Helloween: provável disco do ano torna um sonho realidade
Resenha - Helloween - Helloween
Por Victor de Andrade Lopes
Postado em 10 de julho de 2021
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
A maioria das análises de Helloween, décimo quinto álbum de estúdio do septeto alemão homônimo de power metal, tem enfatizado muito o fato dele marcar a volta do guitarrista/vocalista Kai Hansen e do vocalista Michael Kiske - que não implicaram, ainda bem, na saída de Sascha Gerstner e Andi Deris, respectivamente.
Essa reunião é, obviamente, algo notável e, por que não, histórico. Mas o que realmente torna este um candidato a disco do ano - título que obviamente não ganhará num mercado que valoriza a mesmice do thrash e do heavy metal tradicional - é a volta às raízes empreendida pelos sete músicos envolvidos, sem que isso tenha custado os tons mais modernos que a banda vinha adotando.

Esta volta já fica bem evidente antes mesmo de ouvirmos a primeira nota: a capa, desenhada a mão por Eliran Kantor, é das mais belas do catálogo dos alemães, evocando as artes iniciais deles. O encarte, igualmente sofisticado, veio com uma letra tão estilizada que tive dificuldades para ler certas informações. Mas, bem, eu não sou crítico de artes plásticas, sou?
Enfim, o retorno às antigas continua evidente quando damos play. No petardo de abertura, "Out of Glory" (Michael Weikath), o novo e o antigo se misturam de forma bem homogênea, criando uma peça que poderia ter saído de quase qualquer item da discografia deles. Neste grupo, caem também as ótimas "Rise Without Chains" (Andi Deris), "Robot King" (Michael Weikath) e mesmo "Down in the Dumps" (idem), embora o trabalho introdutório nas cordas já não seja tão oitentista assim.
Há um outro time de faixas que seguem numa direção mais "modernosa": "Fear of the Fallen" (Andi Deris), com discretas cordas ao fundo, e a agressiva "Cyanide" (idem).
Essas incursões no século XXI nem sempre têm final feliz, contudo: "Best Time" (Sascha Gerstner, Andi Deris), por exemplo, é tão fraca e comercial que eu fiquei negativamente surpreso que tenham sido necessárias quatro mãos para criá-la (a única não individual do disco regular). Por outro lado, graças a Dio o grupo não a pinçou como single. A propósito, a própria banda admitiu em entrevista à Roadie Crew que a canção era comercial. Também faz parte deste conjunto "Indestructible" (Markus Grosskopf), quase tão fraca quanto "Best Time", porém mais palatável.
E tem algumas que até fogem um pouco do "óbvio", agradando aquela provavelmente diminuta ala que esperava algo novo. "Mass Pollution" (Andi Deris), por exemplo, tem um pezinho no hard rock oitentista, enquanto que sua sucessora "Angels" (Sascha Gerstner) vem carregada de uma atmosfera sombria que evoca o controverso The Dark Ride (2000).
E o que falar de "Skyfall", precedida pelo interlúdio guitarrístico "Orbit" (ambas de Kai Hansen)? Absolutamente o ponto alto, reunindo os elementos de todas as suas antecessoras e tirando o melhor dos oito músicos envolvidos - sim, oito, pois o lendário Jens Johansson contribui com discretos teclados aqui, explicando por que o pano de fundo musical tem um "quê" de Stratovarius, especialmente na reta final.
Inteligentemente, ela foi escolhida para ser o single (ainda que numa versão encurtada) e para receber um vídeo histórico, cujo orçamento pode muito bem ter sido o maior da história do power metal.
Como faixas bônus, Helloween traz "Golden Times" (Sascha Gerstner), boa demais para ficar relegada a um disco 2; "Save My Hide" (Andi Deris), esta sim verdadeiramente dispensável; "Pumpkins United" (Kai Hansen, Andi Deris, Michael Weikath), a primeira música da nova formação que levou os fãs à loucura em 2017 e hoje parece apenas simpática perante o conjunto de canções em geral superiores apresentando no CD 1; e "We Are Real", empolgante presente de Markus Grosskopf para os japoneses (sempre eles!)
Tudo isso, vale dizer, foi executado pelo baterista Daniel Löble no kit que o próprio Ingo Schwichtenberg - finado membro da formação clássica - usava 30 anos atrás. Somando isso a outros equipamentos vintage resgatados daqueles tempos, quer mais retorno às origens que isso?
Num caso não muito comum de fan service (e, neste caso, label service também) que deu certo, o Helloween fez história (crítica, comercial, seja qual for o ângulo) em 2021, se é que já não havia feito antes ao se apresentar no mundo toda com esta formação de septeto. Taí uma obra que eu estou curioso pra ver de que forma alguém poderia tecer uma crítica negativa.
Abaixo, o vídeo de "Skyfall":
FONTE: Sinfonia de Ideias
https://sinfoniadeideias.wordpress.com/2021/07/07/resenha-helloween-helloween/
Outras resenhas de Helloween - Helloween
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Kiko Loureiro respeita muito Tony Iommi, mas acha que guitarrista do Black Sabbath é "quadrado"
Curitiba ganha "Cidade do Rock" e recebe festival com gigantes do rock nacional anos 1980
O álbum em que Geddy Lee acredita que o Rush finalmente encontrou seu equilíbrio
A reação de Dirk Verbeuren ao anúncio do fim do Megadeth
Shows que vão agitar São Paulo no segundo semestre de 2026.
Em 1994, Bruce Dickinson esculachou videoclipe do Aerosmith
James Hetfield revela sua maior influência como guitarrista de metal: "É o mestre dos riffs"
Pearl Jam sobe ao palco pela primeira vez com Abe Laboriel Jr. na bateria
A canção dos anos sessenta que fez Iggy Pop se livrar do blues e virar um "monstro"
O grande clássico do Metallica em que Kirk Hammett não tocou uma única nota
Como John Petrucci tenta manter a rotina de treinos durante as turnês do Dream Theater
O futuro rockstar que Peter Frampton queria que abrisse os shows do Humble Pie
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
A única banda de metal que nem o Metallica conseguiu superar, conforme Regis Tadeu
A canção polêmica que o Guns N' Roses tocou só duas vezes e abandonou; "Ninguém entendeu"
Helloween: Comemorando três décadas de história em primeiro disco com nova formação
Os 5 melhores álbuns fora do metal de todos os tempos , segundo Kai Hansen
Helloween - um espetáculo completo na borda da cidade de São Paulo
Novo álbum do Helloween já está "80% finalizado", revela Kai Hansen
Kai Hansen (Helloween, Gamma Ray) lança novo single solo, "Wait and See"
Os 10 melhores discos do metal alemão, de acordo com a Metal Hammer
Pink Floyd: The Wall, análise e curiosidades sobre o filme


