Rob Halford: Orgulho por inspirar headbangers gays a se assumirem
Por Mariana Rezende Goulart | Eliseu Baldo
Fonte: Metal Edge
Postado em 20 de fevereiro de 2008
Phil Freeman da revista Metal Edge conduziu em 2008 uma entrevista com o vocalista do JUDAS PRIEST, Rob Halford. Segue um trecho da conversa.
Metal Edge: O que você acha do recente mercado de nostalgia no metal, com bandas saindo em turnê com seus palcos antigos de 1985 e etc?
Halford: Eu amo isso. Há uma loja de discos muito legal em San Diego, na área de Hillcrest, onde eu tenho um apartamento, chamada Tang Records, é um lugarzinho independente. O cara que gerencia ela, o Migs, tem um monte de vinis antigos, coisas difíceis de se conseguir. É como a Amoeba, em San Francisco, só uma versão condensada disso, mas tem a mesma filosofia. A razão desses lugares existirem é porque a música e os vídeos, e etc - os CDs, DVDs que eles vendem - são extremamente importantes e de extremo valor. Eu costumava odiar a palavra nostalgia, mas agora eu a abraço, porque entendo mais do que nunca enquanto fico mais velho no metal. Quão importante é para essas pessoas irem aos shows e reviver essa memória do metal que eles tiveram todos esses anos atrás, e ver a banda que eles amam e crescer com ela, e ouvir aquelas canções. Quando eu estava andando por essa loja, na janela eles tinham vários CDs e camisetas, e havia um livro chamado "Power Metal", e na capa era eu com a jaqueta do "Painkiller" de 1991. Eu pensei: 'Isso é muito legal - vou mandar refazer essa jaqueta!' Porque eu deixo um monte de coisas, mas essa jaqueta sumiu no fim da turnê do "Painkiller". Eu acho que ela provavelmente foi queimada como oferenda aos deuses. Bom, eu amei isso, e você pode fazer esse trabalho porque todas essas bandas que você mencionou ainda estão fazendo novo metal, e eles são parte da grande história do que fazemos no heavy metal. Então, quando o PRIEST sai e toca "Victim Of Changes" pela milionésima vez, é pela primeira vez aquela noite, em qualquer lugar que poderíamos estar no mundo, apesar dessa canção ter sido escrita no começo dos anos 70. Então, essa coisa toda de nostalgia, de reviver certos momentos, é uma coisa ótima a fazer, e mantém parte daquela área da comunidade metal, realmente viva. Nós somos parte da árvore do metal, esses caras de que falamos.
Metal Edge: Para mim é por isso que as bandas de metal não fazem jams em palco. É sobre rituais e catarse - todo mundo sabe quando o refrão vem, todo mundo sabe as letras... é uma experiência coletiva.
Halford: Exatamente. E tudo que atinge o nível clássico, ou como você quiser chamar, você não mexe com isso. Você quer ouvir as mesmas melodias vocais, as mesmas letras, você quer ouvir tudo que você viveu por 10, 20, 30, 40 anos da sua vida. Você quer recapturar aquele momento, sendo LED ZEPPELIN ou EAGLES, você quer ouvir aquela canção, você quer ouvir "Hotel California" hoje como você ouviu sempre. Você quer ouvir "Whole Lotta Love", como estamos prestes a ouvir em 2008 com o LED ZEPPELIN, como você ouviu da primeira vez. Não se mexe com essa experiência original, e é assim que deve ser.
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Metal Edge: Quando você assumiu que era homossexual e nos anos depois disso, você ouviu de fãs de metal que eram capazes de se assumir também?
Halford: Sim, todo o tempo, e isso é algo que você não pensa a respeito, quando você tem esse tipo de feedback. Isso só deixa mais aparente que pessoas de todos os tipos de vida estão no metal, de todos os tipos de trabalho, diferentes religiões, diferente etnias, e diferentes orientações sexuais. Não foi uma grande surpresa para mim descobrir que há outros gays headbangers, isso é um fato. Eu recebi alguns dos emails mais legais, especialmente de headbangers mais jovens lutando com sua identidade sexual, dizendo "por causa do que você fez, eu pude contar aos meus amigos da escola, ou à minha família, e eles me aceitaram." E você não espera isso, então é uma coisa maravilhosa de se ver e ouvir. Porque eu vivi com esse problema por toda a minha vida, e não é mais um problema para mim. Mas há pessoas que estão passando por essa situação pela primeira vez, talvez alguns leitores da Metal Edge, que podem estar passando por essa dificuldade. O que eu sempre digo às pessoas é que você não está sozinho nessa situação, que há muitos de nós nisso, e a coisa mais libertadora que você pode fazer é se assumir e deixar todo mundo saber quem você é. Para mim essa é a definição de amor incondicional. Se as pessoas tem amor incondicional, elas podem se importar menos com esse lado de sua sexualidade. Eles vão te amar e te aceitar por quem você é. Se você entender que não está sozinho, que há pessoas para te ajudar, mesmo se você estiver passando por dificuldade de fazer tipo de exposição para você mesmo, há pessoas que você pode conversar, diferentes organizações e todo tipo de recursos. Porque é de cortar o coração quando você ouve sobre adolescentes que são explusos de casa, ou são forçados a sair de casa porque não conseguem encaram as condições - rejeição, ódio, e etc - e isso infelizmente é parte do mundo em que vivemos. Mas se você é capaz de fazer essa declaração, é como se libertar. Todo o medo e rejeição que você experimenta de todo tipo de lugar diferente desaparecem quando há a verdade. E a partir do momento que a verdade está aí, você não pode mais ser atacado, as coisas não podem mais ser direcionadas a você. Pessoas dizem coisas com ódio sobre mim às vezes em foruns, blogs, etc, mas isso não tem mais efeito em mim, porque não estou mais me escondendo e é ridículo dizer essas coisas. Não há absolutamente nenhum valor. Então, eu encorajo as pessoas, se puderem, a encarar esse momento e dizer: "Este sou eu, é pegar ou largar."
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