Vitalij Kuprij: Entrevista exclusiva com o tecladista ucraniano

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Entrevista, texto e tradução:

Thiago Corrêa Sarkis

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A carreira de Vitalij Kuprij no rock começou timidamente com o debute do Artension, "Into The Eye Of The Storm". Indubitavelmente um bom álbum que nunca recebeu a merecida atenção.

Algum tempo depois, viria a grande explosão na carreira deste pianista/tecladista ucraniano, com o lançamento de seu primeiro disco solo intitulado "High Definition". Acompanhavam-no, na época, Greg Howe (guitarras e baixo) e Jon Doman (bateria). Para muitos, no âmbito do metal neoclássico, essa estréia é considerada como a terceira grande sensação nascida do estilo, ao lado do início da Era Yngwie J. Malmsteen e do fenomenal Jason Becker.

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O fato é que Vitalij, em sua empreitada solo, já trouxe as influências progressivas de sua banda, e também da onda que acabava de arrebentar naquele período, e que ainda se encontra em alta. Isso chamou a atenção de músicos e críticos ao redor do mundo, quebrando algumas barreiras, e dando vida a um estilo saturado com tantos clones de Malmsteen.

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Recentemente o virtuose estava tocando no super grupo Ring Of Fire, ao lado de Tony MacAlpine (guitarras), Mark Boals (vocais), Virgil Donati (bateria) e Philip Bynoe (baixo). Uma formação assustadora, a qual, no entanto, deixou a desejar para algumas pessoas.

Nessa entrevista, Kuprij comenta sobre sua saída do Ring Of Fire e as razões para tal acontecimento. Sem ‘muita’ modéstia, fala também de seu talento, do cenário musical, as ‘disputas’, invejas, etc. E ainda dá uma brecha sobre o que poderá vir no transcurso de sua carreira.

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WHIPLASH! - Você saiu do Ring Of Fire logo após o lançamento de "Dreamtower". Quando você decidiu fazer isso? Quais foram as reais razões e qual a reação dos outros membros diante disso?

VITALIJ KUPRIJ / Eu planejei deixar a banda depois da turnê no Japão, a qual foi muito bem-sucedida. Porém, eu precisava seguir em frente com vários de meus projetos, que exigirão muito trabalho, tempo, etc. Eu não me comuniquei com nenhum dos membros, já que todos somos músicos muito ocupados. Apenas escrevi um email para Mark Boals e disse a ele que eu sairia da banda e que ele deveria começar a procurar por outro tecladista. Depois disso, não tive qualquer retorno da parte dele. Agora, sobre sua questão, novamente, a razão para a minha saída foi o que mencionei: tenho muitos projetos encaminhados para minha carreira, os quais vão demandar muito tempo e o Ring Of Fire era uma nova banda que formei com Mark Boals. A banda é basicamente nova e é por isso que senti que seria uma decisão certa para mim de sair e continuar com o Artension, onde eu tenho uma longa história, que construí desde 1996. Isso é tudo.

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WHIPLASH! - A banda ia muito bem no Japão, certo? Vocês eram como estrelas lá? Como era a relação com os fãs japoneses?

VITALIJ / Era incrível. Os japoneses são pessoas muito educadas e amáveis, o que é algo muito importante pra que eu veja, experimente, e me sinta envolvido. Os negócios do rock são extremamente sujos e essa é uma indústria sórdida, onde muitas pessoas de gravadoras e também músicos têm atitudes egóicas e agem como estrelas do rock. Isso é difícil de entender e lidar para mim. Eu gosto de estar cercado de pessoas simpáticas, elegantes. A música clássica, a qual é minha principal carreira desde os cinco anos de idade, tem um jeito bem conservador e essa é outra razão do porque ser importante estar cercado por esse tipo de pessoas. Então, sim, o Japão foi sensacional, e eu suponho que nós realmente nos sentimos como estrelas, mas isso porque os fãs nos fizeram sentir assim, com o apoio e dedicação à nossa música. Foi muito legal sentir isso e ter os fãs bem perto, e também assinar um monte de discos do Artension e da minha carreira solo. Acredito ser por isso que eles me conheçam.

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WHIPLASH! - A banda recebia boas respostas de outras partes do mundo? Você sente alguma diferença na reação dos fãs japoneses e dos americanos, europeus, etc?

VITALIJ / Eu não sei muito sobre como os fãs responderam fora do Japão, já que não tocamos em turnês na Europa ou Estados Unidos. Acho que foi ótima. Eu só sei das diferenças do público pela minha carreira solo, já que toco muitos concertos solo e com orquestra nos Estados Unidos. E sim, é claro que as pessoas têm gosto e reações diferentes, baseado na mentalidade de cada um. Essa é a parte engraçada de ver... a diferença na abordagem da
música e como eles reagem à minha música.

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WHIPLASH! - Nós ouvimos bons comentários sobre o Ring Of Fire em todos os lugares. Mas, por outro lado, também pudemos checar coisas como: "essa é uma super banda que não funciona bem junta". Você concorda com isso? Essa união teria sido mais profissional do que musical?

