Tuatha de Danann: após quatro anos, retorno com excelente EP
Resenha - Tribes of Witching Souls - Tuatha de Danann
Por Ricardo Seelig
Postado em 03 de julho de 2019
Na ativa desde 1994, o Tuatha de Danann é uma das bandas brasileiras de metal mais tradicionais, e dona de uma sonoridade pra lá de original. Natural da Varginha, o grupo liderado pelo vocalista e guitarrista Bruno Maia sempre se destacou por executar um folk metal cativante, repleto de ótimas melodias e grandes canções.
Tuatha de Danann - Mais Novidades
Após um intervalo de quatro anos em relação ao último trabalho, "Dawn of a New Sun" (2015), a banda soltou no início deste ano o EP "The Tribes of Witching Souls", que saiu pela Heavy Metal Rock em um bonito digipack com encarte e letras. O disco traz sete faixas e mais duas bônus tracks. Cinco dessas canções são inéditas, enquanto "Tan Pinga Ra Tan" é uma regravação do primeiro álbum – "Tingaralatingadun" (2001) – com as participações de Nita Rodrigues (Bud Pump) e Fernanda Lira (Nervosa) e "Outcry" é uma nova versão acústica para a música presente em "Dawn of a New Sun". As bônus são a versão demo de "Rhymes Against Humanity", do álbum de 2015, e a demo instrumental da música título do EP.
Produzido pelo próprio Bruno Maia (responsável por vocal, guitarra, viola, banjo, flauta e outros instrumentos), "The Tribes of Witching Souls" traz o Tuatha de Danann completado pelo baixista Giovani Gomes e pelo tecladista Edgar Britto, parceiros de longa data de Maia.A bateria ficou a cargo de Fabrício Altino, com Rodrigo Abreu assumindo o instrumento em "Your Wall Shall Fall".
Musicalmente, "The Tribes of Witching Souls" mostra o Tuatha de Danann mergulhando em suas influências celtas, e o resultado é ótimo. Com harmonias bem construídas entre vocais e instrumentos, ritmos positivos e passagens instrumentais elaboradas, a banda mostra que segue criativa e forte. A música título agrada de imediato, com uma linha vocal que conquista o ouvinte no primeiro segundo e um arranjo ascendente que arrepiará os mais sensíveis. Em "Turn", o violino se une à guitarra para construir um riff que coloca o passado lado a lado com as sonoridades mais atuais do metal, enquanto a melodia vocal vem direto de um mundo onde a psicodelia é o prato principal – isso sem falar do refrão, um dos melhores de toda a carreira dos mineiros.
"Warrior Queen" tem Daisa Munhoz (Vandroya, SoulSpell) dividindo a voz principal com Bruno Maia, enquanto "Conjura" traz a banda indo por um caminho mais extremo e conta até com vocais guturais. Outra presença especial é a de Martin Walkyier, do Skyclad, em "Your Wall Shall Fall", parceria entre o vocalista e Bruno Maia. Parceiro de longa data do Tuatha de Danann, Martin une a tradição do folk metal britânico ao principal representante do estilo no Brasil, e o resultado é uma ótima canção.
Outro ponto alto está no contraste entre as vozes de Nita Rodrigues e Fernanda Lira na regravação de "Tan Pinga Ra Tan". Enquanto Fernanda já é reconhecida tanto no Brasil quanto no exterior como uma das novas forças femininas no metal, Nita apresenta o seu belo timbre para um público muito maior – sua banda, a Bud Pump, é conterrânea do Tuatha e também vem de Varginha. O fato de "Tan Pinga Ra Tan" ser uma canção que se desdobra em bonitas e constantes melodias apenas reforça a bela participação de ambas as vocalistas, dando um clima emocional forte para uma das composições mais conhecidas do grupo, e que aqui desbrava outra dimensão conduzida por um arranjo orquestral.
Como destaque final, é preciso mencionar o belo trabalho do ilustrador Paulo "Coruja" Oliveira na capa, uma das mais belas que meus olhos avistaram nos últimos tempos.
É muito bom ouvir um novo trabalho do Tuatha de Danann, ainda mais em um disco tão legal quanto "The Tribes of Witching Souls". Um retorno muito bem-vindo de uma das mais originais bandas que o metal brasileiro deu ao mundo, e que não pode ficar sem produzir material inédito, como este EP faz questão de comprovar.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música de Raul Seixas que faria ele ser "cancelado" nos dias de hoje
As duas músicas do Metallica que Hetfield admite agora em 2026 que dão trabalho ao vivo
Rafael Bittencourt desabafa sobre receios e "confiança rompida" com Edu Falaschi
A música "mais idiota de todos os tempos" que foi eleita por revista como a melhor do século XXI
A banda de rock que lucra com a infantilização do público adulto, segundo Regis Tadeu
Marcello Pompeu lança tributo ao Slayer e abre agenda para shows em 2026
O clássico que é como o "Stairway to Heaven" do Van Halen, segundo Sammy Hagar
Os três gigantes do rock que Eddie Van Halen nunca ouviu; preferia "o som do motor" do carro
Novo álbum do Kreator, "Krushers of the World" é elogiado em resenha do Blabbermouth
O cantor que Axl Rose admitiu ter medo de conhecer; "escuto o tempo todo"
"Obedeço à lei, mas não, não sou de direita", afirma Dave Mustaine
Festival SP From Hell confirma edição em abril com atrações nacionais e internacionais do metal
Como é a estrutura empresarial e societária do Iron Maiden, segundo Regis Tadeu
A respeitosa opinião de Tony Iommi sobre o guitarrista Jeff Beck


Com "Brotherhood", o FM escreveu um novo capítulo do AOR
Anguish Project mergulha no abismo do inconsciente com o técnico e visceral "Mischance Control"
Motorjesus pisa fundo no acelerador, engata a quinta e atropela tudo em "Streets Of Fire"
Nightwish: Anette faz com que não nos lembremos de Tarja
Megadeth: Mustaine conseguiu; temos o melhor disco em muito tempo


