Amorphis: "Há espaço para todas as bandas na Finlândia!"
Por Rafael Carnovale
Postado em 06 de agosto de 2006
Há 14 anos na ativa, o agora sexteto Amorphis (Tomi Joutsen nos vocais, Tomi Koivusaari e Esa Holopainen nas guitarras, Niclas Etelavouri no baixo, Santeri Kallio nos teclados e Jan Rechberger na bateria) chega com mais um CD, e novamente promovendo mudanças em sua sonoridade, que começou mais death no CD "Tales Of a Thousand Lakes", e foi aos poucos adquirindo contornos mais melódicos. Conversamos com Tomi (o guitarrista), que apesar de ser um tanto quanto lacônico, respondeu a todas as perguntas de forma bem solícita, falando sobre o novo CD e os rumos desta talentosa banda finlandesa (que não é de metal melódico, acredite!).
Entrevista concedida ao portal Mundo Rock (http://www.mundorock.net):
Mundo Rock – Desde "Elegy" (1996) a banda passou por várias mudanças e estas parecem ter atingido o ápice neste novo trabalho. Como você vê todo esse processo?
Tomi – Evolução? Sim... concordo. Mudamos muito durante os anos, mudamos de integrantes, a filosofia da banda mudou em parte. E tenho que creditar isso também a nossa evolução natural como músicos. Mudamos sim, esta é uma banda completamente nova, mas que não esquece de seu passado.
Mundo Rock – Você concorda com as pessoas que consideram o Amorphis como uma banda de death-metal melódico?
Quanto a parte melódica eu concordo... mas sobre o death-metal acho que não. (Risos).
Mundo Rock – Tomi fez sua estréia nos vocais neste novo CD. Como foi a saída de Pasi e a entrada do novo cantor?
Tomi é um grande cara... ele tocava em bandas de amigos. Testamos alguns candidatos, mas não achamos algum que se encaixasse na banda. Aí pensamos em Tomi, e foi surpreendente, porque não precisamos sequer ensaiar ou testar... uma ou duas músicas depois ele já estava integrado a banda.
Mundo Rock – Falando sobre "Eclipse", "Two Moons" me lembrou muito os bons sons de "Elegy"? Você concorda que este CD de 1996 marcou época na história da banda?
Com certeza! "Elegy" foi o começo de várias mudanças, e até hoje é um CD do qual nos orgulhamos muito. Com ele agregamos mais melodias, e vislumbramos a chance de ser uma boa banda de rock and roll. É normal que algumas canções tenham inspiração neste álbum.
Mundo Rock – "House Of Sleep" é mais heavy tradicional e tem bons riffs. Vocês pensam em focar mais o heavy tradicional em futuros CD’s de estúdio?
Definitivamente. Tomi escreveu esta faixa, e gostamos muito dela. A atmosfera heavy metal nos agrada muito, e funciona perfeitamente com o som que estamos fazendo hoje. Não tenho dúvidas de que incorporaremos mais heavy metal no futuro.
Mundo Rock – E ao mesmo tempo o álbum apresenta grandes momentos acústicos como "The Smoke", que até podem ser considerados góticos. Você concorda com isso?
Já me falaram sobre isso, mas sinceramente, nunca parei para pensar. Se funciona para mim, tanto faz qual seja o estilo... mas ouvi comentários a esse respeito... até posso averiguar mais profundamente, mas não é algo que me preocupe.
A turnê de "Eclipse" promete ser bem interessante, pois vocês têm um espectro musical bem amplo para por no palco. Já pensaram como será elaborado o set básico dos shows?
É algo que iremos decidir durante os shows. Nos festivais não há muito a se fazer, devido ao curto tempo que temos para tocar, mas pensamos em fazer algo bem abrangente, como você citou, com esse espectro bem amplo.
Mundo Rock – "The Smoke" e "House Of Sleep" foram escolhidos para singles. Qual foi o critério adotado para estas escolhas?
A gravadora sugeriu um e sugerimos outro. Então "The Smoke" ficou para segunda opção, depois do lançamento de "House Of Sleep". Funcionou bem e agradou a todos. (Risos)
Mundo Rock – A Finlândia vem se tornando um berço de bandas de metal melódico como Sonata Arctica, Stratovarius e Thunderstone. Você acha que uma banda veterana como o Amorphis, e com uma sonoridade bem distinta pode ter seu espaço nessa cena?
Como você disse, somos bem mais antigos, e temos nossos fàs. Eles vêm nos seguindo, e aceitando bem as mudanças que ocorreram ao longo dos anos. Há espaço sim, porque os fãs de melódico vez por outra querem conhecer algo diferente, e estamos aí para isso. Somos todos bons amigos.
Mundo Rock – "Elegy" foi lançado no Brasil, assim como "Tuonela" e o mais recente CD. Planos para shows aqui?
Infelizmente não. Mas primeiramente queremos tocar na Europa, no inverno europeu. Depois se pintar algo será ótimo.
Mundo Rock – Tomi, obrigado pela entrevista e parabéns pelo novo CD!
Obrigado a você e mande um abraço aos fãs brasileiros. Espero poder vê-los em breve, e mostrar tudo o que é o Amorphis para o Brasil.
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