Alter Bridge: The Last Hero é dos melhores álbuns dos últimos anos
Resenha - Last Hero - Alter Bridge
Por Marcio Machado
Postado em 12 de fevereiro de 2019
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
O Alter Bridge se afirmou como um dos fenômenos do rock contemporâneo, depois de começar a carreira com dois disco meios mornos, com traços da banda anterior dos integrantes, o Creed, que aliados a Myles Kennedy, mostraram em "ABIII" as coisas começarem a caminhar para outro lugar, tiveram uma enorme subida em "Fortress" e finalmente mostraram a competência exímia em "The Last Hero", lançado em 2016, tratando de aspectos políticos e pessoais, o álbum mostra em tom definitivo que a banda é grande e tem bala na agulha pra mandar ver. Aqui há flertes com o grunge, o metal tradicional, o melódico, aliada a certa dose de melancolia. A mistura resulta num álbum espetacular, dos melhores não só daquele ano, mas dos últimos.

Uma bela abertura é feita com "Show me a Leader". A música começa calma, com um dedilhado tranquilo, quando a banda surge acompanhando mostrando bastante peso e belo acordes de guitarra. Mas o lance não acaba aí, o ritmo que a canção adquire no seu crescendo é divino e quando Kennedy chega no vocal é algo que nos tira da órbita e os "oohhh" entoados pelo cantor nos fazem cantar juntos. E belo refrão, melódico e pesado. A levada da canção nos contagia de uma forma incrível. Na primeira faixa já podemos ver que o entrosamento da banda só cresce. Além de Kennedy, há destaques para todos, o guitarrista Mark Tremontti, o baixo a cargo de Brian Marshall que em momento algum passa batido e cria linhas divinas e o baterista Scott Philips que mostra uma evolução enorme e constante. Tudo perfeito nesse início.
"The Writing on The Wall" começa sem deixar o ritmo cair. O groove aqui é perfeito, as coisas se solidificam de tanto entrosamento que a banda passa nos acordes da canção. É outra que nos faz se agitar a todo momento e querer cantar aos gritos. Os riffs de guitarra aparecem com fúria aqui e em um sincronismo absurdo dos dois instrumentos e que belo solo aparece aqui, dando ponte para uma passagem pesada e melódica na dose certa. Notem como poucos segundos antes de todos os refrões o peso do groove se choca com o ouvido do espectador graças à ótima cozinha.
Começando com cara de Sabbath, "The Other Side", continua trazendo mais peso no disco, mas dessa vez num ritmo mais cadenciado, mais lento, porém não menos em êxtase da audição. Cantando de forma susurradas os versos, para explodir num refrão um tanto mais alto, chama para um belo bate cabeça. Destaque para a passagem aos poucos mais de três minutos, ali o bicho pega de verdade num andamento mais lento e caótico, partindo para o encerramento da faixa que é simplesmente maravilhosa. Uma trinca de abertura caótica de tanta qualidade.
"My Champion" é o flerte com o lado mais chiclete da banda de outrora, mas em momento algum isso é algo ruim aqui. É de fato a faixa de mais fácil assimilação do álbum todo, porém de forma alguma menor em qualquer sentido, ao contrário, é uma bela faixa com uma tão quão bela mensagem de superação e persistência. O refrão é de fato bem grudento, mas ainda muito feliz em seu momento e nos faz cantar juntos. Casa perfeitamente com a proposta da mensagem passada nos versos.
Voltando ao peso e velocidade, "Poison in yours Veins" é rápida, pesada e chega com tudo sem tempo de se respirar. Se assemelha a melodia da faixa de abertura, mas nada que soe como um defeito. O refrão é tão quão ágil e por todos os seus minutos a canção soa nesse ritmo frenético. Temos mais um belo solo apresentado na faixa, com um baixo disparando notas a milhão e um pedal duplo dando embalo ao ritmo.
"Cradle to the Grave" é um momento mais brando, porém um dos mais belos do disco. Trata-se de uma balada, hora flertando com o grunge hora com o hard rock. Destaque para as dobras de vozes em várias passagens que tornam a música grandiosa e um dos destaques da obra. A passagem após o segundo refrão soa no ouvido com uma beleza enorme, dose de peso, melancolia e harmonia perfeitas, é gratificante demais ouvir um trabalho tão bem cuidado assim.
Para limpar o ar melancólico, "Losing Patience" traz de volta o peso e agilidade. De novo temos dobras de guitarra à mil, vocais nervosos e refrão cheio de fúria. A mudança no ritmo aos 2:40 é grandiosa e mostram uma quebra no andamento mostrando que a dinâmica musical dos caras não é pouca e que final mais heavy metal é aquele, no melhor sentido da palavra.
