AI - "Pink Floyd All in All" não é um Pink Floyd
Resenha - All In All - IA
Por Isaias Freire
Postado em 19 de junho de 2024
Nos últimos dias, meu WhatsApp tocou de uma forma inusitada: vários amigos me perguntando se eu já havia ouvido o novo disco do Pink Floyd e o que tinha achado. Confesso que não sabia da notícia e fui imediatamente pesquisar. Quando achei o "Pink Floyd All in All", me deparei com um disco feito pela IA. Mesmo decepcionado, a curiosidade era grande e comecei a ouvir o disco ainda no carro, dirigindo. Foi uma escuta curta e sem atenção. Nos poucos minutos, fiquei impressionado com o timbre da guitarra e a voz de David Gilmour. Logo pensei: "onde iremos chegar com toda esta inteligência artificial?" Tinha que ouvir todo o disco para conferir.

Então vamos imaginar que Rick Wright tenha ressuscitado e que as farpas eternas entre Gilmour e Waters tenham sido tiradas e todos, inclusive Nick, tenham se juntado para um novo disco da banda, o "All in All". Analisando as músicas, uma por uma, temos:
1- Keith´s Prefase - Uma introdução curta com a cara de Roger Waters. Empolga, traz a sensação que o disco terá uma pegada de Pink Floyd com a banda toda.
2- When Words Colide - A música começa com um teclado que não é a sonoridade de Richard Wright, mais parece com Jean Michel Jarre e, de cara, entra um solo de guitarra com o timbre parecido com David Gilmour da época do "The Wall". Porém não é usual ele colocar um solo logo no início... Quando entra o vocal, impressiona. A similaridade é muito grande, engana qualquer ouvinte e a música passa a ter uma cara pós Roger Waters, terminando com um solo de saxofone que realmente tem a cara de Dick Parry.
3- The Body Silent - Começa com um tom de Roger Waters da época do "The Wall", mas, em poucos segundos, volta para a sonoridade de pós Waters. O timbre de voz de Gilmour continua impressionando, porém, apesar do solo ter a sonoridade da guitarra original, ele tem uma velocidade que não é usual. No solo de Rick Wright, erram novamente: mais parece com Jon Lord.
4- Odyssey - Uma música instrumental com uma entrada a lá "Meddle": mais moderna, a sonoridade da guitarra foge um pouco do timbre original. É a melhor música do disco.
5- Relics of the Past - Sinos tocando com uma progressão bem simples -- acho que a ideia foi remeter ao início de "Time". Segue um curto trecho a lá Roger Waters, logo voltando para a sonoridade pós Waters com a mesma estrutura da música "The Body Silent". Aqui, o solo é bem parecido com algo que Gilmour criaria.
6- Dragons - A música nos remete a "Brain Damage" e "Eclipse" do "Dark Side". O vocal de Gilmour continua impressionando, é a música que mais se parece com um Pink Floyd original.
7- The Shepherd´s Song - Decididamente, não se parece com Pink Floyd, mesmo com o final remetendo a "Animals". Erraram até na sonoridade.
8- To The Center of Your Soul - Esta engana. Não é boa, mas poderia estar em algum álbum pós Roger Waters. Menção para a sonoridade do sax de Dick Parry.
9- Someone Else´s Dream - Não é Pink Floyd, talvez algo para a carreira solo de David.
10- In The Ocean´s Heart - A guitarra parece demais com Gilmour, e os teclados parecem com Rick Wrigth na época do "Live at Pompeii". Esta também engana. Boa música.
11- Keitth´s Conclusion - 55 segundos de som do mar.
12- Rain Or Pain (bônus track) - A música que mais tem a cara de Waters, porém não consegui identificar quem está cantando, não parece nem Waters nem Gilmour.
O trabalho é impressionante, pode enganar os menos avisados, porém, mesmo imaginando uma reunião de toda a banda, este não seria um disco do Pink Floyd. A participação de Waters como coadjuvante (aparece muito pouco) é completamente impossível, ele não se deixaria levar pela música de Gilmour. Na produção do disco como um todo, sinto muito a mão de Alan Parson desvirtuando a sonoridade do Pink Floyd.
Decididamente, não é um disco do Pink Floyd e, com uma discografia enorme, toda vez que eu quiser ouvir algo da banda, irei procurar pelos originais. Acho difícil retornar ao "All in All’.
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