Led Zeppelin: o que a Rolling Stone achou do Houses of the Holy?
Por Lukas França
Fonte: Rolling Stone
Postado em 30 de março de 2013
Segue abaixo resenha de "Houses of the Holy", do LED ZEPPELIN, de autoria de Gordon Fletcher e publicada na revista Rolling Stone, edição de 7 de junho de 1973.
Led Zeppelin - Houses of the Holy
Para mim, o Led Zeppelin começou com o epítome de tudo que há de bom no rock: trabalho sólido de guitarra, vocais fortes e trabalho rítmico, e devoção à forma primal do blues, e o melhor de tudo, uma emoção estrondosa no palco e no vinil. Mas, com a chegada do estrelato, também veio a evaporação gradual da qualidade do seu som. Assim como os Rolling Stones evoluíram para uma banda idosa, desgastada e bizarro-pervertida, o Led Zeppelin evoluiu para uma idosa e desgastada banda de heavy metal. Mas por sua própria natureza, o desgaste não pode coexistir com a intensidade do Heavy Metal, é provavelmente por isso que Houses of the Holy é um dos álbuns mais confusos e enfadonhos que eu ouvi este ano.
Depois de uma centena de execuções eu não estou convencido que este album é do mesmo patamar que nos trouxe ''Communication Breakdown'', ''Heartbreaker'' e ''Black Dog''. Os rítmos poderosos e simplistas e a crescente adrenalina que fez estas músicas tão atraentes parecem estar longe de serem encontrados. Houve uma única tentativa, em ''The Ocean'',mas é tão diluída com humor inútil que a tensão musical necessária nunca se desenvolve. A guitarra de Jimmy Page cospe fogo enquanto John Paul Jones e John Bonham trabalham em cima dele, mas o efeito é destruído pelo arrulho de apoios ridículos e uma coda arrogante que é tão facilmente percebida que só pode ser tomado como uma imitação do Rock n roll direto. Rock n Roll ao contrário, o forte do Led Zeppelin sempre foi o rock'n blues; se eles se levassem a sério, perceberiam que são tolos por sair desse gênero.
A única música que se aproxima do passado triunfante do Led Zeppelin é ''The Song Remains the Same'', um pedaço de Whodom que funciona apenas para as artimanhas de guitarra de Jimmy Page. E é isso que o Led Zeppelin tem sido desde o início. Coisas interessantes acontecem em um solo de guitarra de 5:34 minutos — uma espécie de riff, uma corrida juzz inteligente e palhetadas rápidas executadas com uma finese que desmente sua origem machista. Page consegue executar tudo isso sem ser auto-indulgente. Não é o tipo de música que fez o Led Zeppelin famoso (seu estilo é quase intercambiável com o do The Who), mas pelo menos tem mais do que um ou dois amplificadores que eles normalmente põe. Nesse álbum, essa música por si só é um grande triunfo.
Duas músicas são imitações baratas, e são facilmente as piores coisas que essa banda já fez. ''The Crunge'' reproduz James Brown tão religiosamente que chega a ser muito chato, repetitivo e tão clichê quanto ''Good Foot'' (Nota: Sucesso do James Brown). Yakety Yak-guitarra, baixo boom-boom, letras incrivelmente idiotas ("quando ela anda, anda, e quando ela fala, ela fala") - está tudo lá. E então o sintetizador de Jones chega enchendo tudo de supérfluos eletrônicos.
"D'yer Mak'er" é ainda pior, uma punhalada reggae que faria o Led Zeppelin ser expulso da Jamaica se eles tocarem isso por lá. Como qualquer banda seguindo a última moda do rock, o Led Zeppelin mostra pouco intendimento sobre o que o reggae é — "D'yer Mak'er" é irritante e pesada, e totalmente desprovida da sensibilidade da forma nativa.
As músicas verdadeiras do Led Zeppelin no Houses of the Holy mostram a grande deficiência de composições da banda. Já que os sucessos antigos eram quando eles literalmente roubavam licks de blues nota por nota, então eu já deveria ter esperado que havia alguma coisa errada com o próprio material da banda. Por isso que "Dancing Days," "The Rain Song" e "No Quarter" são tão chatas no seu estilo - A primeira é apenas enchimento e as outras duas não são nada mais que propagandas chatas de John Paul Jones usando mellotron e sintetizadores.
