Jan Akkerman: o fundador do Focus fala sobre a tour com músicos brasileiros

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Por Rodrigo Werneck e Marcelo Spindola Bacha
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Para quem ainda não sabe, o holandês Jan Akkerman é um dos grandes ícones da guitarra no rock, tendo liderado o grupo Focus em seu auge criativo, nos anos 70, juntamente a Thijs van Leer (órgão, flauta e vocal). Desde 1968, quando lançou o primeiro disco sob seu próprio nome, ele vem gravando consistentemente trabalhos solo e em conjunto a outros artistas, já tendo lançado excelentes registros. Quase 20 anos após a sua primeira visita ao Brasil, ele retornou recentemente para shows na América Latina, e nos concedeu uma entrevista exclusiva (junto aos demais músicos da banda) antes da primeira de suas duas apresentações no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, no dia 23 de novembro.

Fotos: Walter Rodrigues Gomes

Jan, já faz quase 20 anos de sua primeira e única, até agora, visita ao Brasil, ocorrida em 1989. Na época, você veio com os guitarristas Andy Powell e Ted Turner (Wishbone Ash) e Leslie West (Mountain), dentro do projeto "Night of the Guitars". Alguma recordação dessas apresentações anteriores?

Jan: Na realidade, a experiência da outra vez não foi muito boa, e para falar a verdade eu não guardo quase nenhuma recordação. Mas posso afirmar que tudo está correndo de forma maravilhosa desta vez, e é isso que importa agora.

Como surgiu a idéia para essa turnê pela América Latina?

Jan: O Mike (del Ferro, tecladista, também holandês) foi convidado pela Plataforma Brasil Holanda para vir, e a partir disso ele montou a banda, chamada de "Brasil Holanda Jazz Connection". Me perguntou se eu toparia viajar ao Brasil e tocar com músicos brasileiros, e eu disse: "Por que não?". Eu não estava muito animado, pois as apresentações que tinham sido marcadas anteriormente no Brasil foram canceladas, e eu não tinha muita perspectiva. Mas, a partir daí, o Mike acertou com o Márcio (Bahia, bateria) e o Ney (Conceição, baixo), a banda logo estava montada e fui me entusiasmando. Foi só selecionarmos o material e ensaiarmos um pouco.

Mike, esta é a sua primeira vinda ao Brasil?

Mike: Não, é a terceira. Eu já havia vindo há dois anos e agora há pouco, há seis meses. Já toquei com vários músicos brasileiros, inclusive eu falo um pouco de português (N.R.: nesta hora, fala algumas frases com sotaque, porém bastante convincentes).

Como você aprendeu a falar português?

Mike: Bem, meu pai é filho de um cantor lírico italiano. Cantou com Maria Callas e com um monte de gente. Assim, desde pequeno eu falo a língua. Isso me facilitou a aprender outras línguas latinas, como espanhol e português, após ter contato com músicos dessas origens.

Ney, como você foi chamado para fazer parte da banda?

Ney: O Márcio (Bahia) foi o primeiro a ser convidado pelo Mike, e então ele me avisou, há alguns meses atrás, de que haveria esta turnê e que eu poderia me juntar caso tivesse interesse. Eu me interessei, e posso dizer que os shows estão sendo ótimos.

Jan, o repertório dos shows é composto do que? Músicas solo de vocês, improvisos?

Jan: Basicamente, pegamos algumas músicas minhas e do Mike, e incluímos um bocado de improvisos também. Não há nada pensado de antemão, enviamos algumas partituras da Holanda para os músicos aqui no Brasil, e na hora escolhemos o que tocar.

Algo do Focus?

Jan: Ah, que jeito! Sim, eu sempre tenho que incluir algo do Focus, caso contrário a decepção é grande. Isso é uma surpresa... Mas posso adiantar que incluiremos uma versão diferente de uma música, com arranjo de Claus Ogerman, que o Mike adora.

Quais instrumentos você pretende tocar; vai focar mais na guitarra ou no violão?

Jan: Vou me revezar entre guitarra elétrica e violão, e torcer para nenhuma corda arrebentar. Sou endorser da Elixir européia, e eles não me enviaram a tempo jogos de cordas novos para essa turnê! Só tenho as que estão na guitarra...

Como está sendo a experiência de tocar com músicos brasileiros?

Jan: Eles são fantásticos. Márcio é um monstro na bateria, e o Ney é ótimo, eu não tinha ouvido falar dele. A cada ensaio ou passagem de som, eu me impressiono mais.

Além disso, em Salvador (no Pelourinho), vocês tocaram com um grupo local, não foi?

Jan: Sim, e foi maravilhoso. Foi o grupo Ilê Aiyê, e o entrosamento e a energia foram incríveis. Esperamos repetir isso no ano que vem, quando retornarmos, provavelmente em maio.

Mike: Acho que o que Jan mais gostou de lá foram as bananas, ele está comendo sem parar, desde que chegou ao Brasil (risos - de fato, havia diversos cachos de banana no camarim!).

Dentre os discos de sua carreira solo, quais os seus preferidos?

Jan: "Profile" é o melhor, eu acho. Mas eu gosto muito de "Focus In Time" também, o (tecladista) Tom Salisbury fez um trabalho brilhante nele, tanto nos arranjos quanto nas performances.

E os do Focus, alguma preferência específica?

Jan: Todos os discos têm os seus momentos fortes, em especial o "Moving Waves”, o "Focus III" e o "Hamburger Concerto". É difícil de se escolher um melhor.

Você tem algum plano para gravar um novo disco de estúdio, já que o mais recente é o "C.U.", de 2003?

Jan: A princípio, não. O "C.U." foi o último. O título já dá o recado, pois significa "see you" (traduzindo livremente, "até mais"). Embora eu saiba hoje que no Brasil e em outros lugares o título soe meio estranho, eu não tinha como saber disso antes, ninguém me avisou na época (risos). Não tenho mais intenção de lançar novos discos, apenas fazer shows. Já tenho mais de sessenta anos, já gravei bastante, já toquei com muita gente. Agora quero as coisas mais tranqüilas.

Não pretende nem ao menos gravar músicas individuais e disponibilizar, por exemplo, no seu site, para download?

Jan: Não, eu devo ter, sei lá, umas 9.000 composições não lançadas, mas não pretendo gravar mais nada, só tocar ao vivo.

Quanto a esses shows do Brasil Holanda Jazz Connection, algum plano para gravar, por exemplo, um DVD?

Jan: Sim, provavelmente no ano que vem. Seria ótimo. Com certeza voltaremos, já está tudo acertado.

Obrigado Jan, Mike e a todos, foi um prazer. Até breve, no palco!

Agradecimentos especiais a Tami Toledo Matuoka e Coraly Pedroso, da Plataforma Brasil Holanda.

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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D’Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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Sobre Marcelo Spindola Bacha

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