WHIPLASH: Há anos o Vlad V veem obtendo o apreço da mídia especializada, em especial de algumas importantes publicações no Brasil e até mesmo no exterior. Essa exposição abriu novas portas para a banda?
Jean Carlo: Com relação a público, sim! Acredito que a galera acabe tendo mais respeito pela gente por isso. Mas os donos de bar e casas de shows não ligam a mínima pra isso.

WHIPLASH: Vocês conseguem grande empatia com o público durante suas apresentações. Tudo bem que você é um cara multifuncional e sua seção rítmica é extremamente eficiente, mas como fica sua situação ao vivo, agora que o Vlad V tornou-se um trio?
Jean Carlo: Obrigado! Bom, nós começamos como um trio. Na verdade, depois da saída do teclado, a gente só colocou mais um violão devido o lançamento do Acústico. Mas estou insatisfeito com a sonoridade atual da banda. Talvez a flauta ceda mais espaço para a guitarra, o que é uma tendência natural do rock and roll.
WHIPLASH: Seja utilizando linhas vocais rasgadas ou suaves, sua interpretação também surpreende pela versatilidade. Quais são suas influências, afinal?
Jean Carlo: Sempre fui muito eclético e na hora de interpretar acabo fazendo o que a canção pede. Como influência, ouço desde Chico Buarque a Bruce Dickinson.

WHIPLASH: Bom, considerando que "Longe do Fim" é uma bela coletânea, há planos para um próximo álbum de inéditas?
Jean Carlo: Talvez. Tenho vontade de gravar um disco mais pesado, voltando às origens, mesclando blues e rock pesado. Deixando um pouco a onda do progressivo de lado.
WHIPLASH: Ok, agradeço pela entrevista, torcendo para vê-los tocando pela região de Florianópolis novamente. Fiquem à vontade para os comentários finais.
Jean Carlo: Esperamos estar em breve em Florianópolis. Agradecemos o apoio do Whiplash! e do Ben. E para maiores informações sobre shows, acesse nosso site: www.vladv.com.br no link agenda. Estamos também com um perfil no orkut, além da comunidade da banda, para termos maior acesso aos fãs. Valeu!
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