"Over the Hills and Far Away" é feita nos mesmos moldes de "Stairway To Heaven", mas sem solo de guitarra tórrido como se diz em Dullsville. "Stairway" assim como a premissa de peso gradual, mostram o quão é rudimentar este grupo quando tem que criar suas próprias músicas. Alguém poderia pensar que a banda que roubou "Whole Lotta Love", etc... poderia adquirir uma ou duas idéias ao longo do caminho, mas eles evidentemente não conseguiram.
Você pode perceber que o Led Zeppelin não vem com um som consistente desde seu segundo álbum. Se dependesse dos seus últimos três discos, eles não estariam aonde estão hoje. Enquanto estiverem ocupados negando suas raízes blues rock, os vocais de Robert Plant perdem a força e o trabalho instrumental da banda perde seus traços de espontaneidade. Em simples fato de matéria, Houses of the Holy teve 17 meses de preparação, mas o Led Zeppelin I (que foi feito em apenas 15 horas) é muito melhor.
Portanto, existem dois grupos separados chamados Led Zeppelin, e eu estou cansado de esperar o legitimo. Um vigor rápido como em "When the Levee Breaks" não é suficiente, especialmente quando há tanto outros grupos que não brincam em serviço. Beck, Bogert e Appice, Black Sabbath, The Groundhogs, Robin Trower - a lista de músicos melhores que o Led Zeppelin é longa porque eles ficam no estilo onde fazem melhor. Page e companhia devem perceber igualmente suas grandes limitações e voltar ao blues-rock que move montanhas. Enquanto isso, o Zeppelin de chumbo vai ser apenas um aeroplano froxo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As duas músicas do Metallica que Hetfield admite agora em 2026 que dão trabalho ao vivo
A música de Raul Seixas que faria ele ser "cancelado" nos dias de hoje
O riff definitivo do hard rock, na opinião de Lars Ulrich, baterista do Metallica
Marcello Pompeu lança tributo ao Slayer e abre agenda para shows em 2026
A música "mais idiota de todos os tempos" que foi eleita por revista como a melhor do século XXI
A banda de rock que lucra com a infantilização do público adulto, segundo Regis Tadeu
Rafael Bittencourt desabafa sobre receios e "confiança rompida" com Edu Falaschi
A música do Iron Maiden sobre a extinção do Banco de Crédito e Comércio Internacional
O guitarrista que usava "pedal demais" para os Rolling Stones; "só toque a porra da guitarra!"
Novo álbum do Kreator, "Krushers of the World" é elogiado em resenha do Blabbermouth
Os três gigantes do rock que Eddie Van Halen nunca ouviu; preferia "o som do motor" do carro
Festival SP From Hell confirma edição em abril com atrações nacionais e internacionais do metal
Regis Tadeu revela qual lado está errado na treta do Sepultura com Eloy Casagrande
Suposta filha secreta de Freddie Mercury morre aos 48 anos, diz família
Como Paulo Paulista virou membro da Legião Urbana e por que Renato Russo o demitiu
A canção que fez o Pink Floyd mudar de direção para se tornar a banda que a gente ama
Bruce Dickinson diz qual a primeira música que cantou após vencer a luta contra o câncer


O clássico que é como o "Stairway to Heaven" do Van Halen, segundo Sammy Hagar
A música do Led Zeppelin IV que Jimmy Page disse que não dava para reproduzir
O legado que Jimmy Page gostaria de deixar para a história; "É isso que importa de verdade"
O brasileiro que deixou Jimmy Page desconfortável: "Me recuso a responder essa pergunta"
A guitarra roubada de Jimmy Page que retornou décadas depois; "acho que ele morreu"
3 clássicos do rock que ganham outro significado quando tocados ao contrário
A curiosa relação entre Led Zeppelin e Nirvana feita por Malcolm Young
O baixista que quase ocupou o lugar de John Paul Jones no Led Zeppelin
O profundo significado de "tomar banho de chapéu" na letra de "Sociedade Alternativa"
O que significa "frequentar as festas do Grand Monde", cantado por Cazuza em "Ideologia"



