Joe Satriani: rock instrumental que ele faz sempre com tanto esmero

Resenha - What Happens Next - Joe Satriani

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Por Ricardo Pagliaro Thomaz
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Nota: 8

Este é o novo lançamento do carismático guitarrista da careca lustrada, também conhecido pela alcunha de Surfista Prateado, o nosso amigo Joe Satriani. Eu já acompanho o Satch faz muitos anos, e sempre é um grande prazer voltar a ouvir a música de Rock instrumental que ele faz sempre com tanto esmero.

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E vamos jogar a real, Satch é um cara de poucas palavras; literalmente. Mas o time que ele formou aqui neste novo CD para compor sua banda, meu amigo, fala muito e fala bem com seus instrumentos, é de cair o queixo, e é power trio, a moda antiga! Eu gosto quando um cara como ele resolve fazer as coisas da forma mais simples possível, sabe? Sem muita produção, sem muita participação daqui e dali, coisa crua, direto ao ponto, só ele e dois músicos de apoio, pronto.

Temos, na cozinha de tio Satch desta vez, o baterista do Red Hot Chili Peppers e também do supergrupo Chickenfoot, Chad Smith; também temos no time o lendário baixista e vocalista de Hard Rock do Deep Purple, Glenn Hughes! Mas não se anime muito, você não vai escutar a potente voz dele aqui neste disco, infelizmente. Esta é uma reclamação que eu tenho pra fazer no disco, apenas metade das excepcionais habilidades de Hughes foi aproveitada, suas linhas matadoras de baixo, e ele sempre se sai muito bem, mas puts, tio Satch, custava ter feito pelo menos uma musiquinha pra ele cantar, oras? Enfim...

What Happens Next, novo disco do guitarrista lançado em Janeiro deste ano, é como sempre muito bom, muito embora seu anterior, Shockwave Supernova para mim tenha sido um tanto melhor, devido a algumas faixas um pouco mais fillers e burocráticas listadas neste novo aqui, mas como sempre, Satch e sua banda dão show. E como eu já disse que o cara é de poucas palavras, vou cortando o blá blá blá desnecessário aqui e mergulhando de cabeça em seu novo trabalho.

A primeira faixa, "Energy", já inicia com a energia de sempre, com o perdão do trocadilho. Gostei dela, dá aquela levantada no humor. Também achei muito bacana a segunda, "Catbot", onde Satch demonstra aquela habilidade dele de criar solos e riffs que ficam grudados na sua cabeça e com um uso bem criativo de sua pedaleira de efeitos; o teclado aqui também ganha um bom destaque.

"Thunder High on the Mountain" já me captura a atenção logo nas primeiras notas, gosto muito dos arranjos atmosféricos dela e dos riffs bluesísticos que o tio Satch extrai de sua guitarra; momento muito bacana é a bridge da música lá pela metade, antes do fechamento.

Rola uma sequência de três faixas meio burocráticas e que não provocam tanta emoção, apesar de bonitas, até chegar na sétima, "Headrush", onde a gente ouve aquele Satch enérgico e desafiador novamente, seguida pela arrastada e bacana "Looper", que tem aquele fraseado que só o Satch sabe criar e que deixa a gente cantarolando.

Na faixa título do disco, "What Happens Next", Satch demonstra sua classe em uma composição mais contida, mas com passagens realmente interessantes. Então chegamos naquela que eu pessoalmente acho a melhor do disco todo: "Super Funky Badass"! Ok, o nome da música é meio galhofa e não soa assim tão épico, mas eles fazem exatamente o que o título propõe: tocar uma jam com ritmo de funk clássico, e que seja... bem... BADASS, foda, bom pra baralho! E é o que eles fazem! Satriani possui um fraseado na guitarra que é irresistível! Glenn Hughes, esse grande medalhão clássico do Rock destila linhas funkeadas de baixo de cair o queixo, e o Chad Smith manda muito bem na bateria, mostrando mais uma vez porque ainda está ao lado de Satch desde o Chickenfoot. Sensacional!

"Invisible" também é uma batida funkeada, um tanto mais arrastada que a anterior, mas com passagens matadoras, e que fecha os destaques aqui do novo álbum do Surfista Prat... digo, do Satch. De forma geral, estamos falando do mesmo Satriani de sempre no que remete a estilo, técnica e qualidade. Sendo o cara que ensinou Steve Vai e Kirk Hammet a fazerem o que eles fazem hoje em dia, podemos dizer que o professor Satchafunkilus está de volta mostrando algumas lições para quem quiser ficar melhor no instrumento, mas entertainer do jeito que ele é, também fazendo música de qualidade novamente para quem quiser ouvir, e como de praxe, eu obviamente recomendo o disco. Não é tão bom quanto o seu anterior como já mencionei, mas como eu também disse, é o bom e velho Satch fazendo o que faz de melhor. E isso me basta.

What Happens Next (2018)
(Joe Satriani)

Tracklist:
01. Energy
02. Catbot
03. Thunder High on the Mountain
04. Cherry Blossoms
05. Righteous
06. Smooth Soul
07. Headrush
08. Looper
09. What Happens Next
10. Super Funky Badass
11. Invisible
12. Forever and Ever

Selo: Sony Music

Banda:
Joe Satriani: guitarra, teclados e programação
Glenn Hughes: baixo
Chad Smith: bateria

Discografia anterior:
- Shockwave Supernova (2015)
- Unstoppable Momentum (2013)
- Black Swans and Wormhole Wizards (2010)
- Professor Satchafunkilus and the Musterion of Rock (2008)
- Super Colossal (2006)
- Is There Love in Space? (2004)
- Strange Beautiful Music (2002)
- Engines of Creation (2000)
- Crystal Planet (1998)
- Joe Satriani (1995)
- Time Machine (1993)
- The Extremist (1992)
- Flying in a Blue Dream (1989)
- Surfing with the Alien (1987)
- Not of This Earth (1986)

Site oficial:
http://www.satriani.com

Para mais informações sobre música, filmes, HQs, livros, games e um monte de tralhas, acesse também meu blog.

http://acienciadaopiniao.blogspot.com.br"


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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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