Myrath: grupo se supera mais uma vez com disco abrasivo
Resenha - Shehili - Myrath
Por Victor de Andrade Lopes
Postado em 22 de maio de 2019
Nota: 9 ![]()
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Foi como "metal desértico ardente" que Zaher Zorgati, vocalista do quinteto tunisiano de metal oriental progressivo Myrath, definiu o quinto lançamento deles em entrevista à revista finlandesa Tuonela. Para ele, a banda mudou seu gênero com este registro de 2019 e assumidamente optou por um caminho comercial, no bom sentido.

No fundo, Shehili não é assim tão destoante da discografia dos africanos, mas trata-se de uma notável evolução com relação ao passado, tanto quanto seu antecessor Legacy (2016, resenhado neste blog) foi quando comparado ao mediano Tales of the Sands (2011, terceiro disco deles, também resenhado neste blog).
Porque não apenas o grupo manteve o que deu certo em seu quarto álbum - os riffs memoráveis, a força das composições, o resgate dos elementos árabes como parte relevante de sua música e não apenas um detalhe de fundo - como também melhorou especialmente este último aspecto, que é o que a torna autêntica e um dos expoentes do gênero hoje.
A bela abertura "Asl" já nos dá um bom indicativo disso ao trazer a participação de Mehdi Ayachi nos vocais. Ela prepara o terreno para "Born to Survive", que, misturando riffs pesados, percussão e cordas árabes e sopros orquestrais, coloca logo de cara o nível da obra lá em cima.
Mas o quinteto demonstra pouca dificuldade em manter a peteca no alto. Seja na ótima "You've Lost Yourself", na grandiosa "Dance", que conta a história de um dançarino que segue com sua arte mesmo após receber ameaças de morte do Estado Islâmico e que recebeu um clipe histórico; no belo cover de "Lili Twil", originalmente por Younes Migri; na ótima "Mersal", com vocais do renomado tunisiano Lotfi Bouchnak; ou num dos (muitos) pontos altos, "Darkness Arise", com um brilhante trabalho instrumental por parte de toda a banda.
A jornada musical se encerra com a faixa título, que não chega a ser a melhor, mas faz jus ao nome que lhe foi dado, sendo uma das que mais bem equilibra o lado metal com o lado árabe do grupo.
O lançamento, por si só, também faz jus a seu título, que pode ser traduzido como algo do tipo "vento quente que vem do deserto". Pois é isso que o Myrath vem sendo: um sopro de criatividade e energia que atinge a Europa diretamente da costa norte do continente ao sul.
Abaixo, o vídeo de "No Holding Back".
Track-listing:
1 - "Asl"
2 - "Born to Survive"
3 - "You've Lost Yourself"
4 - "Dance"
5 - "Wicked Dice"
6 - "Monster in My Closet"
7 - "Lili Twil"
8 - "No Holding Back"
9 - "Stardust"
10 - "Mersal"
11 - "Darkness Arise"
12 - "Shehili"
Fonte: Sinfonia de Ideias
http://bit.ly/shehili
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