Kiko Loureiro: mostrando o outro lado do seu universo sonoro
Resenha - Universo Inverso - Kiko Loureiro
Por Ricardo Seelig
Postado em 03 de julho de 2019
Segundo álbum solo de Kiko Loureiro, "Universo Inverso" foi lançado em 23 de setembro de 2006 e é o sucessor de "No Gravity" (2005). O então guitarrista do Angra e atual integrante do Megadeth gravou ainda "Fullblast" (2009) e "Sounds of Innocence" (2012), totalizando quatro discos totalmente instrumentais. Ao lado de Kiko em "Universo Inverso" estão o pianista cubano Yaniel Matos (do Mani Padme Trio, e que divide a autoria das composições), o baixista Carlinhos Noronha (prodígio que toca desde os 9 anos de idade e trabalhou como nomes como Banda Black Rio, Ney Matogrosso e João Donato) e o baterista Cuca Teixeira (com passagens pelas bandas de Maria Rita, Marina Lima e Paula Lima).
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Essa formação com músicos de fora do metal faz de "Universo Inverso" o disco mais latino de Kiko, com incursões tanto pelos ritmos brasileiros quanto pelos sons cubanos. A abertura com "Feijão de Corda" já traz o frevo e uma influência do trio elétrico de Armandinho, Dodô e Osmar para a receita, tudo temperado com batidas que lembram o samba. O jazz dá as cartas em grande parte das dez composições, através de elementos de fusion e ocasionais flertes com o rock.
Um ponto que faz toda a diferença é não apenas a presença de Yaniel Matos, mas a sua participação na concepção artística do álbum. O piano de Yaniel divide o protagonismo com a guitarra de Kiko em todas as músicas, ampliando o universo sonoro – ou invertendo esse universo, como bem categoriza o título do trabalho – do guitarrista, que construiu a sua carreira associada ao heavy metal mas sempre estudou e tocou outros gêneros – não custa lembrar que o primeiro trabalho de Kiko Loureiro como músico foi na banda que acompanhava a boy band Dominó, no final dos anos 1980.
A sonoridade de "Universo Inverso" é um agradável jazz fusion com forte tempero latino, onde a suavidade e as sutilezas instrumentais ditam os caminhos. O trabalho da Carlinhos Noronha e Cuca Teixeira é incrível no baixo e bateria, fazendo o disco pulsar. Percebem-se influências não apenas de músicos brasileiros como, por exemplo, a fase instrumental d’A Cor do Som (ouça o espetacular "Ao Vivo no Montreux International Jazz Festival", de 1978, e perceba como os dois álbuns dialogam), mas também de lendas do fusion como o Return to Forever, a Chick Corea Band e até mesmo o Weather Report.
O saldo final é um álbum diferente de tudo aquilo que Kiko Loureiro gravou na carreira, como se a abordagem brasileira e os ingredientes étnicos presentes em "Holy Land" (1996) fossem amplificados, enquanto o peso e as características do metal empurradas para debaixo do tapete. O próprio Kiko comentou sobre isso em entrevista na época do lançamento de "Universo Inverso": "A primeira coisa que eu fiz com o álbum foi mostrar pra algumas pessoas que são de música brasileira, sem conhecer rock, pra ver o que eles achavam. E eles não acham que o CD é de música brasileira. E não é mesmo! Tem um lance de música brasileira, de música latina, de rock e de fusion. Veja bem, o pianista é cubano, e toda vez que ele entrava a bateria e a levada do baixo iam pro latino naturalmente. Já o Cuca mesmo fala que não toca samba como um cara de samba, porque ele toca fusion e estudou vida toda bateristas de fusion, assim como eu toco rock. Então o que soa ali é um fusion meio latino-brasileiro. E é a ideia mesmo. Pro jazzista, e pro pessoal da MPB, o rock não é nada. Convenhamos que harmonicamente o rock é nulo mesmo, a harmonia e a riqueza de melodia é muito simples em relação a eles".
Se você não é apenas um fã de metal mas, sobretudo, um fã de música, "Universo Inverso" tem tudo pra agradar o seu gosto ao mostrar um instrumentista com total domínio técnico e sem nenhum medo de experimentar novos sons.
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