VITALIJ / Na minha opinião, leva um bom tempo para uma banda se tornar uma família. É como numa relação... você tem que construir isso e leva tempo. Não sei como os outros se sentem, mas eu sei que a banda consiste num número alto de ótimos músicos e profissionais. Como você sabe, o Ring Of Fire tem dois álbuns lançados, e não posso responder tão bem sobre o próximo passo deles, qual será a abordagem, ou quais serão as parcerias. Eu te digo que sobre o Artension nós temos sim uma forte união e parceria, porque já estamos tocando juntos por um tempo considerável.


WHIPLASH! - Alguns dos membros do Ring Of Fire têm outros projetos. Creio que apenas Mark Boals e Philip Bynoe estão focados mais diretamente na banda. Você conhece os projetos de seus antigos companheiros de banda, como o CAB de Tony MacAlpine e o Planet X, que conta com o Virgil Donati e também com o MacAlpine? Você acha que o envolvimento dos músicos em outros projetos de alguma forma atrpalhou o Ring Of Fire?

VITALIJ / Infelizmente, não posso te dizer muito sobre essa banda, simplesmente porque não sei muito sobre ela. Eu não estive com eles por um tempo tão longo para comentar os caminhos mais profundos das atitudes deles. É claro que conheço o projeto dos outros membros, mas não muito bem. Não escuto muito rock, apenas clássico, jazz, hip hop, pop e um monte de outros estilos. Não posso ser técnico no meu comentário se não conheço a música deles muito bem, certo? Agora, não sei se o envolvimento em outros projetos afetou o Ring Of Fire de alguma forma. Acho que você deveria perguntar a eles sobre isso. Novamente, eu saí da banda e não estou mais com eles.

WHIPLASH! - As portas estão fechadas?

VITALIJ / Eu não tenho planos de trabalhar com o Ring Of Fire de agora em diante, mas eu nunca fecho minhas portas para sempre.

WHIPLASH! - Mudando de banda... o Artension acaba de lançar o disco "New Discovery". Como foi o processo de composição e o que você acha do resultado?

VITALIJ / O processo foi ótimo, passamos um longo tempo compondo e escrevendo o álbum. Eu passei milhões de horas escrevendo e fazendo os arranjos, é por isso que o resultado ficou bem legal e todos nós estamos bem orgulhosos de nossa realização até então como uma banda. Nós recebemos ótimas respostas da imprensa, das gravadoras, e é claro, de nossos leais fãs.

WHIPLASH! - Quais são seus planos para a banda no futuro?

VITALIJ / Eu estou planejando partir para a turnê no final do semestre, provavelmente em Maio. Primeiro o Japão, depois Taiwan, e estou tentando agendar shows no território europeu. É claro que gravaremos outro álbum no segundo semestre desse ano. Você tem que tipo manter o nome e a fama (risos). Então, nós queremos promover o novo álbum "New Discovery" primeiro e depois da turnê, começarei a compôr material para o próximo lançamento.

WHIPLASH! - O Artension é uma banda que impressiona bastante os ouvintes. Contudo, nunca recebeu um grande reconhecimento na cena progressiva e não tem o nome de bandas como Dream Theater, Symphony X, Pain Of Salvation e outras. Na sua opinião, por quê o Artension nunca recebeu esse reconhecimento mesmo lançando discos de alta qualidade?

VITALIJ / Há muito que se controlar. Nós temos todas as razões do mundo para nos considerarmos uma grande banda. Trabalhamos duro e somos uma banda honesta e dedicada. Somos também consistentes lançando álbuns e programando turnês. Algumas outras bandas lançam alguns discos e desaparecem. Não nós importamos muito com a fama, é uma questão de tempo. Mas para responder sua questão sobre o reconhecimento? Sim, nos merecemos mais do que recebemos, mas isso também depende de outros fatores. Nós dependemos, como qualquer outra banda, de outras coisas além da música, como uma gravadora que dê suporte, promotores, etc. Não podemos controlar isso e algumas vezes você não recebe o melhor das gravadoras que podem ajudar a promover o álbum ou a banda de maneira melhor e suficientemente. Então, eu tenho 100% de certeza de que quebraremos essas barreiras e chegaremos à posição na qual merecíamos já há um bom tempo atrás. E não ficaremos brindando por causa disso, nós simplesmente vamos continuar trabalhando duro e progredindo como uma banda e um time... e o resto virá.

WHIPLASH! - Você tem também a carreira solo, a qual é dividida entre música clássica (um disco) e metal neoclássico (três álbuns). Qual o direcionamento que você irá seguir agora? Você já está compondo músicas para um novo álbum?