"The Side of Fate" é outro momento mais calmo nesse despejo de riffs. Tem um refrão um tanto potente e em sua metade cai num momento de pequeno flerte com o prog metal e soa de forma mais comedida à uma certa banda do estilo aí. As dobras vocais surgem com grande força aqui de novo numa grande faixa, literalmente falando pois se trata da maior com seus quase 7 minutos que passam voando devido à tanta qualidade empregada. Que solo mais cheio de feeling sr. Tremonti.
Ainda continuando num pique mais calmo, "You Will Be Remembered" é outra balada, um pouco mais inferior às demais, mas ainda uma bela faixa. Tem um andamento fácil de se acompanhar. Meio apagada no meio das demais serve de calmaria pelo que vem à frente...
Aaahhh, aqui o tempo fecha e as coisas ficam caóticas. "Crows on a Wire" é simplesmente perfeita. A introdução é pesada, sinistra e carregada de climão, quanta energia empregada numa canção. Myles acompanha tudo com um vocal de linhas altas e riffs cuspidos a todo momento. E que refrão senhor, que refrão!! Nota-se numa passagem de notas pós refrão como os quatro membros da banda andam num mesmo pensamento quando se dobra o pedal de bateria e os demais o acompanham, é gracioso pensar esses detalhes. E que passagem é aquela em sua metade, que divino, quanta graça. Pra tocar várias e várias vezes.
Um pequeno momento pra respirar com "Twilight", que tem um peso mais simples, soa mais cadenciada, tem boas harmonias de voz e um refrão muito legal, até que...
Um tanque de guerra sem freios surge chegando lá longe e você vai ouvindo seu motores chegando aumentando cada vez mais até passar por cima de você sem tempo pra nada. Assim é "Island of Fools" que é um furacão passando pelos seus ouvidos. As mesmas qualidades ditos da faixa citada há pouco se empregam aqui. De novo peso e groove desfilando nos ouvidos, ritmo cadenciado e tudo canalizado numa voz que dispara sem dó no ouvinte. Ai, a mudança de ritmo de novo no pós refrão, que dá vez à fúria da introdução é absurda de tão bem formulada que é. Impecável.
Encerrando o trabalho, temos a faixa título, "The Last Hero" é uma mescla do que o disco apresentou até aqui. Hora com momentos mais calmos, outros com uma fúria, a faixa é longa e diverge em vários momentos com várias mudanças de ritmos. Tem um belo solo também, rápido e virtuoso e que dá espaço pra uma passagem bem pesada e caótica. É um final a caráter da grandiosidade de tudo o que ouvimos aqui.
Que petardo e que delicia ver que ainda temos representantes deste nível dentro do rock. Uma banda que pode agradar aos mais tradicionais até os fãs mais jovens do estilo. Mostra definitiva de que o Alter Bridge não é só uma banda de nome e que mostra qualidade e competência, e acima de tudo, comprometimento com seu trabalho e que trabalho. Que trilhem um longo caminho nos presenteado com materiais desse nível, nós agradecemos.
Outras resenhas de Last Hero - Alter Bridge
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Álbum do Sepultura é citado como um dos melhores discos do thrash metal em lista da Kerrang!
Os 10 melhores discos do thrash metal, de acordo com a Kerrang!
Nicko McBrain destruiu camarim por ter se decepcionado com atuação de Blaze em show do Maiden
O erro de avaliação de David Gilmour sobre o "Dark Side of the Moon"
Causa da morte de Phil Campbell, guitarrista do Motörhead, é revelada
Os melhores álbuns de metal lançados em 1986, segundo Gastão Moreira
Cantora canadense Sass Jordan morre aos 63 anos
O rockstar que Ozzy Osbourne considerava o "meu Deus do rock"
O álbum mais subestimado do Led Zeppelin, segundo Robert Plant: "Um dos nossos melhores"
Eleições 2026: e se os astros do metal disputassem todos os cargos?
Nicko McBrain quis deixar o Iron Maiden nos anos 1980 por ter errado em um show
O disco solo que Roger Waters coloca no mesmo nível dos maiores clássicos do Pink Floyd
O erro que James Hetfield admite ter cometido com Jason Newsted no Metallica
Os 10 melhores discos do Kiss, em lista do Classic Rock History
"Ed Sheeran não é uma vítima", diz Tom Morello sobre recente polêmica
Myles Kennedy (Alter Bridge, Slash) se recusa terminantemente a usar IA
Iron Maiden: Grata surpresa e despedida perfeita do gigante
Death: Responsáveis por elevar a música pesada a novo nível


