Rock and Roll: brigas internas que serviram como inspiração para clássicos (Parte II)
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 20 de outubro de 2016
Esse artigo é uma continuidade da matéria de minha autoria publicada em 02 de outubro passado. Gostaria de agradecer em especial as sugestões de todos os leitores que comentaram o artigo, em especial a José Roberto Balbino Alvarenga, Jair Dos Santos Rodrigues e Alexandre Monteiro os quais acatei de pronto as dicas dadas.
1) "Go Your Own way"
RUMOURS – FLEETWOOD MAC (1977)
No final dos anos 70, LINDSEY BUCKINGHAM e STEVIE NICKS sucederam IKE e TINA TURNER no quesito "roupa suja se lava em público": brigas conjugais regadas a cocaína a rodo formaram, curiosamente, os bastidores do melhor disco da banda "pós- bluesy" do início da carreira. "Foi certamente uma mensagem dentro de uma canção; e uma mensagem não muito boa", comentou NICKS em 2009 sobre o single master, "Go your own way": "Amar você/não é a coisa certa a se fazer/Como eu poderia mudar/aquilo que sinto?/Se eu pudesse/talvez te daria todo o meu mundo/Como eu poderia/já que você não o aceitará de mim?"- disparou LINDSEY BUCKINGHAM acompanhado do verso "Você pode seguir seu próprio caminho". Clássico!!
2) "The KKK Took My Baby Away"
PLEASANT DREAMS – RAMONES (1977)
Em termos de radicalismo republicano, só TED NUGENT era páreo para JOHNNY RAMONE: "Houve um tempo em que todos nos Estados Unidos adoravam ser americanos. Não queriam ser "ítalo-americanos" ou "irlando americanos"- queriam ser americanos"- uma de suas famosas frases, provocavam a ira de JOEY RAMONE, que sempre mostrou o antagonismo à esse tipo de pensamento (como comprova "Bonzo Goes To Bitburg"). Mas o motivo do entrevero aqui foi mais prosaico: a tomada sub reptícia de LINDA, namorada do vocalista à época por JHONNY- que foi "honrado" nas faixa com o epíteto da organização segregacionista Ku Klux Klan(KKK), como alusão ao radicalismo do guitarrista.
3) "One"
ACHTUNG BABY – U2 (1991)
"One", um dos maiores singles da carreira do U2, já foi interpretada de mil formas: ora como uma ode à (então recente) reunificação alemã, uma homenagem a GUGGI, pintor irlandês amigo de BONO, uma referência ao divórcio de THE EDGE de AISLINN O'SULLIVAN, e por aí vai. O próprio BONO já declarou em entrevistas (em momentos distintos) que tratava de uma canção sobre a AIDS ( que inclusive teve valores de royalties convertidos à causa) e,controversamente, também já asseverou ser uma canção sobre relação entre pai e filho. O fato (relatado inclusive no documentário "From The Sky Down") sobre a produção do álbum é que, internamente, a banda não se resolvia sobre o direcionamento musical do grupo, que, à época, já se encontrava com mais de uma década de existência. O fato é que, conforme mostra o documentário, a progressão de acordes de EDGE iluminou o restante do grupo e versos como: "Somos um/Mas não somos os mesmos/Temos que carregar um ao outro/Carregar um ao outro/Um", ainda dão ao que falar nas rodas de interpretações líricas.
4) "Sweet Emotion"
TOYS IN THE ATTIC – AEROSMITH (1975)
Antes do talk box virar moda , o AEROSMITH gravou um de seus maiores clássicos: "Sweet Emotion", é uma peça lapidada sob o melhor sabor do hard rock setentista: introdução inspiradíssima de baixo, dinâmicas irrepreensíveis e uma mistura de groove com um riff cromático descendente criaram uma fórmula que todo mundo copiou depois. Mas, a letra em si não veio de nenhuma inspiração harmônica. TYLER atribui as primeiras frases: "Fala sobre coisas sobre as quais ninguém se importa, vestindo as coisas que ninguém usa", como dedicatórias à namorada de JOE PERRY à época, ELISSA em razão de uma insuportável tensão entre eles (e entre ela e as demais namoradas dos outros membros). O lance capital ocorreu quando em uma noite em particular, TYLER chegou ao quarto de hotel de PERRY à procura de heroína, e ela o expulsou, recusando-se a compartilhá-las. Drogas, drogas, drogas...
5) "You Know I´m Right"
ABOUT A FACE – DAVID GILMOUR (1984)
"Isso não começou como uma canção sobre ROGER, mas acabou se tornando, em razão do futuro do FLOYD estar em dúvida. Você está tentado a permitir-se a deixar que esses resmungos fiquem apenas na superfície das coisas ou soem de forma indireta. E se eu tentasse falar para ele, eu provavelmente não conseguiria fazer isso. Agora, é impossível não se queixar e lamentar-se sobre as desigualdades e injustiças da vida", declarou GILMOUR em 2015. Do lançamento da faixa até hoje se passaram trinta anos, um concerto em conjunto e, quanto o resto... nada mudou...
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