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Dead Or A Lie: Equilibrado, forte e coeso

Resenha - Monster - Dead Or A Lie

Por Pedro Hewitt
Em 05/10/20

É de forma inusitada que temos grandes surpresas, fazendo sempre guardar tempo o suficiente para adquirir trechos e momentos reflexivos para analisar bons materiais, independente de gênero. Com ou sem pandemia, audições não param, podemos até dizer que ela possui e irá possuir uma grande força temática e lírica nos materiais daqui pra frente.

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São Paulo é sem dúvidas uma capital repleta de bandas que mostram capacidade de imensa potência, e com isso, acidentalmente conheci a Dead or A Lie, uma preciosidade que muitos poderão se agradar, principalmente quem curte sons na linha Soilwork, Killer By Killer, Mastodon, Soundgarden, enfim. E confesso que é necessário uma visão privilegiada para resenhar materiais deste tipo, não foi nada fácil descrever após 4 ou 6 tentativas,cada audição era uma nova experiência.

Após o instigante "Unholiness", que é um pouco mais "reto", o Dead Or A Lie fez um disco sensacional, que reúne muito bem todas as características que tornam o seu som algo único, algo seleto e feito para determinados ouvidos.

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As guitarras distorcidas e viajadas, os vocais alternados, o peso, a velocidade bem básica e o clima sombrio que a banda apostou como uma "história estimulante de um ser humano contra ele mesmo", trabalhado detalhadamente bem parecido nos anteriores, continuam presentes, mas com uma maturidade bem peculiar, e com um certo apelo mais tenso. Esse toque mais arriscado pode ser notado de imediato na faixa após a intro "Never Look Away", cantada de maneira exímia pelo talentoso William Albino (Bateria/Vocal), com refrão extremamente pegajoso e com um riff bem alternado após uma ótima parte de violão, ao lado de um solo bem aplicado no momento ideal. Apesar do meu gosto duvidoso, até quem gosta de Down mais do que Pantera, ou até quem gosta um pouco de Eletric Wizard, pode reparar que a banda possui a grande chance de engajar, aliás, se não engajou, no "New Wave Of Brazilian Heavy Metal" com a brilhante faixa "Bad Dreams… No Crimes", uma grande faixa, que mostra outro lado da banda, com poucas variações, quebras de tempo, solo mais uma vez bem aplicado, além de um belo trabalho vocal. Tocante e excepcional.

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"Leave No Trace" é a faixa que combina muito bem com a arte da capa e resume bem o disco todo: "que para destruir esse mal, preciso me tornar ainda mais terrível que ele. Sim, ele vive na minha subjetividade. Preciso de luz. Muita luz." (Retirado do próprio Bandcamp da banda), riffs medianos, bateria seguindo a mesma linha das primeiras faixas, e de perto, a faixa que parece ser a mais comercial.

A faixa título do material já é a mais simples, tensa (Sim, de verdade), a mais Doom, a que consegue ser triste e bem trabalhada na mesma proporção, com destaque para a surpreendente mudança de andamento que me lembrou bastante Ozzy Osbourne na fase "Ozzmosis", que sai de um clima de melancolia e vai em questão de segundos para uma atmosfera que passa perto do dançante com a dona morte. "Entre o real e o abstrato. Eu sou um monstro?" Uma verdadeira aula!

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"Viver o presente é uma dádiva divina, recheada de perspectivas novas e ilimitadas possibilidades. Meu futuro é um livro aberto a ser escrito de acordo com os meus pensamentos. Vou fazer esse favor para mim mesmo. Eu acredito. Ser pleno é ser simples. Vou encontrar a minha essência. Vou viver a vida em si."

Posso tentar afirmar que a faixa pela qual encerra, "Life Itself", é um tanto de uma razoável "bagunça organizada" (Partes como estas me lembram bastante Mastodon), capaz de dar nó na cabeça e encantar ao mesmo tempo detalhes de metal progressivo/moderno, de longe, a menor destaque de todo o trabalho.

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Ainda não tive a chance de ouvir todos os materiais, espero logo menos ter o acesso com este belo contato que tive o prazer de adquirir. A banda é muito genial, fazendo discos equilibrados, de extrema filosofia, e que sem sombra de dúvidas é um grande trabalho, que merece ser ouvido quantas vezes for necessário.

Sente, aprecie e reflita sobre o mundo com esse disco formidável!

Faixas:
1. Intro
2. Never Look Away
3. Bad Dreams… No Crimes
4. Leave No Trace
5. Monter
6. Life Itself

Lineup:
Matheus Vieira (Baixo/Guitarra)
Carlos Oliveira (Guitarra base/Solo)
William Albuno (Bateria/Vocal)

Para mais informações, shows e merchandise:
https://www.facebook.com/deadoralieSP

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FONTE: FullRock
https://fullrockinc.blogspot.com/2020/09/review-cd-dead-or-lie-monster.html

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Sobre Pedro Hewitt

Estudante, Headbanger, amante de relações públicas, responsável pelo Infektor Self Festival & Toque Rápido ou Peça Perdão, trabalha desde 2015 com produção de shows em Teresina. Teve a oportunidade de trabalhar com grandes nomes do Metal como Onslaught, Air Raid, Enforcer, Fist Banger, Escarnium, entre outros.

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