Rafael Senra: Adaptando o folk celta para o português
Resenha - Canções de São Patrício - Rafael Senra
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 31 de março de 2019
São Patrício é o santo padroeiro da Irlanda. Missionário, no século III, a crença popular atribui a ele o desaparecimento das cobras da ilha onde fica o país, sendo a razão de em algumas gravuras ele aparecer esmagando esses animais com seu cajado. Muito reverenciado nos Estados Unidos devido ao grande número de imigrantes irlandeses, no dia 17 de março, há diversas comemorações lá e na Irlanda, em sua memória.
Rafael Senra adora música celta e nasceu precisamente no dia 17 de março. Esses fatores foram predominantes para que seu primeiro álbum consistisse em versões em português para onze músicas celtas irlandesas dos séculos XVIII e XIX. Além disso, Canções de São Patrício (2017) tem duas composições próprias, que dialogam com o projeto em certa medida.
Tocando apenas seu violão, a voz doce de Senra embala lindas melodias, como em A Sereia e o Mar e Me Conte a História. Difícil não ligar o mineiro à doçura folk do Anthony Philips, dos anos 70. Fãs da irlandesa Enya reconhecerão as melodias de Seus Poemas e Castelos de Mármore, presentes em seus álbuns dos anos 90, fase de seu auge comercial. O Jardim não deixa dúvida sobre a influência que a pagã música celta teve nos hinos da Igreja Anglicana, essa criação de Henrique VIII, que, mesmo bem anterior aos séculos de onde Senra pinçou seu repertório, aparece como fantasmagoria simbólica. Três Corvos ecoa Greensleeves, cuja autoria anônima a adoração popular pelo absolutismo monárquico sempre atribuiu ao pai de Elizabeth I. A música tem o poder de entrelaçar povos que se estranharam militarmente por séculos.
Doutor em literatura, as letras de Rafael transbordam em aliterações, assonâncias, sinestesias e alecrim, criando mundos paralelos de calma pastoral, onde a inclusão de poemas musicados de nosso árcade Glauceste Saturnio faz todo sentido. Mas, mesmo optando por se refugiar no século XVIII irlandês e brasileiro, Senra é menino pós-moderno: A Lira é um mesh up de duas cançonetas de Glauceste (Claudio Manoel da Costa).
Em um álbum outonal, cujas faixas melancolizam o ouvinte, a letra de Sinas Gerais, faixa de abertura, dolorosamente nos lembra que a idealização da tranquilidade árcade não tem total guarida nas Minas Gerais pós-Mariana e Brumadinho: "Homens vão e permanece o chão/das montanhas e serras de onde eu vim/saudades brotam feito alecrim/cascatas levam meu choro, enfim/homens vão e permanece o chão/sinas, sinas, essas gerais/cavando as minas, olhando nos vitrais/choram as mães e choram os pais".
Belo e comovente, Canções de São Patrício não escapole de nosso momento, mas o faz gentilmente, convocando utopias, que enternecem e nos ajudam a viver.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O maior álbum grunge para muitos, e que é o preferido de Eddie Vedder
Anika Nilles conta como se adaptou ao estilo de Neil Peart no Rush
Andreas Kisser fala sobre planos para o pós-Sepultura e novo EP
"Dias do vinil estão contados", diz site que aposta no CD como o futuro
Led Zeppelin: as 20 melhores músicas da banda em um ranking autoral comentado
Os artistas que passaram toda carreira sem fazer um único show, segundo Regis Tadeu
Dream Theater inicia tour latino-americana com show no México; confira setlist
A banda iniciante de heavy metal que tem como objetivo ser o novo Iron Maiden
A banda dos anos 80 que Pete Townshend trocaria por 150 Def Leppards
As três bandas de prog que mudaram para sobreviver ao punk, segundo o Ultimate Guitar
Pink Floyd anuncia a coletânea "8-Tracks", que inclui versão estendida de "Pigs On The Wing"
Andreas Kisser relembra quando foi chamado de vagabundo por tocar no Sepultura
O que Dave Mustaine mais sente falta de sua época no Metallica
A música que o Helloween resgatou após mais de 20 anos sem tocar ao vivo
Andreas Kisser no Metallica? Guitarrista relembra teste e recepção com limusine
O hábito de Galvão Bueno considerado inconveniente, segundo Paulo Ricardo
5 curiosidades que ajudam a contar a história do casamento de Nando Reis com Vânia
O disco mais subestimado de todos os tempos, na opinião de Dave Mustaine

Moonspell atinge o ápice no maravilhoso "Opus Diabolicum - The Orchestral Live Show"
Carach Angren - Sangue, mar e condenação no Holandês Voador
Testament - A maestria bélica em "Para Bellum"
Auri - A Magia Cinematográfica de "III - Candles & Beginnings"
Orbit Culture carrega orgulhoso a bandeira do metal moderno no bom "Death Above Life"
O melhor disco ao vivo de rock de todos os tempos



