Alter Bridge: Álbum eleva o nível musical da aclamada banda

Resenha - Last Hero - Alter Bridge

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Por Vitor Fontana de Ávila
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Três anos após "Fortress", álbum amplamente bem recebido e muito elogiado pela crítica, graças ao trabalho criativo da banda e da produção competente de "Michael "Elvis" Baskette, o quarteto de Orlando, Florida, retorna com seu quinto álbum, "The Last Hero", lançado no dia 7 de outubro de 2016.

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[Até o fechamento dessa resenha, "The Last Hero", em menos de 12 horas após o lançamento: No Reino Unido, era o segundo álbum mais vendido no iTunes na categoria geral; Nos EUA, era o primeiro álbum mais vendido na categoria Rock e o quarto mais vendido no geral.]

Após uma turnê bem sucedida divulgando o quarto álbum, e com trabalhos paralelos de Mark Tremonti (TREMONTI) e Myles Kennedy (SLASH), o quinto álbum foi cercado de expectativa, quanto a criatividade da banda, se iriam manter o mesmo nível ou superá-lo, como tem acontecido desde "Blackbird" (o álbum que consagrou ALTER BRIDGE para o cenário mundial e tornando-o ícone no Metal Alternativo), se os compromissos com outros projetos paralelos iriam prejudicar a banda... todas as dúvidas que os fãs possuem, levando em conta que são músicos profissionais e com agenda bem disputada, de maneira que tais situações poderiam prejudicar a qualidade e a criatividade da AB.

Mas não dessa vez. ALTER BRIDGE provou, novamente, que merece ser acolhido pelos braços da crítica. Todo o álbum é muito bem balanceado, muito bem produzido e ainda dá um passo a mais em criatividade, seja nos vocais potentes do Myles Kennedy, seja no instrumental competente de Mark Tremonti, Brain Marshall e Scott Phillips, e quanto a produção de "Elvis" Baskette, conseguindo extrair mais qualidade ainda da banda.

"The Last Hero" é uma mistura entre Fortress e Blackbird, como mencionou Mark Tremonti em entrevistas. Mas é uma mistura tão bem feita que é como se fosse algo completamente novo e inovador para a banda. Diria até que há elementos do álbum "ABIII", quanto a melancolia, o "dark tone" em algumas músicas e a progressão mais ritmada de "Still Remains" e "Isolation". Ou seja, há o melhor do Alter Bridge aqui e, também, mais que suficiente para conquistar ainda mais fãs, inclusive pelas letras, bem atuais e que continuam a se comunicar com o ouvinte.

Analisando as músicas em si, temos a abertura do álbum: "Show me a Leader". Foi o primeiro single e que deu o tom ao álbum. Inclusive, já possui um clip muito interessante, no canal deles no Youtube. Com uma letra de desafio às autoridades e simpatizando com a angústia de inúmeras pessoas pela ausência de representatividade, criticando a presença de "Messias" políticos que estão sempre prometendo para promoção pessoal ao invés de pensar no bem comum, AB compartilha uma letra de protesto e desabafo. Um solo arrebatador de Myles Kennedy logo na introdução e seus vocais sempre no ponto, e uma construção instrumental soberba, certamente estará em vários shows na carreira da ALTER BRIDGE. O solo de Mark Tremonti, o baixo de Brian e a bateria do Flip estão muito bem contextuados.

"The Writing on the Wall" foi uma surpresa enorme. Com uma letra em crítica ao descaso com o aquecimento global e um instrumental ritmado e bem dinâmico por toda a música, mantém o nível inicial iniciado em "Show me a Leader", mas destaco a linha melódica de Myles Kennedy em seus vocais, principalmente no refrão. É algo inovador a linha melódica vocal, nessa música e outras desse álbum, levando em conta o padrão que ele canta referente aos álbuns anteriores do AB. O backvocal de Mark Tremonti "casou" muito bem, inclusive.

