Wolftooth: estreia excelente para fãs de todas as vertentes do metal
Resenha - Wolftooth - Wolftooth
Por Ricardo Seelig
Postado em 15 de novembro de 2019
O quarteto inglês Wolftooth é o tipo de banda que consegue agradar gregos e troianos. Bebendo tanto em sonoridades clássicas como em ingredientes contemporâneos, o grupo formado por Chris Sullivan (vocal e guitarra), Jeff Cole (guitarra), Terry McDaniel (baixo) e Johnny Harrod (bateria) une a paixão pela New Wave of British Heavy Metal e o amor pelo peso monolítico proporcionado pela guitarra de Tony Iommi em uma sonoridade forte e promissora.
Fundado em 2017, o Wolftooth é a derradeira cartada quatro músicos com uma longa trajetória no metal extremo britânico, que aqui se afastam do death, hardcore e grindcore de outrora e encontram a sua cara definitiva em um som mais universal e não tão segmentado. Além do Sabbath e da NWOBHM, a própria banda admite influências de nomes clássicos como Led Zeppelin e Soundgarden e referências mais contemporâneas como Wolfmother e High on Fire - dá pra colocar um pouquinho de The Sword, Kadavar e Orchid na mistura. Traduzindo: é um som pesado, bastante pesado, porém cadenciado e construído a partir de riffs muito bem feitos, cozinha sólida e vocal que traz algumas influências do grunge ao lado da onipresença de Ozzy. O Wolftooth não descamba para andamentos super acelerados e blast beats em nenhum momento, não apela para vocais guturais. Ao contrário: em muitos momentos os caras soam como uma banda criada nos anos 1970 mas que conseguiu gravar o seu disco de estréia apenas agora – ouça a ótima "Sword of My Father" e entenda o que eu estou falando.
Lançado em 2018 lá fora e celebrado pela crítica, o auto intitulado primeiro disco da banda acaba de sair no Brasil em uma bonita edição digipack pela Hellion Records. E aqui eu quero fazer um elogio também à gravadora: em um mercado cada vez mais nichado como o do heavy metal e do próprio consumo de mídia física - especialmente CDs -, acho fundamental reconhecer o esforço de empresas como a Hellion Records em continuar investindo em novos títulos, trazendo material de qualidade para Brasil e não apenas de nomes consagrados. Encontrar uma edição nacional de um disco como esse do Wolftooth é uma belíssima surpresa, porque a banda é ótima e desconhecida no Brasil, porém com potencial para crescer e alcançar um público muito maior no futuro. Identificar esses talentos e investir nesses nomes ao mesmo tempo em que abastece os acervos dos metalheads com pérolas clássicas do metal mostra a amplitude do trabalho da Hellion, que está prestes a comemorar 30 anos de vida e segue fundamental para a cena da música pesada brasileira.
Gostaria de fazer um pedido a todo leitor desse review: vá atrás desse disco do Wolftooth, ouça as músicas da banda e, se possível, compre esse CD. O som dos ingleses é realmente muito bom e acredito que agradará grande parte da turma que curte não apenas metal, mas também um rock pesado bem feito. Entre as músicas, destaques para "Sword of My Father", ""White Mountain", "Frost Lord", "The Huntress" e "Season of the Witch". Porém, todas as oito faixas do disco são fortes e merecem atenção.
É raro uma banda iniciante lançar um disco de estreia tão bom quanto esse. O Wolftooth conseguiu essa proeza e mostra que tem potencial para se destacar muito nos próximos anos. Aproveite que o álbum saiu no Brasil e dê esse presente para a sua coleção.
Excelente!
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