Entrevista MxPx: Mike Herrera comenta novo CD Panic e a cena punk rock

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Por Rafael Carnovale
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Na ativa a 13 anos, o trio MxPx vem contabilizando uma sólida reputação no meio "punk" norte americano. A banda, que procura ter uma abordagem social e religiosa em suas letras, resolveu dar a volta por cima e retornar as raízes do "punk-rock" anos 70, como comprova seu mais recente CD, "Panic", lançado no Brasil pela Deckdisc. Batemos um papo via email com o baixista e vocalista Mike Herrera, que apesar de ser um pouco contido, deu declarações interessantíssimas que merecem uma conferida. Completam o time o guitarrista Tom Winslewski e o baterista Yuri Ruley.

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Whiplash! – "Panic" é considerado como um novo horizonte para o MxPx, porque incorpora alguns novos elementos ao estilo da banda. O que você poderia comentar sobre este novo CD?

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Mike Herrera – Acho que o mais legal de "Panic" é que ele mostra que dentro do que chamamos de punk rock podemos fazer várias coisas, experimentar diversos elementos, sem perder a essência do estilo.

Whiplash! – Os anos 90 presenciaram uma "explosão" punk, com o sucesso de bandas como Offspring e Green Day. Como você analisa este súbito "crescimento" e no que acha que o MxPx pode ter sido beneficiado?

Mike Herrera – Definitivamente isso nos ajudou. Quando estas bandas entraram no "mainstream", direta ou indiretamente elas acabaram puxando as outras com elas para obterem uma exposição, já que os fãs de Green Day e Offspring iriam certamente querer conhecer outras bandas punks, até para ver se eram similares. Definitivamente foi bom para todos nós.

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Whiplash! – Você uma vez declarou que mensagens cristãs têm conexão direta com o "espírito punk". O que quis dizer com isso?

Mike Herrera – O verdadeiro cristianismo luta contra o que as massas dizem que é certo. O punk na minha opinião também tem esse espírito de luta e rebelião.

Whiplash! – O DVD / CD "B-Movie" não contém um show completo, mas apresenta um documentário interessante sobre a banda. Por que não foi inserido um show neste DVD?

Mike Herrera – Porque a intenção era dar as pessoas um pouco do que é o MxPx no seu dia a dia, nas turnês. Mas é claro que queremos um dia disponibilizar um show completo, para que quem nunca nos viu ao vivo possa saber como somos em um palco.

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Whiplash! – Falando sobre o novo CD, "Heard That Sound" apresenta alguns elementos hard rock incorporados ao punk rock. Você tem influências de bandas como Deep Purple ou Led Zeppelin?

Mike Herrera – Não conheço o Deep Purple, mas respeitamos muito Led Zeppelin, mas falar que existe algum tipo de influência é algo complicado. Talvez algumas guitarras, mas não sei dizer isso corretamente.

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Whiplash! – "Cold Street" tem elementos do hardcore. Vocês já tocaram com bandas do estilo, como Agnostic Front ou Hatebreed, que fizeram recentemente uma turnê conjunta pelo Brasil? O que você acha das bandas straight-edge?

Mike Herrera – Nunca tocamos com o Agnostic Front, mas amamos bandas como Minor Threat e Gorilla Biscuits. Sobre as bandas straight-edge, se o som for legal, para mim está bom.

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Whiplash! – Algumas vezes o punk-rock flerta descaradamente com o pop. "Howling At The Moon (Sha-La-La)" dos Ramones e alguns CDs dos anos 90 dos Cramps são bons exemplos. Você acha que, pegando como exemplo "Wrecking Hotel Rooms", ambos os estilos podem ser combinados sem perder a essência da banda?

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Mike Herrera – Sem dúvida. Uma boa música é uma boa música independente de como você a tenha escrito ou composto. O pop, se bem usado, ajuda muito a engrandecer o punk-rock.

Whiplash! – Você considera "Panic" como um CD experimental? O press-release diz que vocês queriam levar a banda a outro nível... fale mais sobre isso...

Mike Herrera – Vejo este novo CD como um recomeço para nós, pois sempre estivemos em diferentes estilos dentro de nossa carreira. "Panic" é um mostruário do que somos agora e do que temos sido durante todos esses anos.

Whiplash! – Finalmente a banda tem uma boa distribuição no Brasil. Há planos para tocar aqui em 2006?

Mike Herrera – Nos divertimos muito na última vez que tocamos por aí. Queremos ir e vir sempre, se houver uma luz no fim do túnel que nos leve para o Brasil, iremos de cabeça!

Whiplash! – Aqui no Brasil alguns fãs dizem que o punk rock está morto, porque bandas importantes para o estilo encerraram atividades ou mudaram radicalmente seu jeito de tocar. Você concorda que o cenário punk vem passando por uma época de mutação?

Mike Herrera – Com certeza. Acho que as bandas vêm mudando constantemente, e cada nova banda que aparece traz um "mix" novo de influências. Gosto disso, pois aumenta o número de fãs interessados, e isso acaba fazendo com que as bandas mais antigas sejam reconhecidas.

Whiplash! – Mike, obrigado pela entrevista. O espaço é seu para deixar uma mensagem para os visitantes do WHIPLASH! Rocksite:

Mike Herrera – Muito obrigado por ouvirem nossa música. Queremos estar com vocês em breve e olhar no olho de cada um para dizer um "muito obrigado" de coração!

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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