Scars Souls: Oito anos depois, voltando com energia renovada

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Por Rafael Carnovale
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Oito anos se passaram desde que o quarteto Scars Souls lançou seu último CD, "Troia", que obteve boa resposta dentro e fora do Brasil. Apesar da banda ter se mantido ativa durante todos esses anos, as mudanças de formação e os percalços que acometem todas as bandas do heavy metal brazuca atingiram essa talentosa galera. Mas com uma nova formação, e com um CD novo na praça, o bom "Highbreed", a banda nos conta alguns detalhes de seu presente, passado e futuro.

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WHIPLASH! - Inicialmente uma curiosidade. Vocês sabiam que existe uma banda croata chamada Scarsouls? Eu mesmo ao acessar o web-site de vocês cometi um erro e fui surpreendido. Vocês tinham conhecimento desse fato?

Rogério Segall - Sim sabemos, mas nosso Scars Souls é mais antigo. Mandamos um e-mail há milênios atrás para eles, porém não obtivemos resposta (normal). Mas como a grafia do nome é diferente (eles escrevem The Scarsouls) e o estilo do som também é outro, achamos que não haveriam maiores problemas.

Andréa Palmieri- Esse erro ao acessar o nosso website que você comentou, acontece algumas vezes pois algumas pessoas esquecem de colocar os "dois esses" no meio do nome da banda, transformando em uma palavra só, e acaba acessando o site deles ou as vezes é apenas um erro de digitação que já aconteceu até com os membros da banda. O site deles já recebeu muitas visitas por nossa causa.(Risos)

Andréa Palmieri- O Scars Souls manteve-se ativo desde "Troia", com alguns shows. Mas o hiato de 8 anos entre este CD e "Highbreed" não pode ser desconsiderado. Além das mudanças de formação ocorridas, o que levou a banda a demorar tanto tempo para produzir um sucessor?

Rogério Segall - Foram diversos problemas, porém não "grandes problemas". Nesse meio tempo meu irmão Ricardo Segall (baixista) deixou a banda, demoramos um tempinho para achar um substituto, ai o Ricardo Piccoli entrou e retomarmos os ensaios. Enquanto isso eu casei e depois tive uma filha. Andréa sofreu uma perda em família que a afetou muito e, após muita coisa, Ricardo Piccoli mudou-se para São Paulo, onde também teve uma filha. Com tudo isso, e sendo uma banda independente, tivemos que dar um "aperto" nos gastos com estudio, gravações, etc.. Então o Highbreed teve de ser gravado aos poucos, parte no estúdio Fast Forward e parte no estúdio do Ricardo Piccoli que foi o produtor do álbum.

Andréa Palmieri- Para se ter uma idéia Highbreed foi composto em 2001, gravado em 2004, mixado e masterizado em 2005 para ser finalmente lançado em 2006. Essa demora nos levou a uma gravadora então... no regrets there (risos), na época sim, mas agora não!

WHIPLASH! - Alguma destas composições chegou a ser escrita antes da formação do atual "line-up"?

Rogério Segall - Sim, as músicas "Parallel Systems" e "Feelings" foram compostas quando meu irmão ainda fazia parte da banda e há muito dele nestas duas músicas.

WHIPLASH! - E como foram escolhidos os membros que ingressaram na banda e hoje fomam o Scars Souls depois dos shows de "Troia" ?

Rogério Segall - Já conhecíamos o Ricardo Piccoli. Ele tocava com alguns amigos e após o primeiro ensaio ele já estava no Scars Souls. (risos) Atualmente contamos com o Reinaldo Araújo (ex-Endless), outro amigo de longa data (na verdade ele nos acompanha desde o primeiro CD), visto que a mudança de cidade de Ricardo impossibilitou sua permanência na banda,

Rogério Segall - Reinaldo topou se juntar a nós e estamos adorando o resultado. Ainda estamos em família. Essa é a sensação.

WHIPLASH! - Falando sobre o novo CD, o mesmo vem num luxuoso "slipcase" e com um trabalho gráfico muito bem feito. Como surgiu essa idéia?

Rogério Segall - O designer Jobert Mello (www.jmellodesign.com) foi quem fez toda a parte gráfica, o Alien da capa foi originalmente desenhado em P&B por William Nadler que fez exatamente aquilo que a Andréa queria na época de concepção das idéias.

Rogério Segall - Jobert redesenhou tudo digitalmente e criou o resto todo. Ele se baseou nas letras das músicas e no tema do CD, mas as idéias foram todas dele e ficamos muito satisfeitos com o resultado. A idéia do "slipcase" veio da própria gravadora que investe pesado em seu profissionalismo. O Sleepwalker Sun já tinha uma linda arte com "slipcase" e eles quiseram que nós também tivéssemos o mesmo tratamento. Uma marca da gravadora que quer que seus lançamentos sejam muito bem recebidos pelo mercado externo.

Andréa Palmieri- A banda acabou se surpreendendo com o resultado, ficou bem de acordo com o que nós queríamos. Agora, Jobert está finalizando nosso novo website e estamos ansiosos pelo resultado.

