Edu Falaschi: Nostalgia alinhada com toque clássico no Temple Of Shadows In Concert
Resenha - Temple Of Shadows In Concert - Edu Falaschi
Por Marlon Aires
Postado em 17 de agosto de 2020
Já não é novidade para ninguém que o EDU FALASCHI (Symbols, Angra, Almah), é um exímio cantor, um ótimo compositor. Outra coisa que também já sabemos, é que o Temple of Shadows, álbum que foi lançado em 2004 quando o próprio Edu ainda era a voz do Angra, é uma das maiores obras primas do metal brasileiro. Mas não satisfeito com esse título, o Edu teve a brilhante ideia de gravar o álbum na íntegra, juntamente com o baterista AQUILES PRIESTER (Hangar, Angra, Primal Fear, W.A.S.P), o tecladista FÁBIO LAGUNA (Hangar, Angra) que fizeram parte do Angra na época do Temple of Shadows, para fechar a "dream band", Edu chamou DIOGO MAFRA (Almah) e o prodígio ROBERTO BARROS para as guitarras e RAPHAEL DAFRAS (Almah) para o contrabaixo.

Até então, seria algo "normal" se não fosse por um detalhe muito importante, o álbum seria totalmente acompanhado por uma orquestra. A escolha não poderia ser melhor, a orquestra filarmônica de São Paulo regida pelo lendário maestro JOÃO CARLOS MARTINS. Todos pensavam que o que já estava ótimo, não poderia ser melhor. Porém, para nossa surpresa, ícones do metal como KAI HANSEN (fundador do Helloween e Gamma Ray), MICHAEL VESCERA (ex-vocalista do Obsession, Loudness e Yngwie Malmsteen), SABINE EDELSBACHER (vocalista do Edenbridge), além de GUILHERME ARANTES e TIAGO MINEIRO (tecladista e compositor, que já fez participações com diversos nomes da música brasileira) também estariam nessa "repaginação".
O álbum já começa com a quinta sinfonia de Beethoven em dó menor, logo partindo para a Gate XVII e em seguida Deus Le Volt, três músicas instrumentais para quem vai ouvir, entrar completamente nesse novo universo de música clássica, e assim começa Spread Your Fire e logo a nostalgia começa, e pasmem, a execução é igual ou até melhor que em 2004, Aquiles mostrando todo o seu poder técnico, e como já disse, nenhum a banda deixa nada a desejar. A participação da plateia é completamente empolgante, Angels and Demons continua o show de uma forma extremamente empolgante, na sequencia temos Waiting Silence, com destaque para o baixista Raphael Dafras que executa de forma magistral o solo de baixo contido nesta canção. Temos em seguida a linda Wishing Well, a orquestra dá um charme todo especial nessa música deixando-a muito mais melódica. Em The Temple of Hate, temos a primeira participação no álbum, o incrível Kai Hansen, mesmo no alto dos seus 57 anos, mostra uma desenvoltura extraordinária, não é por acaso que ele é considerado uma lenda viva no mundo do metal. The Shadow Hunter, mostra a maturidade vocal do Edu, sendo a música mais longa com seus deliciosos oito minutos e meio. Sabine Edelsbacher volta na bela No Pain for the Dead, eu mesmo fiquei sem saber que falar no exato momento que a Sabine faz um solo com a orquestra, um momento doce e singelo. O que falar da próxima canção onde mais uma lenda participa? Michael Vescera veio substituindo outro exímio vocalista, HANSI KÜRSCH que por conta de compromissos com seu projeto Demons and Wizards não se pode fazer presente. E ele (Michael), não deixou nada a desejar, que interpretação! Sendo Winds of Destination um dos pontos mais altos do álbum. Como já foi falado antes, temos várias participações, e em Sprouts of Time, Tiago Mineiro, faz um arranjo especial, trazendo vários sentimentos bons. Morning Star não possui nenhum convidado, particularmente eu já estava mal acostumado com tanta qualidade em um só álbum, mas mesmo sem nenhum convidado o nível ficou lá em cima mesmo. Late Redemption conta com a participação de Guilherme Arantes, que substitui o grande Milton Nascimento, que havia gravado em 2004, como o esperado, a performance foi perfeita, chegando ao fim às músicas do fabuloso Temple of Shadows. Engana-se que o álbum acaba por aqui. Contamos com Planeta Água do Guilherme, mostrando uma versatilidade absurda de todos os músicos presentes, essa música que possui uma letra tão profunda, tão atual. A música seguinte é simplesmente a prova que Roberto Barros não é chamado de cyborg à toa. Em um momento que ele chama a responsabilidade total do show para ele tocando Summer, de Vivaldi, mostrou não só técnica, mas uma versatilidade, uma precisão de outro planeta. Em seguida temos Streets of Florence e The Glory of the Sacred Truth, duas belas músicas da carreira solo do Edu. Partindo para as músicas finais, temos um dos maiores clássicos do Angra, confesso que tenho um carinho em especial por essa música que é a Rebirth, mesmo no CD dá pra ouvir a plateia cantar, e essa música junto com a orquestra a deixou ainda mais emocionante. A penúltima é a instrumental In Excelsis, seguindo com a clássica Nova Era, que em sua versão orquestrada conseguiu ficar ainda melhor, finalizando esse álbum que provavelmente ficará na história do Heavy Metal Mundial. Em resumo, se você gosta dessa mistura (rock/orquestra), com toda a certeza vai adorar essa epopeia musical.
O álbum já é primeiro lugar em vendas no Japão e teremos um DVD desse show épico no Brasil em breve.
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