Sammy Hagar: O álbum da virada em 1984
Resenha - VOA - Sammy Hagar
Por Renato M Fukuyama
Postado em 17 de janeiro de 2019
Nota: 8 ![]()
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A carreira antes de VOA
Falar sobre a carreira de Sammy Hagar, ex-vocalista do Montrose e posteriormente do Van Halen, nunca é uma tarefa fácil, pois sua versatilidade impressiona. Ao longo dos anos, o cantor transitou entre diferentes vertentes do rock, construindo uma trajetória que merece atenção.
A influência do Montrose ultrapassou as fronteiras dos Estados Unidos. O Iron Maiden, por exemplo, gravou versões de "I've Got the Fire" e "Space Station #5", músicas originalmente lançadas pela banda norte-americana. Essas gravações demonstram a importância do Montrose para gerações posteriores do heavy metal e ajudam a dimensionar o legado musical do grupo do qual Hagar fez parte.
Embora já tivesse lançado diversos discos solo, Hagar ainda buscava maior reconhecimento comercial. A situação começou a mudar quando assinou com a Geffen Records, em 1981. John Kalodner, responsável pela área de artistas e repertório da gravadora, acreditava no potencial do cantor e ajudou a viabilizar uma estrutura mais ambiciosa para sua carreira. Em entrevista à Classic Rock, Hagar relatou que recebeu um adiantamento de um milhão de dólares para compor novas músicas e que escreveu 28 canções durante o processo de preparação de Standing Hampton.
Lançado em 1981, o álbum alcançou a certificação de platina nos Estados Unidos e consolidou a parceria. Three Lock Box, de 1982, deu continuidade ao sucesso, preparando o terreno para VOA, lançado em julho de 1984. A mudança de gravadora havia se mostrado decisiva, transformando anos de experiência e persistência em resultados comerciais mais expressivos.
VOA: o álbum da virada
O ano de 1984 foi marcante para o rock, com lançamentos como 1984, do Van Halen; Born in the U.S.A., de Bruce Springsteen; Purple Rain, de Prince; e Grace Under Pressure, do Rush. Nesse cenário competitivo, Hagar tinha o desafio de manter o crescimento comercial conquistado com seus trabalhos anteriores.
A produção de VOA ficou a cargo de Ted Templeman, que já havia trabalhado com Hagar no Montrose e era conhecido por sua colaboração com o Van Halen. O título faz referência à Voice of America, emissora internacional norte-americana criada durante a Segunda Guerra Mundial, em 1942. Em plena Guerra Fria, o nome combinava com a abordagem provocativa da faixa-título.
O álbum chamou a atenção com "I Can't Drive 55", seu maior sucesso solo. O riff marcante e o refrão fácil de memorizar ajudaram a levar a música às rádios e à MTV. Em 2009, a VH1 incluiu a faixa em sua lista das 100 maiores músicas de hard rock, na 100ª posição.
Outro destaque é "Two Sides of Love", com sua sonoridade melódica característica dos anos 1980. Já a faixa-título explora o clima político da época, enquanto "Rock Is in My Blood", "Dick in the Dirt" e "Don't Make Me Wait" mostram outras facetas do repertório. "Swept Away" completa o disco com uma abordagem melódica que merece atenção.
Embora possa soar datado para quem o ouve hoje, VOA reúne elementos que definiram boa parte do hard rock comercial dos anos 1980. Seus arranjos diretos e refrões marcantes cumprem bem a proposta do álbum, que alcançou a 32ª posição na Billboard 200 e recebeu certificação de platina nos Estados Unidos.
Com o sucesso de VOA, Sammy Hagar consolidou sua carreira solo e chegou a um novo patamar de popularidade. A turnê reforçou esse momento positivo e, quando tudo parecia estar dando certo, surgiu o convite para integrar o Van Halen. Começava ali um novo capítulo de sua história.
Faixas
"I Can't Drive 55" (SAMMY HAGAR HAGAR)
"Swept Away" (SAMMY HAGAR HAGAR)
"Rock Is in My Blood" (SAMMY HAGAR HAGAR)
"Two Sides of Love" (SAMMY HAGAR HAGAR)
"Dick in the Dirt" (SAMMY HAGAR HAGAR)
"VOA" (SAMMY HAGAR HAGAR)
"Don't Make Me Wait" (SAMMY HAGAR HAGAR, Jesse Harms)
"Burnin' Down the City" (SAMMY HAGAR HAGAR)
Produtor: Ted Templeman
Lançamento: 23 de Julho de 1984
RIAA: Disco de Platina
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