"The Other Side" foi o quarto e último single. E que música, senhoras e senhores! Simplesmente, se estivesse em qualquer álbum do AB, seria um destaque e um sucesso. A letra é ambígua, como o próprio Myles Kennedy falou no canal oficial do AB, mas me parece remeter como crítica à religião que está na mídia, há um bom tempo mas principalmente nos últimos anos (e não pelo lado positivo): o Islamismo. Myles Kennedy é agnóstico, mas tanto ele como os demais integrantes tiveram influências da Fé Cristã, o que me leva a interpretar que a letra é ambígua de propósito para tentar dar imparcialidade. Todavia, se analisarem a letra, a crítica quanto a busca desenfreada pelo Paraíso custe ao que custar e chamando esses de "tolos" e "insanos" por isso, pois a única coisa que terão é o Inferno, e levando as experiências da banda em questão, me parece uma crítica veemente ao Islamismo. O "dark tone" da música é cativante! A voz "fantasmagórica" do Myles e os riffs densos de Mark Tremonti são espetaculares. Uma das melhores, se não a melhor faixa do álbum.

Após essa grande abertura do álbum, nos dirigimos a uma música bem ao estilo "One Day Remains" e "Blackbird": "My Champion". Foi o segundo single e muito bem recebido pela maioria dos fãs. Houve aqueles que não gostaram por parecer muito "comercial" e "fugir da tonalidade mais dark" da banda, porém, devemos lembrar que esse estilo de letra - e até de sonoridade - que fala de superação de dificuldades, de esperança pelo melhor, é uma marca no Alter Bridge desde o início. Exemplos estão em "One Day Remains", com sua faixa título, "Open Your Eyes"; "Blackbird", com "Before Tomorrow Comes", "Rise Today", "Come to Life"; "ABIII", com "Ghost of Days Gone By", "Breathe Again", "Life Must Go On"; "Fortress" com "All Ends Well". Logo, não é nenhuma surpresa para quem acompanha a banda desde o início.
É uma música exatamente para cantar em shows junto com o público. É uma "sing along" bem no estilo clássico do termo, sendo uma mescla de "Open Your Eyes" com "Before Tomorrow Comes". Brian e Flip dão o tom animado e festivo da música.

"Poison in Your Veins" foi o terceiro single e é uma mescla de "Addicted to Pain" de "Fortress" com uma pegada mais de "Come to Life" de Blackbird. Vem na mesma vibe e qualidade de "My Champion". Destaque, novamente, para Myles e Mark.

"Cradle to the Grave" é outra música que se destaca no álbum junto com "The Writings on the Wall" e "The Other Side". A construção melódica e instrumental lembra a faixa título de "Blackbird" e "One by One", do mesmo álbum. Porém, a linha melódica dos vocais me lembra "Fallout" de ABIII, assim como o solo lembra um pouco "Bleed It Dry" do "Fortress". É uma excelente música, com variações melódicas muito bem executadas. A letra, sobre a brevidade da vida, é impossível de não se identificar. A emoção que a interpretação de Myles traz é indescritível, no mesmo estilo de "In Loving Memory", "Wonderful Life", "Watch Over You". Certamente, outra música que acompanhará o AB em suas turnês.

Retornando ao peso do álbum, "Losing Patience". A letra pode ser aplicada em várias questões da vida, mas fala sobre tomar a iniciativa e encontrar força em si mesmo, mesmo quando não há nenhuma. O riff de Mark Tremonti se destaca. Denso e ritmado. Conduz Myles com sua melodia mesclada de "The Univited" do "Fortress" e "Coming Home" de "Blackbird". Flip e Brian muito competentes na bateria e no baixo, respectivamente. Impressionante a evolução deles desde "Blackbird".

