Danzig: um retorno às origens com "Circle of Snakes"
Resenha - Circle of Snakes - Danzig
Por Tarcisio Lucas Hernandes Pereira
Postado em 19 de outubro de 2017
Nota: 7 ![]()
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Dono de uma discografia variada, Glenn Danzig é o tipo de músico que parece fadado a criar polêmicas, dentro e fora do campo musical.
Desde sua saída da banda Misfits, ele tem se embrenhado em uma prolífica carreira solo que conheceu todos os estágios da fama, desde a aclamação mundial com o hit "Mother" e a enorme aceitação de seus 4 primeiros trabalhos até as unânimes avaliações negativas que seus lançamentos mais recentes tiveram , onde o compositor e cantor abandonou o rock puro e simples em detrimento de uma abordagem totalmente industrial, recebendo críticas em todos lugares possíveis.
Ao contrário da maioria, eu não vejo com maus olhos esses trabalhos do Danzig. Dado o tipo de "atmosfera" sombria que o músico sempre quis imprimir em seus trabalhos, creio que o estilo industrial foi uma escolha óbvia e até certo ponto natural. O mundo havia mudado, a sua carreira havia mudado, as técnicas de gravação, comercialização e vinculação haviam mudado – e Glenn tentou acompanhar essas mudanças de uma forma sonora.
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Mas chega de divagações, uma vez que a proposta deste artigo é comentar apenas o álbum "Circle of Snakes", e não toda a sua discografia. "Circle of Snakes", de 2004, marca a volta de Danzig ao rock que fazia em seu início. Muita coisa aqui remete aquele começo. Riffs de guitarra simples e grudentos, certas influências de blues, punk, doom e gótico, tudo isso coroado pela voz peculiar do cantor.
Após uma introdução e uma primeira faixa pouco memoráveis – ainda que não sejam ruins – temos a música "Circle of Snakes", simples, direta, que remete bastante ao primeiro disco do grupo.
A música seguinte, "1000 Devils Rain" inaugura os grandes sons do álbum. Uma faixa excelente, com um riff bem blueseiro e linhas vocais bem melodiosas e marcantes.
As faixas vão se sucedendo, e percebemos que se trata de um disco todo direcionado para as guitarras, que sempre estão presentes, altas...talvez tal escolha seja justamente para "apagar" os resquícios da última fase da banda, onde de fato o trabalho das guitarras ficava em segundo plano.
O álbum se encerra com a faixa "Black Angel, White Angel" de forma muito digna e acertada. Não poderia ter música melhor para o encerramento: uma música de vocais fortes, guitarras que remetem a muito que foi feito no passado e um refrão grudento.
Esse ano, 2017, Danzig lançou o álbum "Black Laden Crown" que tem sido apontado como um retorno do músico às origens. Mas a verdade é que esse retorno aconteceu aqui, e se estendeu para os 2 álbuns seguintes, "Death Red Sabaoth" e o último já citado.
Acredito que o disco merece, ao menos, uma escuta descompromissada. Como ponto negativo, apenas alguns trechos onde a voz do cantor realmente está mais baixa, praticamente sumindo junto aos outros instrumentos. Está certo que a própria proposta da banda exige uma produção mais crua e obscura... mas isso deve ser feito sem exageros.
Enfim, confiram e tirem suas próprias conclusões! Gostou? Odiou? Tanto fez, tanto faz? Diga-me!
Tracks:
1. "Wotans Procession" – 2:23
2. "SkinCarver" – 3:57
3. "Circle of Snakes" – 3:07
4. "1000 Devils Reign" – 3:47
5. "Skull Forrest" – 5:06
6. "HellMask" – 3:14
7. "When We Were Dead" – 4:46
8. "Night, BeSodom" – 3:28
9. "My Darkness" – 4:21
10. "NetherBound" – 3:41
11. "Black Angel, White Angel" – 4:23
Banda:
Glenn Danzig – vocals, guitar, keyboards
Bevan Davies – drums
Jerry Montano – bass guitar
Tommy Victor – guitar
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