Resenha - Aurora do Triunfo Herétiko - Sevo
Por Davi Martins
Postado em 22 de março de 2024
Ano passado, a banda de death metal cearense, Sevo, lançou um álbum poderosíssimo, chamado, "A Aurora do trinfo herétiko". E esse álbum, foi um dos melhores álbuns que eu ouvi lançados ano passado.
Ouvi e ouvi novamente algumas vezes, apesar do volume de bandas e trabalhos novos, na cena do underground nacional, regional e mundial até. E o que me prendeu tanto nesse trabalho? A diversidade na música da banda Sevo. Tem guitarras exclusivas de riffs alucinantes. Tem guitarra solando sobre guitarra de riffs alucinantes como na música, Sacramento em excrementos. Veja a abertura desse álbum, por exemplo, Azazel verte, me traz a sensação de estar diante de um ritual, posso sentir a aura de um culto nefasto acontecendo perante meus olhos. Me anuncia que o que vem a seguir, nas próximas músicas, é profano. E é.
No decorrer do álbum que tem 8 músicas, em 44 minutos, a banda explora novas direções na música e permite que haja músicas, como em Apoteose da extinção clerical, uma composição sonora diferente. Desde o solo de guitarra que inicia a música, que soa como algo introspectivo, e essa introspecção, flui ao decorrer da música, que tem um ritmo lento, taciturno, aqui a banda tira um pouco o pé do acelerador, e nos leva a explorar emoções mais funestas. A letra orna bem com a instrumentação trazendo uma poesia cantada com um convite a contemplação.
Essa mesma vibração vai ser vista em alguns pontos melodiosamente sombrios do álbum, como na introdução de Divina Decadência. Mas que por sua vez, traz uma letra crítica, corajosa e visceral. Um manifesto antirreligioso. A melodia muda completamente de ritmo no decorrer da música quando vimos a bateria sendo um verdadeiro massacre, bem orquestrada ao baixo que a conduz entre as guitarras de riffs exclusivos.
Obviamente que o vocal é algo sempre a ser protagonista no som de uma banda. E no álbum, Aurora do trinfo herétiko, da banda Sevo, você tem um vocal claro, compreensível, mas ao mesmo tempo, obscuro. O que me ocorre ser a proposta da banda ao entregar esse trabalho.
Esse álbum, com certeza é um dos melhores do ano passado. O assustador, é quando descobrimos que esse, é o primeiro álbum da banda e já se mostra, coeso, maduro, com uma proposta bem definida e seriamente alcançada. Não tem uma nota só nas partes da música, mas também, não é aquela mistura abstrata de notas que nos deixa perdidos na música. É uma musicalidade multiangular, diversa, e gosto dessa pegada de não ter o mesmo ritmo. Para um álbum de death metal, isso é expressão de coragem.
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