Santana: toques africanos contribuem para mais uma grande obra
Resenha - Africa Speaks - Santana
Por Victor de Andrade Lopes
Postado em 15 de julho de 2019
Nota: 9 ![]()
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Sem dar sinais de cansaço ou de esgotamento criativo, o guitarrista mexicano-estadunidense Carlos Santana (uma lenda viva e incontestável em seu instrumento) coloca mais um álbum - seu 25º! - no mercado.
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Se no último disco (o excelente Santana IV) o músico quis reunir uma formação clássica para revisitar aquele som inigualável do passado, aqui Santana tinha um objetivo bem mais concreto: homenagear a África.
E assim nasceu Africa Speaks, cuja criação foi extremamente focada, com um total de 49 canções gravadas em apenas dez dias. Somente 13 sobreviveram para a lista de faixas final, sendo duas bônus exclusivas da Target ("Mientras Tanto" e "Dios Bendiga Tu Interior"). Muitas delas foram tocadas em apenas uma tomada, reforçando o aspecto imediatista do lançamento.
Como um álbum inspirado no continente-berço da humanidade não poderia deixar de ser, esta obra é bastante rítmica, dando grande importância à bateria, à percussão e ao baixo. Ao ponto que a guitarra de Carlos Santana perde um pouco o protagonismo e fica mais diluída no ensemble cast. Em contrapartida, o baixo (tocado aqui por Benny Rietveld) ganha tamanho papel de liderança que podemos imaginar Flea, do Red Hot Chili Peppers, comandando as quatro cordas.
E isso não chega a ser um problema porque, como sempre acontece, o guitarrista se cerca de vários outros músicos da mais elevada estirpe para entregar um trabalho estupendo de rock.
A abertura autointitulada é uma verdadeira declaração - musical e textual - que vem com a não ortodoxa duração de quase cinco minutos. Mas de "Batonga" em diante, vivenciamos uma jornada sonora mais coesa - daquelas que só Santana consegue criar.
Temos músicas bem dançantes, com um ritmo forte que invade sua cabeça. Falo evidentemente de canções como "Breaking Down the Door" (coescrita por Manu Chao) e "Los Invisibles". Algumas destas eu classificaria até como "sensuais" - e só quem ouve muito esta banda pode entender como uma batida pode ser sensual.
Outras faixas que merecem destaque são "Yo Me Lo Merezco", que guarda uma interessante semelhança com "Black", do Pearl Jam, em termos de progressão de acordes e mesmo linha vocal; a rica "Blue Skies", que equilibra muito bem todos os seus participantes em pouco mais de nove minutos de música com "M" maiúsculo; e "Bambele", onde o órgão e o piano dão espaço para um simpático piano elétrico.
Como disse anteriormente, o álbum é guiado pela ala rítmica, especialmente pelo baixo. Palmas para Benny, que carregou a produção nas costas. Palmas também para a esposa de Carlos, Cindy, que beirando os 60 anos encarou o desafio de manejar as baquetas no disco - justamente um em que a percussão é a alma do negócio.
E destaque, é claro, para a vocalista espanhola Buika, que assume praticamente sozinha a missão de dar voz a peças que homenageiam o continente. Seu timbre penetrante não apenas dialoga com os cantos africanos, mas também é bastante adequado para entregar a mensagem das músicas.
Abaixo, o clipe de "Breaking Down the Door".
Track-list:
1. "Africa Speaks"
2. "Batonga"
3. "Oye Este Mi Canto"
4. "Yo Me Lo Merezco"
5. "Blue Skies"
6. "Paraísos Quemados"
7. "Breaking Down the Door"
8. "Los Invisibles"
9. "Luna Hechicera"
10. "Bambele"
11. "Candombe Cumbele"
12. "Mientras Tanto" (faixa bônus exclusiva da Target)
13. "Dios Bendiga Tu Interior" (faixa bônus exclusiva da Target)
Fonte: Sinfonia de Ideias
http://bit.ly/africaspeaks
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