Elric de Melniboné: o albino que influenciou muitas bandas de rock/metal
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 03 de abril de 2016
Michael Moorcock é escritor de ficção-científica e literatura fantástica. Autor de muitos contos, novelas e romances, o inglês talvez seja melhor conhecido pela personagem Elric, príncipe albino feiticeiro, que possui uma espada mágica, Stormbringer.
O primeiro livro da saga, Elric of Melniboné (1972), foi lançado no Brasil em 2015, pela editora Generale, sob o título Elric de Melniboné – A Traição ao Imperador, V.1. De se ler em uma sentada praticamente, a novela apresenta um mundo onde reinos fantásticos começam a entrar em decadência devido à ascensão dos Reinos Jovens, a saber, os humanos. Tendo como inspiração uma Idade Média fantasiada, Elric of Melniboné tem realmente jeitão de livro e não de roteiro, como Game of Thrones, que certamente se inspirou em Moorcock.
Elric é o imperador que vive filosofando e por ter lido demais não se encaixa nos costumes da decadente, mas ainda respeitável Melniboné. Orgulhosos e cruéis, os melnibonenses não se intimidam em satisfazer seus desejos, especialmente os mais violentos. Se a narrativa assegura que se vive a ascensão dos humanos e Freud diz que a civilização foi construída sobre a repressão dos desejos, leitura psicanalítica assegurada.
A indecisão e "bondade" do imperador Elric acarretam-lhe problemas, porque seu primo cobiça o trono e arma um golpe, que além de tudo almeja terminar na cama da própria irmã. Elric parte pra aventura em terras misteriosas na tentativa de virar o jogo a seu favor. Com alguma filosofice, a narrativa nunca se torna chata, porque Moorcock tem algumas ideias brilhantes, como o espelho aprisionador de milhares de memórias que, quando partido, causa um tsunami delas, que terá consequências avassaladoras. Grande cena. Não que não haja mal feitos: de onde, como e porque a Princesa Cymoril reaparece do nada, após meses raptada? Sem contar que se seu sequestrador queria comê-la, por que não o fez com tão farta oportunidade que teve?
O albinismo do imperador Elric é usado como mais um elemento pra marcar sua fraqueza e alheamento em relação aos demais. Sua brancura e olhos vermelhos – que em nada afetam seu desempenho lutando ou caminhando por terras distantes, cadê o protetor solar, meu filho? – fazem-no ser confundido com demônios. Mas, no atacado é bom ter uma personagem tão famosa descrita como albina.
Cheio de escaramuças e feitiços e com um forte sentido de luta entre o Caos e a Ordem, Destino e Vontade, Elric of Melniboné é prazerosa leitura sobre um herói nada apolíneo e que, pertencente a uma raça decadente, está fadado à destruição.
E como a literatura sempre influenciou o mundo do rock, as tramas e heróis de Moorcock inspiraram mais de um roqueiro; alguns até trabalhando com o próprio escritor como letrista.
Vejamos alguns exemplos:
Em 1985, o Hawkwind lançou The Chronicles of the Black Sword, baseado na personagem e com letras do próprio Moorcock, que já colaborara com os space rockers anteriormente.
Em 1980, o Blue Oyster Cult, lançou Black Blade, presente no álbum Cultösaurus Erectus. A espada negra, claro, é Sotrmbringer e a letra é de Moorcock, que também colaborara com a banda antes.
Em 1982, os metallers britânicos do Diamond Head lançaram o álbum Borrowed Time, onde muitas letras e arte da capa são inspiradas em Elric.
Em 1985, os thrashers/black metallers norte-americanos do NME lançaram canção intitulada Stormbringer.
Os alemães do Blind Guardian escreveram diversas canções baseadas em Elric, como esta, por exemplo:
Os italianos do Domine escreveram mais de um álbum baseado na obre de Moorcock. Este de 97, por exemplo, usa o conceito de Campeão Eterno do escritor, no título do LP:
O terceiro lançamento dos speed metallers do Skelaton, Agents of Power (2012), contém longa suíte com a saga de Elric.
Os sérvios do Numenor inspiraram seu black metal épico mais de uma vez na obra de Moorcock, inclusive o álbum do ano passado chama-se Sword and Sorcery (Espada e Feitiçaria), elementos citados o tempo todo nos livros do inglês:
Ativos na segunda metade dos 90’s, os death/black metallers suecos do Sacramentum basearam algumas das canções de seu derradeiro álbum, The Black Destiny (1999), na obra de Moorcock.
Quando a banda de power metal grega Battleroar estreou no mundo do LP com o álbum homônimo de 2003, inseriram a canção Mourning Sword, sobre Stormbringer:
Os britânicos do Magnum homenagearam a espada Stormbringer nessa canção funekada:
O álbum Stormbringer (1974), do Deep Purple nada tem a ver com a espada homônima dos livros de Elric. Na época, David Coverdale afirmou que soube da existência do livro Elric of Melniboné após o lançamento do álbum.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Scorpions suspende atividades de 2026 devido a "circunstâncias imprevistas"
Sepultura fará show sem "Roots", "Arise" e "Ratamahatta" no Rock in Rio
A música mais difícil de tocar do Metallica segundo James Hetfield, Lars Ulrich e Kirk Hammett
Iron Maiden anuncia box-set com os 9 primeiros discos em LPs coloridos
Roger revela as duplas sertanejas que recusaram gravar com o Ultraje a Rigor
João Nogueira (Mastodon): "Não acho o Metallica mais legal que o Iron Maiden"
O álbum de heavy metal que se tornou um dos discos mais vendidos de todos os tempos
A banda de metal com quem Ian Anderson toparia tocar sem cobrar um centavo
O álbum do Angra que Edu Falaschi menos ouve, segundo o próprio
Kirk Hammett relembra seu "horripilante" primeiro dia como guitarrista do Metallica
Assista trailer de "No One's Disciple", documentário sobre vida e obra de Neil Peart (Rush)
A música de 1965 que fundou o som do rock clássico, segundo Jimmy Page
A banda dos anos sessenta com a qual Mick Jagger odiava ser confundido; "é uma merda"
Após tentar matar pai do vocalista, ex-guitarrista do Turnstile se diz vítima de conspiração
As músicas do Sepultura que Andreas Kisser não sabia que sumiram do streaming

10 rockstars que fizeram mais sucesso depois de serem demitidos da banda, segundo a Loudwire
A música que foi feita para preencher espaço em disco e virou um dos maiores clássicos do rock
David Gilmour elege a canção mais perfeita de todos os tempos


