Tom Fischer fala sobre demos do Celtic Frost
Por Silvio Somer
Fonte: Blabbermouth
Postado em 07 de agosto de 2007
Tom G. Fischer, vocalista/guitarrista do CELTIC FROST, postou a seguinte mensagem em seu blog:
Aos meus olhos um dos verdadeiros pioneiros da combinação de rock e bateria eletrônica é Andrew Eldritch com o SISTERS OF MERCY. E isso foi uns bons dez anos antes do CELTIC FROST ter gravado a demo [não-lançada] de 'Under Apollyon's Sun'. Sem falar em grupos como KRAFTWERK que eu comecei a ouvir no final dos anos 70 e que também utilizavam baterias programadas em estúdio e no palco.
'Under Apollyon's Sun' poderia ter sido um álbum interessante e excepcionalmente variado, isso é verdade. Mas honestamente é fútil interpretar qualquer coisa tantos anos depois. A música do disco estava longe de acabada. As demos para 'Monotheist' são uma perfeita indicação de como o CELTIC FROST passa por ciclos substanciais de mudança e evolução através dos anos. As demos iniciais para 'Monotheist' (incluindo os fragmentos de música que sobreviveram até o término do album) são radicalmente diferentes do que foi lançado. O mesmo aconteceu no album 'Into The Pandemonium' (embora nenhuma das demos de ensaio tenha sobrevivido), e teria acontecido o mesmo para 'Under Apollyon's Sun'.
As demos para 'Under Apollyon's Sun' que vieram à luz para o público são, assim, simplesmente fragmentos de músicas. Houve um total de três demos de sessões de gravação, duas das quais apenas existem porque nosso antigo publicador da época, Warner Chappell/Equinox Songs, requisitou que submetessemos amostras das músicas em que estávamos trabalhando. 'Pearl Of Love' estava imensamente inacacabada tanto na música quanto na letra; uma encarnação tardia dela foi mais desenvolvida e se tornou 'Pearl Beloved'. 'Icons Alive' foi, mais tarde, modificada substancialmente e se tornou maciçamente mais pesada. 'Primeval Rapture' também estava longe estar acabada; essa é, essencialmente, a demo para o dois primeiros versos de uma música. Mesmo a música título, 'Under Apollyon's Sun' era um trabalho em progresso e mais tarde eu decidi parar totalmente com 'Idols Of Chagrin' em vez de trabalhar nela novamente.
As músicas da demo do início de 1992 em Nova Iorque estavam ainda mais subdesenvolvidas e muitas vezes foram preteridas no curso das sessões do processo de inscrição das músicas, com apenas algumas partes delas a serem usadas mais tarde. Eu rapidamente passei a detestar muitos dos fragmentos da demo. Para mim nela falta simplesmente tudo que define o clássico, épico e pesado CELTIC FROST. É um fato que sessões de criação e gravação ocasionalmente resultam em uma falha, em material totalmente inutilizável. E a demo de Nova Iorque é um exemplo perfeito.
Houve uma grande quantidade de canções adicionais em incontáveis estágios de desenvolvimento, mas nada estava nem perto de estar pronto para a real inclusão em algum álbum. Assim o 'Under Apollyon's Sun' é um mito.
É por isso que tão pouca música daquela época sobreviveu para ser mais desenvolvida. A única música da época de 'Under Apollyon's Sun' em 'Monotheist' é um único riff que eu escrevi em 1992 para várias encarnações de uma música nunca acabada que seria, eventualmente, chamada de 'Pearl Beloved'. Em 2005 este riff se tornou parte de uma música inteiramente nova, 'Domain Of Decay', que agora faz parte de 'Monotheist'.
Quanto às letras, novamente pouquíssimo foi, alguma vez, considerado na inclusão em algum album posterior do CELTIC FROST. Alguns dos fragmentos das letras (isto é, linhas individuais) que apareceram em 'Monotheist' estão, por exemplo,em 'Temple Of Depression'. E a idéia inicial daquela música, em seu embrião, na verdade foi criada algum tempo depois de 'Into The Pandemonium'.
Quanto ao meu posterior projeto industrial, APOLLYON SUN, a comparação do album 'Sub' do APOLLYON SUN com o 'Into The Pandemonium' do CELTIC FROST é distintamente uma relação bilateral. Por um lado é possível que, eventualmente, o CELTIC FROST teria escrito algumas músicas naquela veia, tivesse a banda continuado saudavelmente e sem o cataclisma induzido pela gravadora que sobrecaiu após 'Into The Pandemonium'. Por outro lado, APOLLYON SUN era um projeto completamente diferente, feito por pessoas que tinham absolutamente nada a ver com o CELTIC FROST (algumas nem mesmo estavam envolvidas com a música do CELTIC FROST), e eu era apenas um dos cinco letristas da banda. Eu mal toquei guitarra em 'Sub', salvo uma música ou algo assim. Novamente, 'Sub' não é o sucessor mítico do 'Into The Pandemonium' pelo qual muitos têm procurado.
É provável que nunca exista um álbum como 'Into The Pandemonium' novamente. O rock amadureceu e todo estilo, toda combinação de estilos tem sido usado à exaustão. Coisas como a inclusão de música clássica, eletrônica, programação, vocais femininos, temas ocultos e assim por diante são triviais, sua fascinação reduzida a pó por um milhão de bandas que mais frequentemente têm gravado versões genéricas sem qualquer da obsessão maníaca e transbordante emoção que faz de 'Into The Pandemonium' o que ele é.
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