Björk: Música Como Aplicativo

Resenha - Biophilia - Björk

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Roberto Rillo Bíscaro
Enviar correções  |  Ver Acessos

Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Em 2010, Björk anunciou que usaria um iPad para compor seu próximo álbum. O ambicioso projeto envolvia cientistas e a criação/adaptação de instrumentos musicais. As canções funcionariam como aplicativos pra iPhones e IPad.

Metallica: gosto musical impediu que se tornassem um MaidenBlack Sabbath: Tony Iommi explica diferença entre Dio e Ozzy

Em outubro de 2011, saiu o resultado. A despeito do perigo de frieza ou esterilidade, a islandesa não caiu na armadilha de desumanizar sua obra. Até no título - Biophilia - o álbum celebra o amor, a vida e respira energia boa, poesia e humanidade.

Congregando ciência, tecnologia, o individual e o universal, Björk dá aula-magna de cosmogonia, que, não por acaso, é título de uma das faixas mais belas, com clima eclesiástico, mas que se encerra com a melodia evaporando-se no éter, depois de haver nascido de um coral sem melodia. Caos silencioso - harmonia - caos silencioso, nos lembrando do surgimento e da transitoriedade das coisas. Biophilia requer repetidas audições atentas e cientes de que o emocional não implica ausência de racionalidade e planejamento.

Moon abre o álbum, e seu minimalismo de harpa criada especialmente para o projeto remete a Vespertine (2001). Coral e clima esparso replicam a sensação de falta de gravidade, na qual flutua o ondulado vocal de Björk, por si só capaz de sustentar faixas inteiras, como Hollow, onde não há propriamente melodia, mas climas e sonoridades. Em Virus, é sua voz élfica que constrói a linha melódica, digamos, assobiável, dum fundo delicado, tão falsamente simples como uma capa de proteína, essência de um vírus.

Crystalline nos pede para ouvir cristais crescendo, enquanto a melodia progressivamente coloca "pedras" protuberando no caminho, sob forma de pequenas erupções de electronica. De repente, elas se tornam muito barulhentas, como se cristais de rocha pipocassem do chão com violência, numa esporro drum'n'bass, que relê a sonoridade de Homogenic (1997). Ciclos, como a ordem das canções, que, na versão sem bônus do álbum, começa com a lua e termina em solstício.

Com letras citando figuras geométricas, histórias da criação do universo, comparando o amor a vírus ou a placas tectônicas, Biophilia une ciência, tecnologia, espiritualidade, sexualidade e emoção sem nunca perder a simplicidade ou soarem pretensiosas.

Apenas artistas perturbadores e inovadores como Björk são capazes de prover beats, chips e octágonos com coração e generosidade.




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDsTodas as matérias sobre "Bjork"


Metallica: gosto musical impediu que se tornassem um MaidenMetallica
Gosto musical impediu que se tornassem um Maiden

Black Sabbath: Tony Iommi explica diferença entre Dio e OzzyBlack Sabbath
Tony Iommi explica diferença entre Dio e Ozzy

Ninguém é perfeito: os filhos Ninguém é perfeito
Os filhos "bastardos" de pais famosos

Slipknot: 12 histórias que retratam o quão insana a banda éRefrãos: alguns dos mais marcantes do Rock/MetalCensura: ouvir Rock e Metal é porta de entrada para virar gay?Top 5: Os roqueiros mais chatos da história

Sobre Roberto Rillo Bíscaro

Roberto Rillo Bíscaro é professor universitário e edita o Blog do Albino Incoerente desde 2009.

Mais matérias de Roberto Rillo Bíscaro no Whiplash.Net.

adClio336|adClio336