Apocalyptica: banda acerta em cheio ao revisitar a música instrumental
Resenha - Cell 0 - Apocalyptica
Por Victor de Andrade Lopes
Postado em 23 de janeiro de 2020
Nota: 9 ![]()
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Após mais uma pausa relativamente longa entre álbuns (este é apenas o terceiro em praticamente uma década), o quarteto finlandês de cello metal Apocalyptica marca 2020 com um disco pra lá de especial: Cell-0, o primeiro totalmente instrumental desde Reflections (2003).
A banda vinha se enveredando por um caminho interessante ao trazer vozes humanas para suas canções. Por mais que os fins comerciais fossem nítidos, eles foram bastante felizes na aventura.
Mas a extensa turnê em comemoração ao Plays Metallica By Four Cellos deixou os fãs e o próprio grupo nostálgicos dos tempos instrumentais. E assim eles decidiram esquecer a cantoria e foram para o estúdio apenas com arcos e baquetas nas mãos. Ainda sem gravadora naquela época, a liberdade criativa foi total. O que rendeu ótimos frutos.
A abertura "Ashes of the Modern World" é um excelente cartão de visitas, mostrando todos os aspectos do Apocalyptica: o peso, a dinâmica, a emoção, a delicadeza, enfim. E essa demonstração continua na épica faixa-título, com quase 10 minutos.
"Rise" lembra "Farewell", a estupenda peça que marcou o lançamento autointitulado deles de 2005, mas claro que sem alcançar o mesmo nível de grandiosidade - o que não a torna menos incrível, ainda mais se levarmos em conta os sutis acordes ao piano que aparecem na reta final.
A relativamente pesada e certeira "En Route to Mayhem" é um dos destaques, seguida pela não tão empolgante "Call My Name", que fica abaixo da média puxada por suas companheiras.
"Fire & Ice" tem sua introdução serena adornada com a sempre bem-vinda participação de Troy Donockley (Nightwish) e seus inconfundíveis sopros. Essa jogada é sucedida por uma sequência pesada e intrincada, aproximando o grupo do metal progressivo - algo que o próprio violoncelista Perttu Kivilaakso reconheceu em entrevista ao Music Waves.
A reta final vem com a morna "Scream for the Silent", que nos instiga com alguns toques sintéticos ao teclado; a esperançosa "Catharsis", com mais um pouco de piano, e a excelente "Beyond the Stars", que encerra o disco e a si mesma com forte carga emocional.
Esta faixa, aliás, assim como o terceiro single ("En Route to Mayhem") lida, ainda que instrumentalmente, com questões ambientais. E o álbum todo gira em torno deste conceito.
Cell-0 é um belo jogo de palavras. A princípio, parece "cello", o termo anglófono para violoncelo. Mas o título deve ser lido como "cell zero" - célula zero. A célula fundamental. Aquela sem a qual as outras não podem existir. O que isso tem a ver com o meio ambiente? É que, na visão dos membros, existe um elemento básico e não definido que nos falta e, por isso, os humanos acabam destruindo a natureza e as coisas bonitas que ele mesmo construiu.
Cell-0 é um sucessor de Reflections que nunca teria soado assim se tivesse sido lançado logo após o dito-cujo. Os finlandeses não teriam demonstrado tamanha maturidade sonora sem os anos de shows e trabalhos diferentes que lançaram entre um e outro. Ele é a coroação da evolução musical do quarteto e abre 2020 já com uma das obras mais classudas e admiráveis que o ano nos oferecerá.
Abaixo, o vídeo de "Ashes of the Modern World":
Track-list:
1. "Ashes of the Modern World"
2. "Cell-0"
3. "Rise"
4. "En Route to Mayhem"
5. "Call My Name"
6. "Fire & Ice"
7. "Scream for the Silent"
8. "Catharsis"
9. "Beyond the Stars"
Fonte:
Sinfonia de Ideias
http://bit.ly/apocalypticacell0
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