Son of a Witch: "Thrones In The Sky", um disco a ser fruído
Resenha - Thrones In The Sky - Son of a Witch
Por Ricardo Cunha
Fonte: Esteriltipo
Postado em 07 de outubro de 2017
Nota: 9 ![]()
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Banda surgida em meados de 2008 no Rio Grande "Blood" do Norte¹, de forma altamente despretenciosa. Inicialmente fazendo um som instrumental, o grupo começou a adquirir cara de banda com a entrada de "King Lizzard" no vocal. Os ensaios foram evoluindo e som foi ficando redondo. Os caras partiram para os shows e a banda foi conquistando público de modo que o primeiro registro, um EP auto-intitulado, acabou sendo uma consequência natural.
Entre as influências, é dispensável falar de Black Sabbath, citado como influência por 11 de 10 bandas que se definem como Stoner/Doom. Então, vale mencionar também, – e principalmente, – Pentagram, ST. Vitus, Kyuss, Cathedral, Down e Clutch.
O grupo, é atualmente formado por King Lizzard (vocal), "Psychedelic Monk" (guitarra), "Gila Monster" (guitarra), "Old Goat" (baixo) e "Asteroid Mammoth" (bateria). Como é notório, os caras curtem brincar com os pseudônimos e, com isto, nos conduzem através da nevasca sonora da banda, para entender mais sobre a dinâmica na qual a música do grupo é criada.
Havia falado noutra ocasião que o termo Stoner está perdendo gradativamente a capacidade de significação diante do que vem se criando nesse seguimento. De fato, como as composições estão ficando cada vez mais complexas quanto a estrutura, mudanças de andamento e duração, os músicos têm necessitado juntar termos adjacentes para melhor nomear o trabalho criacional de cada um. Visto que há bandas cuja musicalidade extrapola os contornos disto a que chamamos Stoner.
No Brasil, Son of A Witch é, com certeza, uma autoridade no assunto. E, Thrones In The Sky mostra que os pioneiros do estilo na sua terra de origem são em grande parte, responsáveis pela disseminação dessa vertente musical no território nacional. Construções longas e densas parecem deslizar pelo vácuo criando uma espécie de sinestesia que evoca imagens altamente particulares no ouvinte (dependendo da sua relação com o estilo em questão). Thrones in the Sky (10:23), tem um forte apelo sabbáthico e já te cativa nos primeiros instantes; em Alpha Omega Astra (12:39) a viagem continua por vias sensoriais que induzem ao movimento involuntário; se você chegou em Far Away From Dreaming "Giant Spheres and humanoids" (09:29) é porque foi definitivamente capturado pela pulsação sonora dos potiguares; entretanto, caso esteja tentando resistir, New Monster (10:09) pode te pôr de joelhos antes do golpe de misericórdia, que é Jupiter Cosmonaut (16:26), uma canção a ser fruída sem qualquer conexão com o mundo das pessoas consideradas normais. Ao final, a sensação é a de que se está prestes a descartar a carcaça humana ficando a um passo de uma outra forma de vida. Por fim, no decurso da audição, ainda é possível perceber que King Lizzard se mostra um bom intérprete enfatizando e suprimindo sentimentos conforme a música vai se desdobrando.
Referências: Meninos da Podreira, Son of a Witch, Whiplash.net, Chris Machado Fotografia.
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