Datavenia: Versatilidade e qualidade em seu Metal
Resenha - Welcome to the Underground - Datavenia
Por Vitor Sobreira
Postado em 16 de novembro de 2017
O disco de estréia de uma banda, é o marco de uma carreira, e vai ser lembrado por toda a vida. Erros e acertos andam lado a lado, e a força de vontade supera os obstáculos, para que no final das contas tudo saia o mínimo possível como o planejado. Assim, a banda gaúcha Datavenia, desafiou a si própria, bem como aos ouvintes que se deparam com este seu debute ‘Welcome to the Undreground’, lançado no ano passado.
Vinda da cidade de Frederico Westphalen/RS, o Datavenia nos proporciona uma musicalidade curiosa e versátil, que não se prende unicamente em determinada ramificação do Metal, mas explorou detalhes do Heavy e Thrash, bem como adicionou nuances Groove e possíveis influências dos anos 90 (uma delas seria Pantera?) contudo, sem deixar de soar moderno. O som se baseia em andamentos quase cadenciados, com alguns momentos de alguma velocidade, que são poucos. Senti falta de mais velocidade em uma música ou outra, e principalmente, de uma composição inteiramente veloz, contudo, isso não é um problema.
Em dez composições, nota-se que a produção ajudou, tendo ficado a cargo de todos os integrantes, juntamente com Moris Drumm, e soa muito boa, destacando satisfatoriamente todos instrumentos e o vocal, mas ainda precisou buscar um equilíbrio mais exato entre partes de destaque e partes de base – entenda-se: teclados; que ou por opção da banda, em os fazer soarem mais ponderados, ou por causa da produção, soam baixos, sendo que independentemente da proposta do Datavenia, mereciam um certo destaque, pois dariam um toque a mais ás músicas, ainda que se mantendo em segundo plano.
O instrumental foi muito bem executado, com boas doses de técnica e senso melódico, aliados à boa intuição para as indispensáveis partes pesadas, por toda a extensão do ‘play’. Os vocais de Guilherme são bem expressados, mas por conta de alguns trejeitos, chegam a lembrar James Hetfield (pois é… mais uma vez sou perseguido por esse fantasma…), mas felizmente, não soa como uma cópia do citado músico – o que seria totalmente desnecessário e reservado às bandas cover.
Com a trinca inicial puxando para o lado grooveado, em "Even if it Dies" a agradável pegada Thrash predomina, com o andamento mais acelerado, entretanto, sem deixar de lado partes mais cadenciadas, como no refrão. Mas, e se eu lhe contar, que após esse momento de agito, outro razoavelmente mais "relax" daria continuidade ao trabalho, com introdução de dedilhados de violão, seguidos por um curto e melódico solo de guitarra, que levam "The Last Chance", a um clima praticamente Hard Rock – principalmente do início dos anos 90? Pois é, você não leu errado, ou muito menos eu escrevi asneiras, mas ficou muito interessante esse passo "ousado", e ao mesmo tempo consciente em exibir essa – inesperada – versatilidade! Para os mais temerosos, o trem volta aos trilhos com "Hot Ginger Woman", já apelando ao Metal habitual da banda. "Bang Your Head" – que nada tem a ver com os norte-americanos do Quiet Riot – injeta doses de Groove novamente, enquanto que "Bad Days" chega a ser discretamente mais sombria. Esta mesma sensação se segue com os momentos iniciais da poderosa "Rescue Me". O fim chega com "Unprotected", encerrando bem os 45 minutos de boa música.
Em "Welcome to the Underground", a banda estreou com o pé direito… Mas ainda sim, se trata de uma estréia, e tudo se acerta com a experiência adquirida pelo tempo. Confira!
Banda:
Guilherme Busatto (vocal e guitarra);
Gabriel Quatrin (guitarra);
Guilherme Argenta (baixo e backing vocal)
Eduardo Pegoraro (bateria)
Faixas:
01. Welcome to the Undreground
02. Hate to the Bones
03. Metal God
04. Even if it Dies
05. The Last Chance
06. Hot Ginger Woman
07. Bang Your Head
08. Bad Days
09. Rescue Me
10. Unprotected.
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