Hugo Mariutti - os novos caminhos do guitarrista do Shaaman

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Por Maurício Dehò
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De férias do Shaaman e tentando emplacar o debut homônimo do Henceforth, banda que entre outros, conta com o seu irmão Luís, o guitarrista Hugo Mariutti divulgou na segunda-feira (21), em seu blog no myspace (www.myspace.com/hugomariutti), três faixas de seu projeto solo: "All My Hatred", "AFW" e "Mask". As caraterísticas deste novo trabalho, que toma forma paralelamente às suas outras duas bandas, já podiam ser detectadas por quem conhece a carreira de Hugo: muito peso, vocais agressivos (todos feitos por ele, no estilo dos backing vocals que faz em "Pride", nos shows do Shaaman) e nenhum medo de inovar (vide o debut do Henceforth). Por telefone, ele contou todos os detalhes deste projeto e qual foi o seu objetivo em colocar as músicas na Internet, além de dizer que as férias do Shaaman ainda não têm prazo para acabar.

Fotos: Rafael Solano Karelisky

Whiplash!: Esse projeto solo pegou as pessoas de surpresa. Como surgiram essas músicas novas?

Hugo Mariutti: Eu aproveitei o período de férias do Shaaman. Já tinha algumas coisas prontas e chamei alguns amigos para gravar participações especiais. Tenho em mente de, mais para frente, lançar um disco solo. Tenho um material já escrito e é uma coisa bem diferente das duas bandas que tenho, então é uma coisa para mostrar um outro lado que posso explorar.

Whiplash!: E como foi o processo de gravação dessas três faixas?

Hugo: Eu precisava de um tempo para fazer essas coisas: gravar, tirar o som, editar... Todas essas músicas que estão no My Space são uma demo para mostrar para as gravadoras, negociar. Eu achei legal fazer isso porque não queria ficar com o material guardado. Queria fazer um negócio diferente do que um guitarrista faria. O mais óbvio seria se eu lançasse um disco instrumental, mas como eu não curto muito essa praia, fui para um outro lado. Eu fiz curso de engenheiro de som, também quis aproveitar esse lado, para ver como ficava. É um projeto meu, com tudo escrito por mim, então achei legal produzir, pois é uma coisa nova para mim.

Whiplash!: Você foi o único responsável pela composição?

Hugo: Sim, todas as músicas são minhas. Eu gravei todos os vocais, todos os teclados, todas as guitarras - a não ser um solo em que chamei o Marcelo Araújo, que foi meu professor. No baixo, chamei o André Nikakis, que tocava comigo no Henceforth, para duas músicas. Na batera, tocaram Fábio Elsas, do Henceforth, e Edu Garcia, que é do Threat, uma banda mais pesada.

Whiplash!: Você já decidiu que nome usará para o trabalho?

Hugo: Pode ser que seja o meu mesmo. Como estou fazendo a maioria das coisas, é natural sair o meu nome. Mas pode ser que depois mude de idéia.

Whiplash!: Você chegou a pensar em chamar o seu irmão (Luís Mariutti, baixista do Shaaman e do Henceforth)?

Hugo: Na verdade, o André (Nikakis) tocou comigo muito tempo e quando foi sair o disco do Henceforth, ele mudou para a Grécia. Foi um opção de vida - foi aí que o Luís entrou na banda. Sempre gostei muito de tocar com o ele, que é praticamente um outro irmão para mim, então, quando veio passar as férias aqui, falei: "grava esses baixos já para mim, mesmo sem nada das guitarras pronta". Foi legal! Como o Luís já toca comigo no Henceforth e no Shaaman, resolvi chamar o André. Ele que é um cara que toca muito bem e é um puta amigo. Mas com certeza no disco eu vou chamar o Luís... se ele quiser (risos)!

Whiplash!: Quando deve sair o álbum? Você já tem contatos com gravadoras?

Hugo: Eu quis primeiro divulgar para o público, para ver o que acham. É uma coisa diferente, bem mais pesada, com uma voz mais agressiva. Mas ao mesmo tempo, vou começar a ir atrás. Tenho contatos por causa do Shaaman e mesmo pelo Henceforth, porque a própria banda é quem negocia. O lançamento vai depender, porque comecei agora a conversar com gravadoras. Para este ano é difícil, precisa acabar todas as músicas, gravar... Deve ficar provavelmente para o ano que vem.

Whiplash!: Você usou influências diferentes para o trabalho solo? Afinal, o Shaaman é voltado mais para o metal melódico, com elementos tradicionais, já o Henceforth é mais moderno, um som mais pesado, mas que cai para o lado comercial.

Hugo: Como estava compondo junto com outras pessoas, era natural que aparecesse a influência de todo mundo. Esse é um negócio mais meu, com certeza é algo mais característico, com as guitarras mais pesadas... Não pensei nada específico. Como sou só eu, posso misturar bastante coisa, fica uma coisa mais pessoal. Só resolvi mostrar para as pessoas porque não tem nada a ver com as outras bandas. Isso que eu achei interessante, não parecer com nada. Quando eu ia escrevendo, via que não ia servir nem para o Henceforth, nem para o Shaaman, então acabei seguindo essa linha.

Whiplash!: Pelo que se ouve no Henceforth e por essas três músicas dá pra ver que você gosta de inovar, usando até elementos eletrônicos...

Hugo: Eu não tenho medo de colocar novos elementos, até eletrônicos. Gosto é de fazer música. Sei que tem gente que não vai gostar, mas eu respeito. Estamos em 2006, então acho que tenho que ousar. Cresci ouvindo esse tipo de coisa, como Nine Inch Nails.

Whiplash!: E as férias do Shaaman? Vocês firmaram uma data para se reunir, ou as coisas ainda estão em aberto?

Hugo: A gente não combinou uma data. Ainda estamos descansado depois de tanto tempo em turnê. Mas continuamos nos falando normalmente.

Whiplash!: Fora o trabalho solo, você tem outros projetos em mente?

Hugo: Eu e o Luís vamos fazer workshops juntos. Também estamos tentando lançar o Henceforth no exterior. Já saiu na Argentina e está quase no México. E ainda tenho um outro projeto junto com o Fábio (Elsas).

Whiplash!: Você pode adiantar qual é a sonoridade deste trabalho?

Hugo: Esse é o mistério (risos)! Mas é diferente do que nós já fizemos...

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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