Heavenfalls: Sucesso absoluto e novo ícone do metal nacional

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Por Paulo Finatto Jr.
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O Heavenfalls recebeu bons elogios quando de sua estréia com "Ethereal Dreams". Shows com nomes importantes, incluindo o Iron Maiden, seguiram-se. Porém, o êxito do debut fora logo colocado a prova na expectativa do segundo álbum. Desta forma, ao lado do produtor Sidney Sohn, e via Hellion Records, o grupo lançou "Reality In Chaos", obra minuciosa, praticamente impecável, e de alta qualidade musical, gráfica, e conceitual. A conseqüência foi o sucesso absoluto do trabalho, imediatamente aclamado por mídia e fãs. Já entre os novos grandes do metal nacional, os líderes Victor Montalvão (guitarras) e Sabrina Carrión (vocais) bateram um papo direto com o Whiplash!, e não deixaram ponto sem nó... sobrou até para Gilberto Gil.

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Whiplash! - Após certo espaço de tempo em relação ao lançamento de "Ethereal Dreams", quais foram os resultados deste álbum tanto em termos de público quanto de crítica?


Sabrina Carrión - O "Ethereal Dreams" foi o início de tudo. O principal papel dele era mostrar a que viemos, e acho que cumprimos nosso propósito. A repercussão foi excelente na época e isto vem ecoando até os dias de hoje com o lançamento do "Reality In Chaos", pois muitas pessoas ainda têm interesse em comprar o primeiro álbum e pedem músicas dele em nossos shows.

Whiplash! - "Ethereal Dreams" chegou a ser comercializado fora do país? E quanto a "Reality In Chaos"? A banda conseguiu algo de concreto que viabilizasse o lançamento do álbum no exterior?

Victor Montalvão - Isso vem sendo negociado pela nossa gravadora, a Hellion Records. Houve algumas propostas de licenciamento fora do país, porém, para algumas delas optamos esperar um pouco mais. O "Ethereal Dreams" foi licenciado por um selo da América Central com distribuição na América do Norte também, porém aconteceram alguns problemas e o álbum ainda não foi lançado por lá.

Whiplash! - Apenas vocês dois, Sabrina e Victor, permancem da formação que gravou o primeiro álbum. Quais foram os motivos que levaram à realização de mudanças e a vocês contarem hoje com os novos membros Pedro Mota (guitarra), Carlos Jannarelli (baixo), José Luiz Faulhaber (teclado) e André Andrade (bateria)?

Sabrina - Os motivos são muitos e variados, mas todas as mudanças foram necessárias. O legal é que mantemos uma relação muito boa com os ex-membros e conseguimos, no final das contas, formar um grupo muito unido e dedicado.

Victor - Sempre nos importamos muito com a questão da união e de estarmos todos felizes com o trabalho. Só assim conseguimos mostrar ao nosso público um som verdadeiro e feito com amor!

Whiplash! - Musicalmente este novo álbum tem sensíveis diferenças. Percebemos uma banda mais pesada, agressiva, e progressiva. Isso se deve ao crescimento natural de vocês ou é uma característica marcante desta nova formação do Heavenfalls?

Sabrina - As duas coisas. Inevitavelmente vamos amadurecendo com o tempo, após certas experiências. A mudança na formação possibilitou que todas as novas idéias fluíssem sem grandes problemas. Sentimos a necessidade de mudar um pouco nossa sonoridade e mostrar mais nossas influências pessoais.

Whiplash! - "Reality In Chaos" contou com a produção de Sidney Sohn, músico conhecido no Rio de Janeiro e que já tocou com o Thoten. Como foi este trabalho e o que ele pôde trazer para o som da banda?


