Phillipe Seabra - Entrevista com o guitarrista do Plebe Rude.

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Por Angela Joenck Pinto
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Phillipe Seabra nasceu em Washington DC, EUA e em Brasília criou a Plebe Rude, que juntamente com outras bandas da cidade, fizeram do rock brasileiro dos anos 80. Vivendo hoje em NY, o músico tem uma banda chamada Daybreak Gentleman e concede entrevista minutos antes do Show da Plebe Rude em Porto Alegre, onde conta mais sobre a volta da Plebe,a inocência do rock e a vida nos EUA

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Whiplash! / E essa "volta" da Plebe Rude? Estamos em uma boa época para fazer esse tipo de coisa. O rock está tomando novamente um espaço importante na mídia e várias bandas dos anos 80 voltaram a ativa.

Phillipe Seabra / Há alguns anos, antes que a EMI lançou o portofólio, que é o box set da Plebe, depois, ano passado quando lançaram o "best of", chamado Preferência Nacional...olha o título...parece cd da Tiazinha...que a gente vem tentando montar esse projeto. E agora com essa "volta" dos anos 80, foi exatamente isso. Deu espaço, a mídia deu atenção e facilitou muito montarmos esse projeto. A gente queria fazer de uma maneira. Pegar um puta empresário, puta estrutura. Não fazer qualquer coisa. Esse show foi escolhido a dedo. E demorou, mas finalmente conseguimos. Fechamos com a EMI, nossa ex-gravadora, o que é melhor ainda, porque a gente faz isso direito e ano que vem a gente vai ter controle, né? Alguns meses depois que for lançado o disco, em março, vamos ter controle da nossa obra. Para fazer uma coisa bonita, não uma palhaçada e ficar jogando no mercado. Então o momento é esse. Tudo tem um tempo na vida, né? E a gente continua garotão, eu estou com 32 anos de idade e é como se eu tivesse outra vida. Porque eu comecei na Plebe com 14 anos, então eu tenho metade da minha vida nessa banda. E a gente tem esse legado todo, de ter feito tanta coisa histórica no rock Brasil, mas eu tenho 32 anos de idade, não 50. É estranho isso.

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Whiplash! / E vocês estão iniciando esse trabalho por Porto Alegre.

Phillipe Seabra / Sim. São três etapas, esse negócio da volta. Tínhamos que nos reencontrar, primeiro. Foi em Brasília, a primeiro de agosto, no Porão do Rock, 20 mil pessoas. Foi incrível. Nós começamos, sentimos que dava para fazer. Vamos negociar...As propostas estavam na mesa e eu fui embora. Fui embora de volta para Nova York, o André voltou pra Brasília. Um mês depois, ensaiamos um dia. Eu cheguei de Nova Iorque direto para o ensaio. Do Galeão, da alfândega, direto para o ensaio. Agora a gente vai fazer dois ou três shows só, se dedicar muito para os ensaios e gravar o disco ao vivo até o meio de novembro. Acabou. (A Plebe) só vai se encontrar de novo depois do carnaval, pra lançar o disco mais um ou dois meses de show. Mas daí vão ser shows no país inteiro.

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Whiplash! / E Porto Alegre foi uma escolha aleatória?

Phillipe Seabra / Não. A gente gosta de Porto. A gente não tocava aqui a dez anos. Essa é umas das grandes capitais e a gente tocou há muito tempo. Talvez seja a capital onde mais tempo deixamos de tocar, porque a gente ia sempre para Curitiba, pra Brasília, todas as capitais, com exceção de Porto Alegre. E também porque tinha data.

Whiplash! / E começar a tocar em uma banda com 14 anos e estar tocando com 32 na mesma banda, em uma turnê, qual a diferença maior entre os dois períodos?

Phillipe Seabra / Ok. Quando se começa com 14 anos, você não pretende fazer nada. Você só quer tocar, a sua adolescência, quer conhecer uma menina, quer levar um som, sabe? Mas as coisas foram crescendo, ficando grandes. Quando eu tinha 17 anos, já começamos a tocar no Rio. Mas as pessoas se esquecem. Era sistema de, sem cachê, sem nada, descer de ônibus. Pau de arara mesmo, não leito. Sem hotel, sem nada. Só chegar, passar som, fazer o show, dormir na casa de um amigo e olhe lá...e voltar de ônibus no dia seguinte. As vezes até logo depois do show. E chegar em Brasília domingo de noite para segunda-feira de manhã já estar no colégio. Hoje em dia é maior estrutura, cheio de roadie, equipe e tudo mais. Mas legal é que o que a gente pretende nessa volta da Plebe é resgatar essa cumplicidade, essa inocência. A inocência que falta que falta no rock dos anos 90. Porque agora é tudo business. Agora as pessoas se vêem na televisão, ou pensam "pô, eu posso ter uma música na rádio". O que começa a banda não é só uma vontade de tocar. É uma vontade de tocar e de se dar bem. Na nossa época era só tocar porque não tinha como se dar bem. Não existia mercado. Não tinha nada!