WHIPLASH! - E como vocês chegaram a Masque Records? Acham que a mesma pode dar a banda a mesma divulgação que permitiu que o Scars Souls fosse conhecido fora do Brasil?

Rogério Segall - Eu vi uma propaganda da Masque em uma revista anunciando a banda Sleepwlaker Sun. Achei interessante e entrei resolvi entrar em contato com eles através de um amigo em comum. Nos encontramos e entreguei um "advanced" do HIGHBREED com a promessa de que ouviriam e entrariam em contato. Para minha completa satisfação o CD foi muito bem aceito e a assinatura do contrato foi uma união muito positiva de idéias e vontades. Estávamos loucos para liberar logo o material e a fase entre a busca por uma gravadora e o lançamento propriamente dito deixa toda banda independente com aquela sensação de "perder tempo" aguardando alguma coisa. Com a Masque foi tudo no timing certo. " Queremos ouvir, ouvimos, gostamos muito do que ouvimos e queremos... welcome" (risos)

Andréa Palmieri- Acreditamos muito no trabalho da Masque. Todos são empenhados no que acreditam e você sente aquela vontade de crescer junto. Não temos o que reclamar de nossa gravadora, o contato com eles é memorável e a resposta mais ainda. São sérios e extremamente interessados. E o melhor de tudo, eles gostam daquilo que vedem o que é um grande diferencial em termos de trabalho. Torna tudo um resultado de esforço mútuo pelo bem comum.

WHIPLASH! - "Addiction" mostra que a banda ainda calca seu estilo no prog-metal, mas agora os riffs estão bem mais old school, com uma pegada bem mais anos 80. Isso foi intencional?

Rogério Segall - Sim gosto muito das bandas dos anos 80, Iron Maiden, Fates Warning etc. Porém gosto de dar uma roupagem mais moderna. Addiction tem uma pegada enérgica e queríamos que CD começasse com força mesmo. Refrão forte mas com clima de "seja bem vindo e volte". (Risos)

Andrea Palmieri é uma boa vocalista, e foge do tradicional estereótipo de cantoras líricas que surgiu no final dos anos 90. Quais são suas influências como cantora e o que você faz para desenvolver sua voz?

Andréa Palmieri - Gosto muito de cantoras líricas, porém minha inspiração vem do rock e de vocalistas como Leather Leone. Adorava ouvir Chastain. Gosto de uma pegada mais "guerreira" do que "frágil".

Andréa Palmieri - Minhas paixões, em sua maioria, são vocalistas masculinos. Adoro Damian Wilson, Geoff Tate e meu favorito e adorado Russel Allen, ou seja, homens que tem vozes bem características e marcantes. Quanto ao estilo não me importa. Metal, Rock, Hard, PowerPop, whatever. (Risos) Também escuto coisas diversas, de King's X e Threshold a Dimmu Borgir e Fear Factory. Tive aulas de canto com uma professora maravilhosa e hoje em dia faço exercícios para manter a voz, diafragma, desenvolvimento de controle e alcance. Nada muito puxado como gostaria na verdade, mas nunca, nunca canto sem aquecimento e nunca deixo de fazer meu relaxamento das cordas após cantar. Coisas que fazem bastante diferença e que não tomam tanto tempo assim.

WHIPLASH! - Ao mesmo tempo "Feelings" e "Solitute" tem uma forte influência do Dream Theater. Como vocês analisam o trabalho desta banda, e as constantes mudanças na sonoridade dos norte-americanos? Isso de alguma maneira influencia o Scars Souls?

Rogério Segall - Dream Theater é uma ótima banda e nós gostamos muito, porém acho que parte de nossas influências são as mesmas, daí uma possível semelhança. O cenário americano sempre teve seus altos e baixos. Algumas bandas levam isso ao extremo. Não acho que forçar a barra para ter uma certa sonoridade seja algo natural, mas muitas bandas se calcam nisso na esperança de se firmarem em um estilo definido. Uma coisa é o trabalho de uma banda e outra coisa são os músicos individualmente. O Dream Theater é extremamente competente, por isso têm tantos fãs. Mas acho que super expor-se é uma faca de dois gumes.

Rogério Segall - De qualquer forma, cada um desenvolve suas idéias e vontades de maneiras diferentes. Quanto à "Feelings", na verdade, acho que tem uma coisa de Rush por causa dos vocais. Andréa sempre foi louca por Geddy Lee e muitas vezes não se consegue fugir daquilo que está enraizado em você. "Solitude" já é uma música com profundo sentimento de tristeza e determinação. Isso em nada tem a ver com "Feelings" que "fala" mais de paixão em si.

WHIPLASH! - Agora uma curiosidade: as faixas "Inori" e "Yokan" tem uma conexão, bem mais intensa do que apenas terem seus títulos em japonês. Qual foi a intenção da banda em registrar essas duas faixas? Vocês concordam que o rock progressivo foi um estilo bem presente nessas faixas em particular?

Andréa Palmieri - Basicamente são elas que contam a história do CD. A "Inori" é como se fosse a musica de abertura de um filme e "Yokan" o desfecho dele. Quanto à presença de prog nessas faixas, sim temos total consciência, mas quando compomos, nos preocupamos de dar o que a música está pedindo. Se o processo fica muito "matemático" fica sem "feeling". E gostamos que passar sentimentos em nossas músicas.