Na sequência, outra grande música: "This side of Fate". É uma letra bem estoicista (risos!). A escolha do destino e as consequências a serem enfrentadas sem poder fugir. Não há possibilidade para escolher novamente. Isso demonstra, novamente, como dito no início da resenha, é uma letra que todos se identificam, ao fazer escolhas e se arrepender pelo que fez em certas circunstâncias, porém, tem que prosseguir. A vida continua. Lembra "Life Must Go On", "All Hope is Gone", "Words darker than their wings", todas do "ABIII". Por isso, mencionei acima... não vejo somente "Blackbird" e "Fortress" no álbum, embora haja um trecho no meio dessa música que lembra muito "Fortress". Há "ABIII", também, no álbum, e "This side of Fate" deixa isso bem claro. Myles com agudos poderosos. Impressionante e belo! Mark fazendo a transição da distorção para o som limpo e vice-versa com primor. Flip e Brian preenchendo muito bem a sonoridade com peso e presença. Uma das melhores do "The Last Hero".

"You will be remembered" é uma letra bem ao estilo "All Ends Well" do "Fortress", com transições estilo "Brand New Start" do Blackbird. A melodia vocal de Myles é incrível nessa música. Vocalmente, é a mais bela do álbum. O refrão é cativante! E a letra toda, como um hino a todos os "heróis" no mundo afora (me lembra a homenagem aos militares norte-americanos em "One by One", de Blackbird, e a gratidão pela vida vivida de Myles com o pai dele, em "Wonderful Life", de "ABIII") é emocionante.

"Crows on a Wire" é outra grande surpresa do álbum! Bem ao estilo TREMONTI, "Addicted to Pain" de "Fortress", "White Knuckles" e "Ties That Bind" de "Blackbird". O instrumental é poderoso, mas novamente os vocais de Myles destacam ele. Uma das melhores, também.

"Twilight" acalma um pouco o clima de "Crows on a Wire" mas não chegando a uma balada como "You will be remembered". A letra retrata bem a realidade do mundo, hoje: estamos em um crepúsculo, parece que fim de uma era. Oramos pelo melhor, mas os pesadelos parecem não querer terminar. Uma música muito bem construída pela banda.

Quase retomando a vibe de "Crows on a Wire", ficando em um meio termo entre essa e "Twilight", "Island of Fools". Excelentes riffs do Mark Tremonti por toda a música. Brian e Flip mantendo sua presença na "cozinha" da banda. Vemos bem a influência de TREMONTI aqui. A letra é, basicamente, sobre alimentarmos esperanças que acabam por ser reveladas como ilusões, somente. E estamos todos ilhados como tolos em consequência disso.

Por fim (infelizmente), a última música do álbum (não considerei as faixas bônus nessa resenha, mas escute-as, também!): a faixa-título "The Last Hero". Sensacional! A letra, novamente, bem atual e questionando: onde estão os heróis? Perdemos todos eles? Resta ainda alguma chance de mudar o mundo ao nosso redor? O instrumental e o vocal são sensacionais! Myles destaca-se, novamente, e Mark, Brian e Flip realizam momentos instrumentais de primor. Uma excelente faixa para concluir o álbum.

O resultado, portanto, é mais que satisfatório. Nesses poucos mais que 66 minutos, ao comparar esse trabalho do ALTER BRIDGE com os trabalhos anteriores, é inegável a evolução da banda, tanto em criatividade, como no conjunto da obra, e individualmente. A qualidade musical da AB alcançou mais um nível e "The Last Hero" vem para emplacar mais uma crítica positiva e aclamada para o quarteto de Metal Alternativo de Orlando. A produção, inclusive, ficou muito boa. Não penso que os vocais do Myles ficaram sobrepostos sobre o instrumental, mas que foram muito bem equilibrados ambos (voz e instrumental), de maneira que é possível ouvir e perceber detalhes de todos os instrumentos. Tenho muita esperança para o próximo álbum que, com certeza, será tão bom quanto esse!

Nota 10, portanto, para "The Last Hero"!

Setlist:

1."Show Me a Leader" (5:05)
2."The Writing on the Wall" (4:27)
3."The Other Side" (5:54)
4."My Champion" (4:40)
5."Poison in Your Veins" (4:18)
6."Cradle to the Grave" (5:40)
7."Losing Patience" (4:09)
8."This Side of Fate" (6:47)
9."You Will Be Remembered" (4:42)
10."Crows on a Wire" (4:26)
11."Twilight" (4:14)
12."Island of Fools" (5:00)
13."The Last Hero" (6:42)

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