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Whiplash! / Essa é a diferença principal. Agora é business.

Phillipe Seabra / Sim. É por isso que tanta gente reclama das bandas dos anos 90. São pouquíssimas bandas da década de 90 que vão marcar mesmo. Porque nos anos 80 era extremamente inocente.Eu não estou dando uma de velhinho, dizendo "na minha época", mas realmente. Era tão inocente. Era uma coisa inovadora. Hoje em dia é business. Tem coisas interessantes, mas não com tanto volume.

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Whiplash! / Então pegando um gancho nisso, o que é bom hoje? A Ultramen, que é uma banda nova daqui do Rio Grande do Sul vai tocar hoje a noite.

Phillipe Seabra / Eu vou poder dar a minha opinião só depois que ver. Eu vi um show deles pela televisão lá em Brasília. Eu estava doente um dia antes do show, então não consegui ver ao vivo. Eu gosto muito da vocalista da Penélope. Acho a voz dela linda. Uma Bjork brasileira. Mas infelizmente eu estou meio por fora. Eu moro a cinco anos fora e em rock nacional eu nunca me liguei muito. Minha banda preferida sempre foi a Plebe. Eu sei que soa arrogante, mas as pessoas se esquecem que eu também sou plebeu (nota: plebeu = fã da Plebe Rude). Eu me amarro na banda. Sou super fã.

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Whiplash! / E fora?

Phillipe Seabra / O eterno XTC, né? Eu comprei o último disco há alguns meses e conheci os caras em NY. Foi o máximo. O último do Massive Attack eu acho muito legal. Não sei...Tem algumas coisas eletrônicas. Eu gosto de algumas coisas do Chemical Brothers. Infelizmente não tem nenhuma banda pra mim como o The Clash, que eu caio pra trás, mas isso também é uma coisa de idade. Quando você tem 16 anos de idade você cai pra trás. Toda a geração tem o Clash e o Sex Pistols que merece. A gurizada achava que o Nirvana era o seu Sex Pistols. Eu tive sorte que o Sex Pistols saiu quando EU era adolescente. Isso não quer dizer que necessariamente os Sex Pistols eram melhores, apesar que eram. Naquela época o punk rock era uma coisa extremamente nova. Mas hoje em dia não me toca muito porque o que eu vejo hoje das bandas alternativas, na boa, eu vi a maioria dessas coisas feitas há 15 anos. Não me impressiona. Mas para a geração nova passa a ser uma coisa nova. E daí é válido!

Whiplash! / E os Estados Unidos?

Phillipe Seabra / Uma coisa curiosa dos Estados Unidos é a importância da denominação. Seja credo, seja raça. O Brasil é um país extremamente racista. Inegavelmente. Talvez um dos piores exemplos de apartheid social do mundo. Mas nos EUA, racismo tem ódio embutido. No Brasil é desprezo. Nos EUA é ódio. Aqui no Brasil você não vê alguém sendo arrastado atrás de um caminhão só por ser negro. É uma coisa absurda que você vê lá. Então é uma espécie de choque cultural. Apesar de eu ter vivido lá durante oito anos, não conta muito. Eu nasci lá e, com oito anos de idade, tinha uma infância maravilhosa, superprotegida, eu vim pro Brasil. Agora que eu sou adulto, vivendo lá, você começa a enxergar o país por outro ângulo. Para a música que eu faço lá, obviamente é alternativa. É muito elegante. O Daybreak Gentlemen é como se fosse a Plebe se tivesse continuado naquela linha da música "Um outro lugar", do terceiro disco. Não pegaria mal, mas eu acho que seria mais difícil se eu etnicamente parecesse com brasileiro. Porque americano é preconceituoso mesmo. Se eu falasse "Cara, eu sou do Brasil e eu faço rock" eles não iam conseguir desassociar da imagem do samba. "Ah, é do Brazil e parece brasileiro". Eu pareço qualquer coisa. eu sou cidadão do mundo. Na França eu pareço francês. Na Espanha eu pareço espanhol. Na Inglaterra eu sou inglês. Na América sou americano e no Brasil sou brasileiro. Então o que eu falo é que eu sou um artista que fiz isso ou aquilo no Brasil e é isso que eu faço. Então as pessoas não pré-julgam. Isso sabe por que? Porque eu sou branco. É uma pena, mas é uma realidade. E as pessoas ficam tão preocupadas com isso. Principalmente com credo, religião e todas as denominações que eu nem sei. São tantos sob a bandeira cristã que eu não entendo. E dá tanto problema...Concluindo: Estados Unidos é um país muito estranho e eu estou demorando para me acostumar. Minha terra é o Brasil mas esse é um processo da minha vida que eu tenho que fazer isso agora. E cada um tem sua etapa. Quando eu mudei pra lá, eu deixei a música por dois anos. Depois eu montei minha banda e voltei a ter paixão. Mesmo lá não tendo roadie, tocando para 100 pessoas somente. eu descobri minha paixão por música de novo.

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