Rogério Segall - Todos na banda tem uma forte influência de rock progressivo isso é inegável. Mas todas as vezes que isso aparece na música que estamos compondo é uma coisa natural. Nada premeditado ou feito "para soar" de determinada maneira. Sempre nos preocupamos com a sinceridade das nossas composições.

WHIPLASH! - O CD mostra um lado conceitual bem intenso no referente ao ser humano, suas paixões, sucessos e decepções. Como vocês desenvolveram esse conceito e existe algo de pessoal nele?

Andréa Palmieri - As letras do álbum foram todas compostas por mim como se fossem o roteiro para um filme de ficção, muitos problemas reais do nosso cotidiano estão nele, mas nada de pessoal. Eu procurei colocar um pouco de que cada um de nós passou com o início de uso da internet. No início de tudo quando ter internet em casa era uma coisa para poucas pessoas, o fato de conseguir ter informações do mundo e poder praticar seus conhecimentos de outras línguas direto de casa, sem precisar viajar deixou muita gente extasiada. Tentei falar disso sem poder me estender muito por causa do tamanho do CD. Depois, a coisa de se apaixonar por alguém, ter grupos de amigos que nunca se encontram realmente e etc... É tudo muito bom, mas muito triste se você percebe depois de certo tempo que na verdade, está sozinho.

WHIPLASH! - A banda já fez alguns shows. O que vocês podem adiantar sobre esses eventos?

Rogério Segall - Fizemos o show de lançamento em Niterói-RJ e este foi a estréia do Reinaldo Araújo (baixista), mas já estamos agendando os próximos. Estamos "organizando" um show com outras bandas para tocar em São Paulo. Nada certo ainda, mas estamos nos preparando para tocar lá. Andréa ficou viciada em São Paulo e por causa dos anos de banda, queremos "conhecer" de perto muitos amigos que nunca tivemos a oportunidade até hoje. Fora isso, estamos empenhados na divulgação do lançamento do CD.

WHIPLASH! - E já há planos para mais shows em 2006?

Andréa Palmieri - Sim! Queremos fazer muitos shows! Estamos aceitando convites, e projetos.... fora os que já temos. (risos)

WHIPLASH! - "Troia" e o primeiro CD foram bem recebidos no exterior. Como tem sido a resposta a "Highbreed". Já pintou algum convite para shows fora do Brasil?

Rogério Segall - Como o CD é bem recente ainda não pintaram convites para shows fora do Brasil. Estamos contudo muito satisfeitos com a aceitação dele lá fora. Temos notícia que a primeira prensagem já está quase esgotada só com o envio para EUA, Europa e América Latina mesmo. O que precisamos agora, é do apoio que a própria WHIPLASH está nos dando (risos).

Rogério Segall - As pessoas precisam saber que o CD está bom, indo de vento em popa! É hora de divulgar!

WHIPLASH! - Uma curiosidade: o prog-metal, assim como todos os estilos musicais, vem passando por uma fase de transição, algo que é de certa maneira capitaneado por bandas como Dream Theater, Fates Warning, e Threshold. Vocês acham que o prog-metal está com seus dias contados, dado o grande número de bandas que surgem a cada dia no cenário?

Rogério Segall - Acredito que não pois é um estilo muito versátil e que engloba muitas influências porém não é um tipo de som para tocar no rádio, não é uma musica de rápida assimilação e também é muito discriminada pelo talento de seus músicos que muitas vezes são chamados de exibicionistas e coisas do gênero. Mas por outro lado tem fãs muito fiéis ao estilo e muitas bandas de qualidade.

WHIPLASH! - Falando ainda sobre o prog-metal, nota-se que cada vez mais, excetuando os grandes nomes, o estilo parece fardado ao underground. Como mudar essa situação?

Rogério Segall - Como falei na resposta anterior é um estilo muito discriminado e também surgem muitos aproveitadores que só querem mostrar que tocam bem e esquecem da composição em si. Mas por outro lado acredito que devam surgir novas bandas e que o estilo deva ir se renovando gradualmente.

WHIPLASH! - Obrigado pela entrevista e sorte com o novo CD. O espaço é de vocês para sua mensagem final.

Rogério Segall - Agradecemos a Whiplash e a você pelo espaço e convidamos todos a visitarem nosso website: www.scarssouls.com e escutar nossas músicas na nossa página no myspace: www.myspace.com/scarssouls

Rogério Segall - Caso não encontrem o Cd em uma loja perto podem acessar www.masquerecords.com.

Andréa Palmieri - Super obrigada Rafael e pessoal da Whiplash. Também agradeço ao pessoal da Masque Records e a todos que tornaram "HIGHBREED" possível (parece até prêmio de academia - risos), mas quero que as bandas que estão começando agora entendam que, o tempo delas é agora... Perseverança e garra são muito importantes mas consciência também. Apostem, dediquem-se, também quero ver seus shows! Cheerzzzzzzzz!




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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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