Birmingham, Ozzy Osbourne e o heavy metal que a cidade ainda reluta em assumir
Por Franklin Monteiro
Postado em 31 de janeiro de 2026
Enquanto cidades como Liverpool, Memphis e Nashville transformaram sua herança musical em identidade, turismo e orgulho, Birmingham - amplamente reconhecida como o berço do heavy metal - ainda demonstra uma relação ambígua com o gênero que ajudou a criar. E isso voltou ao centro do debate após a morte de Ozzy Osbourne, em julho de 2025.
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Lar de nomes fundamentais como Black Sabbath, Judas Priest e Napalm Death, Birmingham moldou um dos movimentos mais influentes da história da música pesada. Ainda assim, por décadas, o metal foi tratado como um detalhe incômodo, quase um parente barulhento que a cidade preferia manter fora da sala de visitas.
A morte de Ozzy escancarou o óbvio
O falecimento de Ozzy Osbourne provocou uma reação global imediata. A notícia ocupou o topo dos principais telejornais britânicos, incluindo a BBC News at Ten, algo raríssimo para artistas ligados à música pesada. Birmingham foi tomada por fãs vindos de todas as partes do Reino Unido e do mundo, vestidos de preto, lotando ruas que normalmente ficam vazias fora dos fins de semana.
O impacto foi tão grande que o Museu de Birmingham estendeu pela terceira vez a exposição dedicada a Ozzy, diante da demanda contínua do público. Ficou impossível ignorar: o mundo associa Birmingham diretamente ao heavy metal - mesmo que a própria cidade ainda hesite em fazer o mesmo.
A petição: Aeroporto Ozzy Osbourne
Foi nesse contexto que o produtor, comediante e podcaster local Dan Hudson lançou uma petição propondo renomear o Aeroporto de Birmingham em homenagem a Ozzy Osbourne. A iniciativa rapidamente ultrapassou 80 mil assinaturas, com apoio de músicos renomados como Nicko McBrain (Iron Maiden) e ampla repercussão internacional.
A proposta é simples e simbólica: reconhecer oficialmente, em um ponto de entrada global, a contribuição cultural de um artista que levou o nome da cidade para o mundo - algo já feito por diversos aeroportos internacionais, como Liverpool John Lennon, JFK, Charles de Gaulle, Tom Jobim (Rio) e tantos outros.
A resistência oficial - e o velho desconforto
O CEO do aeroporto, Nick Barton, descartou publicamente a possibilidade de mudança, afirmando que Birmingham já seria uma "marca internacional forte". A declaração, no entanto, foi recebida com ceticismo por Hudson e por grande parte dos apoiadores da campanha.
Segundo ele, fora do Reino Unido, Birmingham é amplamente desconhecida - exceto entre fãs de heavy metal. Nova York, por exemplo, reconhece Ozzy e o Black Sabbath muito antes de reconhecer a cidade. A ironia é evidente: o principal ativo internacional de Birmingham no campo cultural continua sendo justamente aquilo que ela historicamente tentou minimizar.
Metal não é nostalgia - é economia
Além da questão simbólica, há um argumento prático difícil de ignorar. O evento Back To The Beginning, ligado ao legado do Black Sabbath, gerou cerca de £20 milhões em turismo local e arrecadou US$ 10 milhões para instituições de caridade. O turismo musical no Reino Unido movimentou £10 bilhões em 2024, com crescimento em 2025.
Em contraste, o Conselho Municipal de Birmingham enfrenta sérias dificuldades financeiras, enquanto Solihull - onde o aeroporto está localizado - acumula uma dívida de £349 milhões. Para Hudson, rejeitar uma iniciativa com potencial global de visibilidade e retorno econômico é desperdiçar uma oportunidade rara.
Um problema antigo: vergonha do próprio legado
Até poucos anos atrás, não havia praticamente nenhuma referência física na cidade indicando que Birmingham é o berço do heavy metal. A construção da ponte Black Sabbath foi um passo tardio - e tímido - quando comparado ao que outras cidades fazem para celebrar suas cenas musicais.
Atlanta tem um museu dedicado ao trap. Seattle respira grunge. Liverpool vive Beatles. Birmingham, por décadas, preferiu agir como se o heavy metal fosse um acidente histórico.
O debate está lançado
A petição para renomear o aeroporto pode ou não vencer institucionalmente, mas já cumpriu um papel fundamental: forçou Birmingham a encarar seu próprio reflexo. Ozzy Osbourne e o Black Sabbath não são apenas parte do passado - são ativos culturais, econômicos e identitários vivos.
Ignorar isso não é sobriedade institucional. É miopia histórica.
E, como todo headbanger sabe, negar o peso do metal nunca fez o som ficar mais baixo - só mais ridículo.
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