Black Sabbath: A lenda do vampiro do cemitério de Highate
Por Nino Lee Rocker
Fonte: garimpeirodasgalaxias.blogspot
Postado em 06 de setembro de 2015
O jornalista Benjamin Welton, via Metal Injection, ressuscitou uma história bem interessante envolvendo o BLACK SABBATH, tomei a iniciativa de pesquisar mais sobre o assunto, acrescentar mudanças ao conteúdo original e isso rendeu um texto e tanto sobre a origem da lenda do vampiro de Highgate. Você já ouviu falar sobre essa?
Mesmo durante o auge da sua infâmia, quando uma ampla gama de pessoas pensavam que eles eram verdadeiros adoradores do diabo, os dois símbolos mais comuns utilizados pelo BLACK SABBATH foram a cruz cristã e o sinal de paz. Nada de assustador nisso.
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No entanto, a ligação entre o BLACK SABBATH, os fundadores incontestáveis do metal pesado sombrio, e a prática sistêmica das artes das trevas foi algo difícil de quebrar ao longo dos anos.
Além do medo residual decorrente da estreia da banda no final dos anos 60 e as consequências disso, a ideia de que o BLACK SABBATH seja realmente satanista vem de duas coisas: o nome da banda e a ação generalizada e distorcida sobre o heavy metal em geral.
O último deveria ser óbvio para todos nós headbangers. Pesquisa rápida: quantos de vocês foram chamados de endemoniados, ou, pelo menos, um esquisitão por usarem uma camiseta preta com algo feio estampado?
A explicação para os antigos remonta há séculos. Embora a banda, na verdade, tenha sido nomeada após um filme de Mario Bava chamado "Black Sabbath", na verdade a missa negra da Idade Média era uma espécie de história de fantasmas, em que sacerdotes sinistros e outros congregantes diabólicos se reuniam para realizar uma blasfema inversão da missa em latim da Igreja Católica Romana. Pense em hinos a Satanás em vez de Jesus e usos criativos dos sacramentos. Ah, e lotes e lotes de sexo.
A mais detalhada descrição de uma missa negra pode ser encontrada no livro de J.K. Huysmans "Là-Bas" (The Damned or Down There), que é adequado uma vez que a missa negra é mais um artifício Victoriano que qualquer outra coisa.
A missa negra, ou pelo menos o que nós estamos mais familiarizados a entender como sendo ela, foi criada por romancistas. No BLACK SABBATH, os temas líricos vieram originalmente do entusiasta do oculto e de romances de horror Geezer Butler, responsável pela temática adotada pela banda.
Apesar do fato de que o nome e a imagem do Black Sabbath veio de uma cultura de ficção de horror pré-existente e não da realidade, isso não impediu ocultistas reais de tentar vincular a banda a verdadeiras praticas do ocultismo.
Durante os primeiros dias da banda no Reino Unido, a cultura popular era inundada por Satanás. Devido ao receio do público sobre os excessos da contracultura e os assassinatos da família Manson, cineastas encontraram uma maneira rápida de capitalizar em cima, fazendo filmes assustadores e pesados sobre o diabo.
Nos Estados Unidos, a American International Pictures chamou a atenção do público durante a década de 1950 com filmes como "I Was a Teenage Werewolf" e "Girls in Prison" e fez uma série de outros filmes com temática satanica que se estenderam profundamente na década de 1970, enquanto a Grã-Bretanha a Hammer Studios vencia a concorrência em 1968 com "The Devil Rides Out" (que foi baseado em um dos romances do escritor Dennis Wheatley, o favorito do Geezer Butler). Em pouco tempo, os fãs de horror deliravam para que suas vidas quotidianas fossem como nos filmes.
Então, por volta de 1970 o pensamento geral era algo como "vamos assustar com maquiagem branca em vestes negras" e isso começou a aparecer em shows do BLACK SABBATH. Como o próprio Ozzy detalhou em sua autobiografia: "- Esses freaks que logicamente viraram fãs do Sabbath começaram a surgir por todos os lados. Eu não podia acreditar que as pessoas realmente praticavam [sic] o ocultismo. Esses malucos com maquiagem branca e vestes negras vinham até nós depois dos shows e nos convidavam a missas negras no cemitério de Highgate, em Londres. Eu dizia a eles: 'Olha, companheiro, os únicos espíritos malignos que estou interessado são chamados de uísque, vodka, gin e...' Em um ponto fomos convidados por um grupo de satanistas para tocar em Stonehenge. Mandamos eles se foderem, então eles disseram que iam colocar uma maldição sobre nós".
Embora isso possa soar como um grupo de crianças da classe trabalhadora de Birmingham dando o fora em um bando de ocultistas barra pesada, a verdade é que os ocultistas, que não eram certamente verdadeiros sacerdotes, foram mais do que provavelmente mergulhando profundamente na sua própria ficção mental.
O romance de Wheatley "The Devil Rides Out" contém uma cena em que um círculo de satanistas filhinhos de papai convocam o Diabo durante a execução de uma orgia ritual em Stonehenge, mas o romance também descreve como um poderoso bruxo, o sósia de Aleister Crowley, chamado Mocata, tenta estabelecer múltiplas maldições sobre heroicos protagonistas do romance.
Tão longe, tão falso, mas esta parte fomentou o Diabo e as missas negras no cemitério de Highgate.
Durante o final dos anos 1960, os rumores começaram a circular ao redor de Londres de que um antigo vampiro estava assombrando o citado cemitério de Highgate, uma necrópole da era vitoriana cujo residente permanente mais famoso é Karl Marx.
Estes relatos revelaram-se perfeitos para a imprensa sensacionalista, era um prato cheio para deixar passar em branco.
Pouco tempo depois dois homens vieram à tona alegando serem ocultistas sérios e assassinos profissionais de vampiros, Sean Manchester e David Farrant.
Inspirados pelas afirmações de Manchester e Farrant, bem como em artigos na Hampstead e Highgate Express, uma das maiores caçadas a vampiros da história britânica ocorreu em 13 de março de 1970. Ela acabou por ser um fracasso, mas o caso já havia se tornado folclórico, com repetições sussurradas sobre o vampiro de Highgate ser um antigo vampiro rei da Valáquia, com mais de 800 anos de idade.
E apesar de Manchester e Farrant terem perdido crédito sob acusações de charlatanismo, a Hammer foi em frente e fez um filme vagamente baseado na histeria criada, chamado "Dracula A.D" de 1972. Christopher Lee assumia o papel como o original rei vampiro, o Conde Drácula.
Quem sabe o que teria acontecido se Black Sabbath tivesse aceitado esse convite para o cemitério de Highgate?
Provavelmente nada muito dramático. Afinal, as pessoas naquela época já tinham na cabeça que o Black Sabbath estava afundado até os joelhos no oculto, por isso é seguro dizer que os manifestantes religiosos apareceriam da mesma forma em todos os shows. Então, novamente, o Sabbath, que eram rapazes normais que só queriam assustar algumas cabeças sem realmente levarem a sério porra nenhuma daquilo, poderiam ter sido inspiração para os caçadores de vampiros que não podiam entender o que era tudo aquilo de "satanista e ocultista" a tempo suficiente.
Continua a existir uma opção final: após a experiência de Geezer Butler com a visão de uma sombra escura sobre sua cama, talvez, apesar da expulsão de Ozzy, os meninos do Sabbath não queriam era assustarem-se com mais problemas.
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