Victor - Eu sempre falo que esse cara foi peça fundamental em todo o processo! Desde quando começamos a trabalhar no novo álbum em 2003, e só estávamos eu, Sabrina e o Fabio na banda, decidimos que trabalharíamos com ele. Daí em diante ele acompanhou todo o processo de composição, mudanças de formação, negociação com gravadora, etc. Inclusive trabalhou fazendo nosso som em alguns shows como a abertura para o Iron Maiden no Rio de Janeiro. Isso tudo possibilitou um grande entrosamento e ele, como ninguém, conhecia nosso trabalho e nossos objetivos. Entrou com tudo para somar e fez esse excelente trabalho que é o "Reality In Chaos".

Sabrina - O Sidney é 100%. Foi muito divertido gravar com ele, pois ele é uma daquelas raras pessoas que conseguem ser competentes e bem humoradas ao mesmo tempo (risos). Era muito engraçado, cada dia ele vinha com alguma novidade, algum papo nada a ver, no meio da gravação, daí caíamos na gargalhada e voltávamos para o que estávamos fazendo na maior naturalidade (risos).

Whiplash! - Este é o segundo álbum do Heavenfalls lançado pela Hellion Records. Como está sendo trabalhar com essa gravadora que é considerada hoje uma das que mais apóia o heavy metal brasileiro?

Victor - Tem sido um relacionamento bastante positivo e, principalmente, produtivo. Há apoio, e fazemos o nosso melhor. Estamos com alguns projetos para 2006, e espero podermos colocá-los em prática.

Whiplash! - Por falar em apoio, recentemente Sabrina participou da coluna "Pela Ordem" do Whiplash! falando sobre política. Na visão da banda, o que o Governo poderia fazer em nome da cultura, da música e principalmente em nome do heavy metal aqui no Brasil?

Sabrina - O governo poderia fazer tanta coisa, principalmente pelo Heavy Metal, que não tem representação em nenhum grande meio de comunicação. É incrível como podemos continuar excluídos em nosso próprio país após o Sepultura ter mostrado ao mundo inteiro a qualidade do som pesado brasileiro. Se o Gilberto Gil já não fosse uma pessoa pública antes, ninguém nem saberia que temos um Ministro da Cultura.

Victor - Concordo com a Sabrina. O Ministério da Cultura nunca esteve tão em evidência como está agora, e acho que o grande responsável é realmente o nosso Ministro. O que ele tem tentado principalmente é mostrar a cultura Brasileira para os "gringos" com a MPB, o Samba, a Bossa e por aí vai. Infelizmente o heavy metal no Brasil é música "de gringo" e não música brasileira, logo não seria um produto de exportação rentável para nosso governo. Com isso, e enquanto não tivermos uma mobilização de empresários (selos, gravadoras, logistas, etc) e investidores (promotores de shows e eventos) para nosso meio musical, ninguém abrirá os olhos para nós. Enquanto esses e o público brasileiro que curte Rock não valorizarem o produto nacional, as coisas não vão mudar, e não vai ser o Presidente, o Ministro ou seja lá quem for que vai conseguir mudar isso. Portanto, apóiem as bandas nacionais! Paguem 20 reais e assistam a um show com bandas nacionais, no mesmo nível ou até melhores do que de bandas que vêm aqui e você precisa pagar 120 reais para ver o show! Valorizem o metal nacional!

Whiplash! - Voltando a falar de "Reality In Chaos"... uma pergunta que sempre gosto de fazer: qual relação podemos estabelecer entre a capa e o título do álbum?


Sabrina - A capa do "Reality In Chaos" está diretamente relacionada ao título do álbum e às músicas contidas nele. O nascer do sol, o homem pensativo encima do penhasco e a tempestade na contracapa do CD, tudo isto simboliza o renascimento do ser humano, como uma pessoa melhor após momentos de dificuldades e escolhas cruciais.

Whiplash! - Como vem sendo a recepção do público, e quais as músicas de "Reality In Chaos" se destacam para vocês mesmos?

Sabrina - Percebo que o novo álbum teve uma ótima aceitação do público. Até agora só recebemos elogios e estamos conquistando novos fãs, principalmente pessoas que nem nos conheciam. As músicas que vêm recebendo maior destaque da mídia e do público, como "No Sorrow", "Masquerade Down", e "Evolution", também estão entre as nossas favoritas. Porém, a minha peferida é a "Awakening". Foi a música que mais gostei de gravar e a que mais gosto de ouvir.

