Satyricon: Uma ótima porta de entrada para o Black Metal
Resenha - Deep Calleth Upon Deep - Satyricon
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 01 de julho de 2019
Uma das mais tradicionais bandas de black metal da Noruega, o Satyricon segue na ativa e, mais importante, mostrando criatividade. Fundado em 1991 e com pelo menos um clássico na bagagem - o incrível "Nemesis Divina" (1996) -, o hoje duo habitado por Satyr (vocal, guitarra, baixo e teclado) e Frost (bateria) lançou em setembro de 2017 o seu nono álbum, "Deep Calleth Upon Deep". O disco saiu no Brasil pela Hellion Records.
Satyricon - Mais Novidades
Realçando uma característica que sempre esteve presente no som do Satyricon, "Deep Calleth Upon Deep" traz muitos elementos de metal tradicional, que dividem espaço com a conhecida sonoridade black. Diria até que o metal tradicional é o principal elemento deste disco, o que faz com que as oito faixas do álbum levem a música do Satyricon para um ambiente próximo do occult rock e de nomes como o Tribulation. A massa sonora característica do black metal sai de cena para dar lugar a uma produção mais simples e discreta, mas também sem a crueza proposital que muitas vezes encontramos nos discos das bandas norueguesas nascidas no início da década de 1990.
A capa traz a uma ilustração obscura do artista Edvard Munch, autor do icômico O Grito, intitulada Todeskuss (em português, O Beijo da Morte). Munch a produziu em 1899.
O processo de composição de "Deep Calleth Upon Deep" começou em 2015, mas precisou ser interrompido após Satyr ser diagnosticado com um tumor no cérebro. O músico foi submetido a um tratamento não cirúrgico, passou meses se recuperando e só então retomou o trabalho. Anders Odden, que toca baixo nos shows da banda, participou da gravação, assim como o saxofonista de jazz Hakon Kornstad e alguns músicos da Orquestra Filarmônica de Oslo.
O interessante é que, mesmo explorando um universo onde o black metal divide espaço com o metal tradicional e até mesmo com elementos de post-rock, "Deep Calleth Upon Deep" consegue manter o ar hipnótico do típico black metal norueguês. Muito disso vem dos riffs de guitarra que se mantém na escola norueguesa, com aqueles típicos acordes cíclicos alternados com passagens instrumentais que transbordam melodia. Ainda que não alcance o nível de "Nemesis Divina", este novo álbum mostra uma banda ainda inquieta e que segue evoluindo. Não à toa, o disco venceu a categoria de Best Metal Album na edição de 2017 do Spellemannprisen, o Grammy norueguês.
Caso você nunca tenha se aventurado pela polêmica geração de bandas norueguesas dos anos 1990, que muitas vezes são comentadas apenas pelos atos que levaram à queima de igrejas históricas, os vários suicídios de músicos e pelos crimes que cometeram, essa versão mais suavizada do Satyricon pode ser uma ótima porta de entrada. A banda consegue manter o ar de misticismo de seus colegas de geração, e é uma sobrevivente orgulhosa de um dos períodos mais criativos e controversos do metal extremo.
Outras resenhas de Deep Calleth Upon Deep - Satyricon
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O guitarrista que Jimmy Page, Brian May, Kirk Hammett e Slash põem no topo
Baixista fala sobre luta do System of a Down por ingressos mais baratos
O clássico do Pink Floyd com letra ingênua e adolescente, de acordo com Roger Waters
O astro pop que questionou as guitarras do Guns N' Roses e recebeu um conselho de Axl Rose
Os 10 maiores guitarristas de todos os tempos, segundo a Guitar World
A banda que Ozzy venerava, James Hetfield odiava e Bruce Dickinson ridicularizava
A nova resposta de Tuomas sobre reunião do Nightwish com Tarja que animou os fãs
O cover de Jimi Hendrix de 1968 que arrebatou Bob Dylan e fascinou David Gilmour
Políticos britânicos se mobilizam para impedir show de Marilyn Manson em Wembley
As seis músicas preferidas de David Gilmour, incluindo um surpreendente clássico do Van Halen
Os 5 melhores álbuns dos Rolling Stones de todos os tempos, segundo Regis Tadeu
O conselho que Pete Townshend deu a Jimi Hendrix e depois se arrependeu amargamente
O erro de Bill Ward que o Black Sabbath manteve em um clássico
Joan Jett relembra humilhações sofridas nos shows e admite que chorava depois de tocar
Jorn Lande fala sobre influência de Dio em álbum com Tony Iommi
A banda que brasileiros adoram, mas que Malcolm Young não queria que o AC/DC se parecesse
Por que Ray Charles disse que Elvis não merecia ser o "Rei do Rock"
AC/DC: os últimos dias do vocalista Bon Scott


Kiss - há 44 anos, "Creatures of the Night" marcou o retorno da banda ao hard rock pesado
Ninguém tinha sobrenome na casa onde os Rolling Stones gravaram "Exile on Main St."
A Tempestade (ou O Livro dos Dias): 30 anos da despedida
"Se o Rádio Não Toca", o raro registro ao vivo de Raul Seixas que ganhou edição definitiva
Carach Angren - Sete histórias para um inferno
Paura mira em velhos problemas humanos e entrega muito metalcore em "Primitive Chaos"
Flotsam and Jetsam entrega fúria e maturação em "Rats in the Temple"
Pride Of Lions Mantém a Tradição do AOR Clássico em "Unbridled"
Quase vinte anos do seu lançamento, "Over The Under" ainda soa vigoroso
Alice In Chains: Sete músicas, que podem mudar a vida de uma pessoa