VITALIJ / Eu sou um músico classicamente treinado e com diplomas em três conservatórios, um na Rússia, outro na Suíça, e outro na Filadélfia, Estados Unidos. Eu estudo música clássica desde meus cinco anos e até hoje está é minha principal meta. Eu estou muito envolvido nisso. Essa é a minha principal carreira e eu definitivamente darei continuidade a ela. Estou compondo agora meu próprio concerto de piano com orquestra e irei lançá-lo por conta própria, em meu nome, como um pianista. Haverá uma gravação disso também. Eu não sei de muitos detalhes até agora, mas, esteja de olho e isso logo virá à tona. É óbvio que estou apresentando vários recitais de piano clássico e tudo mais. Eu sempre faço algo e eventualmente o algo se torna realidade. É apenas uma questão de tempo.

WHIPLASH! - Eu vi algumas pessoas que assistiram aos seus concertos comentando que o seu álbum de piano clássico não era o que eles esperavam, porque você gravou boas peças, mas nada perto do que você demonstra ao vivo. Você concorda com isso? Você tem planos de gravar peças mais complexas num próximo álbum?

VITALIJ / Eu era o único que tocava a mais difícil literatura de piano enquanto estudante. Eu toquei uma série de trabalhos que outros pianistas não podiam sequer imaginar apresentar. E como você sabe, ao vivo é sempre melhor. Acho que fiz um ótimo álbum e essas pessoas que estão criticando são aquelas que, ou gostariam de ser como eu, ou estão simplesmente com ciúmes (risos). Isso não vai afetar a força da minha carreira e a minha paixão.

WHIPLASH! - O lançamento deste álbum clássico foi histórico, já que ocorreu na Shrapnel, uma gravadora conhecida pelos guitarristas virtuoses, na verdade, dominada por eles. Como você se sente sendo uma pessoa que mudou e quebrou as barreiras no cenário musical?

VITALIJ / Eu sempre quebro algumas regras. Isso se deve ao fato de que gosto de trabalhar duro, ter desafios e ser único, fazendo coisas diferentes. Eu não gosto de recriar. Quero criar meu próprio caminho e nome e tudo mais, incluindo minha imagem. Sou um artista muito agressivo, com muita visão e imaginação e vou derrubar mais barreiras em breve (risos). Também vou quebrar um monte de pessoas que estão contra mim porque eu sou bom.

WHIPLASH! - Você construiu isso com seus impressionantes álbuns solo, sem dúvida. O primeiro, especificamente deixou o mundo pasmo. Algumas pessoas falam de "High Definition" como o melhor lançamento neoclássico desde os primeiros discos de Yngwie Malmsteen. Qual a sua opinião sobre isso e como você vê esse álbum cinco ou seis anos após o seu lançamento?

VITALIJ / Eu posso te dizer uma coisa... "High Definition" é um clássico e será algo especial em algum momento. Já fez muita gente feliz com certeza. E sim, desde Yngwie, mas a diferença é que ele foi composto por um pianista clássico, com a melhor educação musical possível, e não um guitarrista.

WHIPLASH! - É engraçado, pois você escolheu um guitarrista de fusion para seu primeiro álbum neoclássico. Como você entrou em contato com Greg Howe e porque o escolheu?

VITALIJ / Sempre tive vontade de tocar com ele, nem que fosse por apenas um álbum. Greg é uma inteligência única e um músico de bom gosto e ótimo timbre. Eu precisava de alguém assim para aquele álbum. Eu apenas o contatei e assim foi.

WHIPLASH! - Há fortes rumores de que você e Greg não têm um bom relacionamento. Isso é verdade?

VITALIJ / Não acredito em rumores... na verdade, deixe-me reformular isso. Eu não dou ouvidos aos rumores. Enquanto nós estávamos fazendo o álbum, nos divertimos bastante com algumas batalhas musicais e bebendo algumas cervejas também. Eu tenho ótimos relacionamentos com quase todos os amigos e companheiros de música. Até mesmo meu ex-empresário ainda me convida para suas festas (risos). É claro que existem alguns inimigos por aí. Todos nós temos e o jeito então é lidar com eles, simplesmente. É isso. Eu tenho poucas pessoas da indústria da música as quais considero grandes decepções na minha vida e alguns músicos e gravadoras também. Porém, são realmente poucos e a razão para a existência deles é simples. Eu não deixo me dominarem de maneira alguma, e uma vez que você não deixa que as pessoas levem vantagem sobre você... elas irão imediatamente acabar com a amizade. Desta maneira, eu lido com estes num grande esforço atualmente. E aqueles que têm ciúme da minha habilidade artística, bem... essas pessoas não valem muito na minha vida.

WHIPLASH! - O que você tem escutado ultimamente?

VITALIJ / Hip Pop J-LO, Jay-Z Eminem, Enigma, música clássica, muito de Coltrane, Miles Davis, etc, etc.

WHIPLASH! - Bem, vamos chegando ao fim. Obrigado pela entrevista Vitalij.

VITALIJ / Não foi nada. Todos vocês aí corram e comprem o novo álbum do Artension chamado "New Discovery" e também fiquem de olho na nossa turnê. Tudo de bom e paz.

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