Joy Division: a referência aos terrores do nazismo
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 07 de novembro de 2012
Vira e mexe aparecem na indústria cultural referências a possíveis apologias a um dos piores - senão o pior - momento da história contemporânea: o nazismo. O período mais negro do último século - motivo maior da criação da ONU, da Declaração Universal dos Direitos do Homem, entre outros instrumentos jurídicos de contenção - causa arrepios e, eventuais insurgentes ou insufladores dessa ideologia geram atitude de repulsa por parte da sociedade como um todo, mesmo após sessenta e sete anos oficiais do fim do regime.
No final dos anos setenta, uma banda pós-punk – movimento que por si só já era identificado com uma atitude niilista - chamou a atenção não só pelo vocal monocórdico e depressivo de seu vocalista IAN CURTIS. O JOY DIVISION, fundado em Manchester em 1976 trazia, em seu nome, a lembrança de uma das mais nefastas áreas dos campos de concentração: a "divisão da diversão", nome dado aos locais onde mulheres prisioneiras eram alojadas e estupradas.
Segundo os fundadores da banda, IAN CURTIS, STEPHEN MORRIS, PETER HOOK e BERNARD SUMNER, o nome foi dado devido ao fato de seus pais terem lutado na Segunda Guerra Mundial e eles queriam um nome que tivesse algum tipo de conexão com o evento – um modo de referenciar o verdadeiro peso do conflito e o impacto por ele causado. Entretanto, uma outra versão da história diz que o nome foi retirado do livro ‘A Casa das Bonecas" (The House Of Dolls), do escritor polonês Yehiel De-Nur, ele mesmo um judeu aprisionado durante a guerra. Nesse romance, o autor relata, em caráter semi-ficcional, os terrores sofridos durante o período, sobretudo na divisão citada.
Mas, na melhor linha "o que está ruim ainda pode piorar", em 18 de maio de 1980 IAN CURTIS se enforca ao som do álbum "The Idiot" de IGGY POP, pondo fim à banda – que já havia combinado que só seguiriam com o nome enquanto contasse com todos os membros originais. Assim, no mesmo ano, é formado o NEW ORDER, grupo com uma vocação mais synth pop do que o anterior. Mais uma vez a polêmica: "Nova ordem" é um termo citado várias vezes na chamada "Bíblia do Diabo", o livro ‘Mein Kampf" ("Minha Luta"), obra escrita pelo próprio Hitler. Segundo consta, a banda nem teve culpa aqui: teria sido o empresário, ROB GRETTON, quem escolhera o nome que lhe parecia apropriado para a ‘New Wave' reinante na época. Vai ter azar assim lá longe...
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Amy Lee relembra a luta para retomar o controle do Evanescence; "Fui tratada como criança"
Guns N' Roses encerra turnê no Brasil com multidões, shows extensos e aposta em novos mercados
Por que Ricardo Confessori foi ao Bangers e não viu o show do Angra, segundo o próprio
Johnny se recusou a ajudar Joey nos últimos shows do Ramones, diz CJ
Sepultura se despede entre nuvens e ruínas
População de São Paulo reclama do som alto no Bangers Open Air
10 músicas ligadas ao rock que entraram para o "Clube do Bilhão" do Spotify em 2026
A melhor música da história dos anos 1990, segundo David Gilmour
O melhor solo de guitarra de todos os tempos, segundo Eric Clapton
O motivo por trás da decisão de Aquiles Priester de vender baquetas do Angra no Bangers
Como "volta às origens" causou saída de Adrian Smith do Iron Maiden
A dupla de rappers que Slash disse que sempre vinha com algo interessante
A canção para a qual o Kiss torceu o nariz e que virou seu maior sucesso nos EUA
Belo Horizonte entra na rota do rock internacional e recebe shows de Men At Work, Dire Straits Legac

Peter Hook celebra entrada de Joy Division e New Order no Rock and Roll Hall of Fame
Confira a lista completa de eleitos ao Rock and Roll Hall of Fame 2026
A banda que morreu, renasceu com outro nome e mudou a história do rock duas vezes
Qual o patrimônio dos músicos do Guns N' Roses?
David Gilmour: como ele construiu o fabuloso solo de "Comfortably Numb"


