Paradise Lost: Ícones incansáveis
Resenha - Icon - Paradise Lost
Por Vitor Sobreira
Postado em 12 de outubro de 2017
Algumas bandas surgiram para fazer história, e não contradizendo essa afirmação, os ingleses do Paradise Lost, participam do grupo de destaque na música pesada mundial. De promessa, no final dos anos 80, a banda virou realidade, e a cada disco surpreendeu fãs e mídia, sem medo de inovar e evoluir em sua sonoridade. ‘Icon’, o quarto ‘full-length’, foi lançado no dia 23 de setembro de 1993 pela gravadora Music For Nations, e cuidou de manter afastado, os traços de Death Metal (especialmente pela ausência dos vocais guturais), de um passado – na época – bem recente.
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Adquirindo cada vez mais experiência, a banda se mostrava incansável, fazendo constantes lançamentos anuais (curiosamente, olhando rapidamente sua discografia, percebe-se que desde sua primeira ‘demo’ de 1988 até o mais recente álbum lançado neste ano de 2017, ‘Medusa’, a banda ficou apenas os anos de 2004, 2010 e 2016 sem lançar qualquer tipo de material!), álbuns, demos, singles, EPs, compilações, e tudo mais o que pudesse saciar (ou levar a falência) seus ávidos seguidores. Mantendo quase que mesma sonoridade pesada do antecessor (‘Shadows of God’ – 1992), o diferencial mais forte está mesmo nos vocais de Nick Holmes, que optou por linhas com drive moderado, porém consideravelmente limpas. Curiosamente, algumas dessas linhas me lembraram, vez ou outra, um tal James Hetfield(!).
Ainda que se mantivessem firmes naquilo que ajudaram a criar, o Gothic Metal, a veia Doom também estava pulsante, mas a vontade em evoluir fez com que compusessem realmente um disco de Metal, independentemente em qual categoria fosse se encaixar. As guitarras características de Gregor Mackintosh e Aaron Aedy lutavam entre os riffs pesados e as notas melodiosas – tão responsáveis pela musicalidade densa – e a sessão rítmica, mesmo que não fosse complexa, não deixou a desejar. Momentos comuns e inspirados, permeiam todo o disco.
Gravado entre junho e julho de 1993, no Jacobs Studios, localizado no condado de Surrey/Inglaterra, ‘Icon’ conseguiu algum destaque nos ‘charts’ da Holanda (MegaCharts – 30a posição) e da Alemanha (Offizielle Top 100 – 80a posição) e ainda rendeu três vídeo clipes, para as faixas "Embers of Fire", "True Belief" e "Widow" – apenas re-confirmando que a banda não gostava de "brincar em serviço". Outra curiosidade importante, se dá pelo fato d´este ter sido o último trabalho com o baterista Matthew "Tudds" Archer, que estava no Paradise Lost desde o início e foi substituído por Lee Morris (no ano seguinte) que tomaria conta das baquetas por cerca de dez anos.
‘Icon’ é um daqueles trabalhos que precisa ser ouvido com calma (especialmente para quem nunca se envolveu demais com a arte do Paradise Lost, como eu mesmo), pois a cada audição uma surpresa é revelada, e, diga-se de passagem, acaba sendo uma interessante experiência. Destaques? Nos primeiros contatos, "Remembrance", "Forging Sympathy", a rápida "Widow" e "Christendom" dão um passo à frente, prendem a atenção e garantem uma nova audição as demais.
Se ainda não conhece, vá em frente e ouça!
Formação:
Nick Holmes (vocal);
Gregor Mackintosh (guitarra);
Aaron Aedy (guitarra e violão);
Stephen Edmondson (baixo);
Matthew Archer (bateria e percussão)
Faixas:
01. Embers Fire
02. Remembrance
03. Forging Sympathy
04. Joys of the Emptiness
05. Dying Freedom
06. Widow
07. Colossal Rains
08. Weeping Words
09. Poison
10. True Belief
11. Shallow Seasons
12. Christendom
13. Deus Misereatur (Instrumental).
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