Heretic: álbum rico em detalhes, com as bençãos da música oriental

Resenha - Errorism - Heretic

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Por Bruno Rocha
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Nota: 8

Se mantendo firme e forte em sua ideia de mesclar Metal Progressivo com música oriental, a banda goiana HERETIC chega ao seu quarto full-length, "The Errorism", desta vez em edição dupla. A nova empreitada do guitarrista Guilherme Aguiar (Mugo, Armum) traz 17 músicas dividas em dois CD's, num belíssimo encarte, muito bem acabado e com a logomarca da banda em dourado e em alto-relevo. Fiquei toda a audição do álbum passando o dedo por cima do escaravelho que carimba a capa.

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Neste álbum, o HERETIC continua a praticar a sua proposta musical inovadora em termos de Brasil. O Metal Progressivo baseado no Death Metal melódico com influências da música árabe e indiana, inclusive com o uso de instrumentos típicos como cítara, tabla indiana, harpas indianas, baglama (instrumento típico da Turquia) e uma série de percussões, desta feita, tudo tocado por Guilherme Aguiar. Esta receita deu certo nos trabalhos anteriores do grupo e mais uma vez temos amostras da competência e da habilidade da banda em explorar estes caminhos sonoros. Como temos aqui um álbum longo e riquíssimo em detalhes, procurei conhecer primeiro cada instrumento típico usado em sua gravação, para poder identificá-los quando eles aparecerem. Isto foi é uma ótima experiência, pois ajuda a expandir seus conhecimentos músicais e reforça o entendimento do uso de tais instrumentos na música pesada.

Como sempre, o HERETIC costuma balancear as músicas de seus discos alternando momentos rápidos e agressivos com partes mais cadenciadas e esotéricas. No disco 01, a mistura começa com tudo com a música "Grounds Of Kalinga", que vem seguida pela frenética "Amlid". "Sumerian Counsel" traz blast-beats e uma performance destacada no baixo fretless de Fifas Rules. Uma gaita se torna protagonista na cadenciada "Sitar Fusion" para depois as tablas darem o comando de destruição com a pesada "Drown In Apsu", onde o baixo fretless mais uma vez toma a frente de alguns trechos, desta vez tocado por Laysson Mesquita. A faixa-título é destaque com seu riff étnico martelado e com passagens Black Metal próximo de seu fim. Esse mesmo pique segue na xamanística "Choked In Cicuta", com mais um solo de baixo por conta de Fifas Rules. "Mirage" traz um momento totalmente World Music com um solo de saxofone por cima de uma melodia em baixo fretless e efeitos eletrônicos, seguido de um fraseado etéreo e emocionante. O disco 01 se encerra com a pesada "Trampled By War Elephants", que teve clipe lançado recentemente.

Partindo para o segundo trecho da viagem pelas sonoridades orientais, o trecho começa com tudo na variadíssima "Summoning The Greek": guitarras dobradas duelam com uma cítara, seguido de uma passagem guiada por baixo fretless e por harpas, antes de um fim calcado no Sludge Metal. "Bite The Sand" também segue a mesma ideia de variações, destacando palhetadas que ecoam nos dois lados do fone de ouvido, enquanto solos de Luís Maldonalle disputam espaço com o timbre expressivo do esraj. A também pesadíssima "Black Genious" segura as barras mais um pouco, porque logo após vem a completamente World Music "Echoes", completamente guiada por harpas, sarangi e por timbres de sintetizadores que nos remetem ao Emerson, Lake & Palmer. "Birth Of Ashoka" funciona como um Post Rock introspectivo e atmosférico. O CD 02 conta ainda com as versões ao vivo de "Act I" e "Act IV", ambas lançadas originalmente no debut "Opus Heretika" (2011) e com o cover da música "Ruins", do Nile, um Doom Metal com as bençãos do Solitude Aeturnus.

Ao longo de todo o álbum "The Errorism", o guitarrista-solo Luís Maldonalle se destaca sempre com solos rápidos, técnicos e condizentes com as escalas musicais características da banda. O baixo fretless já é um elemento indispensável na música da banda goiana, e aqui ele foi grandemente executado por Fifas Rules, Laysson Mesquita e pelo próprio Guilherme Aguiar, que arrebenta em riffs pesados, no seu traquejo com os instrumentos típicos e em sua criatividade como compositor. Desta vez, nenhum baterista foi escalado para resgistrar suas partes em "The Errorism", ficando a cargo dos computadores fazerem a tal da bateria programada. Em certos momentos, os instrumentos, todos com timbragem orgânica, ficam embolados com o timbre sintetizado da bateria, o que causa um pouco de confusão. Felizmente, é um detalhe que não toma conta de todo o trabalho, este sendo, portanto, bastante audível e fluente. Outro ponto que tenho que mencionar é que a ordem das músicas estão diferentes na parte interna e na externa do encarte. Me baseei pela interna, pois a música "Citar Fusion", como seu título delata, não poderia ser em grande parte guiada por guitarras frenéticas, como é a faixa 05, posição que "Citar Fusion" ocupa na parte externa. Eis o porquê de músicas instrumentais terem títulos que ilustrem o ambiente que criam. Cabe ao ouvinte imaginá-los em sua mente, e deixar que a música construa e molde tais paisagens no âmago da imaginação.

"The Errorism" foi o último álbum do HERETIC completamente instrumental. A banda conta agora com o vocalista Erich Martins que gravou o próximo full-length, "To The False", que foi lançado no começo deste ano. Com vocais ou não, a verdade é que o HERETIC, na pessoa de Guilherme Aguiar, tem uma fonte inesgotável de inspirações para criar sua música única e surpreendente, que agrada a gregos e troianos: tanto quem gosta de se sentir guiado nas ondas atmosféricas e climáticas, como também para quem gosta de Metal Extremo agressivo e bem executado. Também pudera: a música oriental é riquíssima em elementos; cabe somente a quem com ela trabalha moldá-la para que ela se expanda ainda mais em termos de ataque e beleza sonora. Aqui no Brasil, em Goiás, temos esta banda que faz isso com extrema perícia. Ponto para o HERETIC.

The Errorism - Heretic (independente - 2016)

Tracklist:

CD 01:
01. Grounds Of Kalinga
02. Amlid
03. Sumerian Counsel
04. Sitar Fusion
05. Drown In Apsu
06. The Errorism
07. Chocked In Cicuta
08. Mirage
09. Trampled By War Elephants

CD 02:
01. Summoning The Greek
02. Bite The Sand
03. Act IV (live)
04. Black Genius
05. Echoes
06. Act I (live)
07. Birth Of Ashoka
08. Ruins (Nile cover)

Line-up:
Guilherme Aguiar - guitarras, baixo fretless, instrumentos típicos
Fifas Rules - baixo fretless
Laysson Mesquita - baixo fretless
Luís Maldonalle - guitarra solo




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Sobre Bruno Rocha

Cearense de Caucaia, professor e estudante de Matemática, torcedor do Ferroviário e cafélotra. Entrou pelas veredas do Heavy Metal na adolescência e hoje é um aficionado e pesquisador de todos os gêneros mais tradicionais desta arte e de suas épocas. Tem como forte o Doom Metal, não obstante o sol de sua terra-natal.

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