Victor - Sempre brinco dizendo que músicas são como filhos! Cada uma tem algo especial que nos cativa, e amamos todas por igual. Mas também tenho "Awakening" como minha favorita. Escrevi essa música num momento complicado da minha vida e ela aparece hoje como uma mensagem para mim mesmo!

Whiplash! - O ano de 2006 tem tudo para o ser o ano do Heavenfalls, pelo menos quanto a shows. A banda acaba de se apresentar com o Shaaman na abertura da Reality In Tour 2006. Contem-nos sobre esse show, a reação do público em relação às novas músicas, e também ao Heavenfalls...


Sabrina - Esse show foi a melhor coisa que já nos aconteceu! Realmente tivemos um tempo legal pra tocar e uma recepção fora do comum do público. Vendemos muitos CDs, ganhamos novos fãs e nossa comunidade no Orkut e os acessos ao site aumentaram muito. Também nos divertimos ao lado do Shaaman. Eles são pessoas maravilhosas.

Whiplash! - O que o público e os novos fãs podem esperar quanto a futuras apresentações da banda? Teremos material dos dois álbuns?

Sabrina - Os fãs podem esperar por muita energia e interação com o público.

Victor - E muito metal!!! O set list dos shows traz material dos dois álbuns, mas enfatiza o "Reality In Chaos". Alguns promotores de show vêm fazendo contato com a nossa produção e estamos aguardando o fechamento de novas datas. Nosso objetivo é tocar bastante e divulgar nosso trabalho!

Whiplash! - Voltando às músicas: "Go Away" é uma das minhas composições favoritas do álbum, e é creditada como uma "faixa especial". Qual o motivo para esse destaque?

Sabrina - Essa música foi uma idéia que partiu do nosso produtor. Ele sugeriu que compuséssemos algo num estilo diferente, mostrando um outro lado nosso como compositores. Como "Go Away" não foi composta propriamente para o álbum, decidimos destacá-la como uma faixa especial.

Victor - É uma música que mostra um lado mais moderno do Heavenfalls, um momento realmente único no CD, através do qual podemos mostrar influências diferentes e uma outra forma de compor e tocar.

Whiplash! - Uma pergunta em particular para Sabrina: já vi você dizer que o heavy metal é um meio machista. Na sua opinião, essa situação persiste mesmo após Nightwish & cia? O que mudou ou poderia mudar pra melhor?


Sabrina - Eu realmente disse isso recentemente e, infelizmente, rola um certo machismo no heavy metal sim. Ainda existem pessoas que não aceitam mulheres no meio metal, e muitos gostam de inferiorizar nossa participação na cena. Por outro lado, sei da parcela de culpa que nós, mulheres, também temos. Apesar desse aumento de mulheres em bandas de metal, poucas realmente se portam como deveriam. Poucas realmente amam o Heavy Metal ou são ativas em suas próprias bandas, participando do processo de composição. Infelizmente a moda é se portar como "diva" e receber adoração por sua beleza divina (risos). Isso não é pra mim!

Whiplash! - Obrigado pela entrevista, parabéns pelo enorme sucesso de "Reality In Chaos". Este espaço final fica aberto a vocês...

Sabrina - É um enorme prazer estar aqui de volta ao Whiplash!, que como sempre digo, foi o responsável pela nossa primeira conquista no meio musical. Gostaria de convidar todos vocês a visitarem nosso site oficial www.heavenfalls.com.br. Sejam fiéis ao Heavy Metal que ele nunca os desapontará. Um grande beijo pra todos! "Rock on!!!"

Victor - Obrigado pelo apoio! Fiquem ligados no site porque quem ainda não ouviu o "Reality In Chaos" poderá ouvi-lo em breve na íntegra!

Heavenfalls Site Oficial: http://www.heavenfalls.com.br




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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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